Derrotando Hitler e a paranóia de Israel
Encontre dois judeus à porta da Sinagoga, diz a piada, e haverá três opiniões. Abaixo estão dois judeus conversando. O de itálico é Ari Shavit, colunista do diário de esquerda Ha’aretz. O outro é Avrum Burg, ex-deputado do Partido Trabalhista israelense. Burg acaba de lançar um livro.
Você vê de forma muito dura israelenses e a israelidade. Você diz coisas terríveis a nosso respeito.
Escrevi um livro de amor. Amor dói. Se eu estivesse escrevendo sobre a Nicarágua, não ligaria. Mas nesse lugar do qual viemos há muita dor. Vejo meu amor escorrendo perante meus olhos. Vejo minha sociedade e o lugar no qual me criei e minha casa sendo destruídos.
Amor? Você diz que israelenses só entendem força. Se alguém escrevesse algo assim sobre árabes ou sobre turcos ele seria chamado de racista. E com razão.
Você não pode tirar uma frase e dizer que o livro é só isto.
Não é só uma frase. Ela é repetida. Você diz que temos força, que usamos força, que usamos apenas força. Você diz que Israel é um gueto sionista, um lugar imperialista, brutal que acredita apenas em si.
Mas veja a Guerra do Líbano. Os soldados voltaram do campo de batalha. Venceram algumas, perderam outras. O normal é que a população, mesmo a direita, percebesse que quando o Exército tem a oportunidade de usar a força, ele não vence. A força não resolve. Mas aí vem Gaza e qual é o discurso? Vamos esmagá-los, vamos eliminá-los. Não entenderam nada. Nada. E não é só na relação entre nações. Observe como as pessoas se relacionam. Ouça as conversas que as pessoas têm entre si.
Você diz que o problema não é apenas a ocupação dos territórios. Para você, toda Israel é uma espécie de mutação horrenda.
A ocupação é uma parte pequena do problema. Israel é uma sociedade com medo. Para encontrar a origem da obsessão com força, para eliminá-la pela raiz, precisamos lidar com nossos medos. E o medo primal são os seis milhões de judeus que morreram no Holocausto.
Esta é sua tese. Você não é o primeiro a propô-la mas você a formula com intensidade. Você sugere que somos todos de alguma forma defeituosos psiquicamente. Somos tomados por medo, por pavor, e usamos a força porque Hitler nos causou este dano psíquico profundo.
Sim.
Bem, eu contra-argumentaria dizendo que sua descrição é distorcida. Não é como se vivêssemos na Islândia e imaginássemos que há um bando de nazistas a nossa volta quando na verdade eles desapareceram há 60 anos. Não é assim. A nossa volta estão ameaças reais. Somos um dos países mais ameaçados do mundo.
A real divisão entre os israelenses, hoje, é aquela entre os que acreditam e os que têm medo. A grande vitória da direita israelense na luta pela alma política do país é a maneira como conseguiu incutir uma paranóia absoluta. Sei que há dificuldades. Mas são absolutas? Será que todo inimigo é um novo Auschwitz? O Hamas é o nazismo?
Você está sofismando, Avrum. Você não tem empatia por nós israelenses. Você trata o israelense judeu como um paranóico. Mas, como segue o clichê, alguns paranóicos têm seus inimigos. Hoje mesmo, conforme conversamos, Ahmadinejad está dizendo que nossos dias estão contados. Ele promete nos erradicar. Não, ele não é Hitler. Mas também não é uma miragem. É uma ameaça real. Ele é o mundo real – um mundo que você ignora.
O que digo é que, neste momento, Israel é um país traumatizado em quase todas suas dimensões. E esta não é apenas uma questão teórica. Será que nossa habilidade para lidar com o Irã não seria muito maior se renovássemos em Israel a habilidade de confiar no mundo? Não seria muito melhor se ao invés de lidar com o problema por nossa conta nós pudéssemos nos alinhar com outros, com as igrejas cristãs, com os governos estrangeiros e até mesmo com outros exércitos?
Mas não, nós não confiamos no mundo. Achamos que o mundo vai nos abandonar a cada segundo. Estamos sempre vendo Chamberlain retornando de Munique com seu guarda-chuvas negro. Não. Vamos bombardeá-los sozinhos. Será por nossa conta.
Fora outra a piada, com um rabino de personagem, ele ouviria os dois judeus com seus argumentos, ponderaria, citaria algo do Talmude e concluiria ao final: vocês dois têm toda a razão.
O livro de Avrum Burg, que acaba de sair em Israel, chama-se Derrotando Hitler. A íntegra da entrevista foi publicada no Ha’aretz.
Ainda sobre o assunto:
- ‘A Alemanha se curva perante Israel’ Estar perante vocês é uma grande honra. O Holocausto enche a nós, alemães, de vergonha. Me curvo perante as...
- ONU: Israel não bombardeou escola Numa guerra, a primeira vítima é a verdade – a frase é ensinada a todo jornalista na escola. Israel não...
- Israel, 2040 Yehezkel Dror, cientista político israelense, traça dois cenários para Israel em 2040: No primeiro, houve um aumento populacional de 50%,...
- EUA mandam Israel calar a boca Nos EUA, O relatório da CIA, Como será o mundo em 2020, foi lançado no ano passado. Saiu no Brasil,...
- Israel e Palestina: a vitória da insensatez A atual política de Israel é um desastre. A promoção de uma carnificina na Palestina – sem esquecer a do...



Quem quiser saber as intensões de Israel, pode ler o discurso da Vice Presidente Tzipi Livni feito na ONU na segunda feira dessa semana .
http://www.fierj.blogspot.com
Desculpa Marcos Araújo, já foi dureza ler uma vez, vou ter que ler de novo? Dá um desconto…. Já disse tudo o que tinha que dizer sobre o assunto, concluo que você não vai me convencer, nem eu a você. Por outro lado, felizmente não precisamos recorrer a pedras, fuzis ou mísseis para manifestar nossa mútua discordância.
Só uma obs.: os judeus estão em Israel e não na Uganda, Argentina ou Amazônia, simplesmente porque a Bíblia cita 580 vezes Jerusalém e nenhuma vez Buenos Aires… ;-)
p.s.2. O Amadinejad, presidente preferido dos progressistas, acaba de sugerir que o estado judeu seja transferido para o Alaska! :-D Talvez você devesse ter uma conversadinha com ele… ;-)
E o Irã (antiga Pérsia, invadida e colonizada pelos árabes), pra onde a gente transfere?
Israel é um país melhor que qualquer país árabe.
Chest, se for assim você é melhor que todo mundo aqui.
Ave Chesterton;
Ave Chesterton;
Ave Chesterton……
Pô!
Defendendo o Chesterton, eu proponho uma enquete aqui: quem - podendo escolher entre morar em Israel ou morar em qualquer outro pais do Oriente Medio, preferiria nao morar em Israel ?
(Nao vale ser primo de principe saudita, ou membro de classe dominante em algum pais… )
Proftel, náo entendi teu raciocinio.
RW, talvez até seja melhor morar como um sheik na Arabia Saudita, maso que quero dizer que Israel é um país que deu certo, funciona, é uma ilha democratica num mar de autoritarismo. Produz, não vive eexrativismo mineral.
RW: Preferiria morar em Israel…. mas o Qatar nao é nada mal nao.
Quanto ao Mr. Cheese, jogo a toalha. O cara é mesmo um babaca. De fato sofre de doença mental irrecuperável. Cérebro atrofiado; poder de argumentaçao completamente NULO.
Ah, Marcozaraújo… Vá ler o Le Món Diplomatí, vai…. ;-) Ou vai te Qatar… ;-D Hehehe… Cansei deste tema, sorry…
Chesterton:
Seguinte, você falou que “Israel é um país melhor que qualquer país árabe”.
Tudo bem, sua opinião, eu respeito.
Agora, creio, colocar um troço definitivo assim, me pareceu coisa divina.
De boa, Ave….
RW in Miami:
Olha, phodendo, eu moro em qualquer lugar.
Em não havendo terremotos, maremotos bombas e quetais, tá bão.
Proftel,
Voce moraria no Ira (onde hoje em dia a gasolina e’ racionada e se voce nao usar barba e’ visto com maus olhos - sem contar no tratamento dispensado a mulheres) ? Ou na Siria ? Ou mesmo na Arabia Saudita, onde se voce nao for membro da classe dominante nao passade um pobre remediado ? Ou no Oman, ou no Yemen, ou no Egito ? Sera que nesses paises seu nivel de vida seria melhor que em Israel ?
Nao estou aqui dizendo que Israel seja um paraiso - la’ tambem ha’ pobreza, corrupcao, politicos canalhas, incompetencia e radicalismo - mas sem duvida o nivel de vida da populacao “mediana” e’ bem superior ao dos outros paises do Oriente Medio, mesmo sem ter petroleo ou outras riquezas naturais.
O que os judeus tem (e ai’ uso a palavra “judeu” conscientemente) e’ uma curiosidade e uma tradicao que estimula o debate, a educacao, o questionamento, a busca de alternativas, de enfoques diferentes. O que e’ o Talmud senao interpretacoes da Tora segundo diversos rabinos ? Talvez por isso que os judeus sejam 33% dos ganhadores de Premio Nobel (segundo o farao). Quantos muculmamos, ou arabes, ganharam premio Nobel ?
Shabat Shalom para todos…
é tudo uma questão de critério. Diga um critério e…pimba, Israel ganha. Tentem.
RW in Miami:
Não conheço aqui no Brasil Judeu ignorante.
Residiria de bom grado em qualquer lugar que não houvesse terremoto, furacão ou bombas.
Interpretação de livros sagrados não cabem nesse espaço, até toparia, o Pedro Doria e os Confrades é, acho, que não iriam encarar de boa.
Convenhamos, você falou tanto só prá comparar “Quantos muculmamos, ou arabes, ganharam premio Nobel ? “?
Meu, pondera aí.
:-)
RW in Miami,
eu preferiria morar nos emirados arabes unidos, mais precisamente em dubai.
RW in Miami,
essa discussão de quem ganhou mais nobel é infundada.
quantos negros ganharam?
quantas mulheres??
quantos japoneses???
quantos brasileiros???
quantos birmanenses???
daqui a pouco vão dizer que os judeus são uma raça superior, daí pra descambar pra outro lado é só um passo.
HRP Mané Reloaded,
acho que vc não entendeu a pergunta.
o que eu quis dizer foi, quem senão os próprios muçulmanos que devem reconhecer.
portanto vc alegar que não gosta pq não é reconhecida por sei lá quem é viagem da sua cabeça.
os judeus são um povo mais organizado, dedicado a valores tanto espirituais quanto científicos. Nãop é um fator genético, é cultural. A mãe, o pai, o avo, o rabino, o professor colocam na cabeça do menino judeu que o carinha tem que estudar, tem que trabalhar, tem que se eforçar para dar certo.
Eu acho que é meio que síndrome do vira-lata este ódio aos judeus. Já era quando Hitler tomou a direção de exterminá-los pois eles estavam em toda operação bancária e produtiva que necessitasse de um cérebro mais complexo, com mais jogadas ensaiadas neste jogo de xadrez que a economia e finanças.
Entaum…o ódio aos norte-americanos!
Entaum…o ódio aos judeus!
Claro que isto simplifica, não engloba tudo o que aconteceu nestes últimos 100 anos, mas ….é uma boa medida, sim!!
Abs.
Chest,
Obrigado por deixar mais claro o que eu quis dizer… ;-)
Concordo com o Ed, é síndrome de vira-latas…
Concordo com o Chest, o “milagre” dos judeus é oriunda da preservação da cultura do saber que gera todo o seu conhecimento. O conhecimento é o bem mais precioso de qualquer judeu. Os bens materiais podem ser roubados, mas o conhecimento não.