Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

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Publicado em October 2007

Despeito

31/October/2007 · 70 Comentários

Cinco brasileiros?

Demorou o quê? 15 anos para igualar a marca?

Certo.

Tags: Esportes

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31/October/2007 · 170 Comentários

É um por dia agora? =)

Tags: Open thread

A CNN e os ecologistas do Brasil

31/October/2007 · 45 Comentários

Sérgio Dávila analisa a série Planet in Peril da CNN. Trecho:

Mas é a passagem pela Amazônia brasileira a que mais chocou esse telespectador. Não pelas conclusões que tiram os jornalistas, todas corretas –a floresta é destruida num ritmo alarmante, todos sabemos. É a afirmação de Cooper de que a causa ambiental estava abandonada no Brasil “até 2005, quando uma americana entrou em cena”. Então, ele fala da vida da ativista Dorothy Stang e de seu assassinato. Segundo “Planet in Peril”, antes dela, o Brasil não tinha essa preocupação…

O post está em seu blog, na data do dia 25 último.

Tags: Brasil · Energia e Aquecimento global · Mídia

O mundo visto por olhos turcos

31/October/2007 · 66 Comentários

Não custa fazer um exercício e olhar o mundo como um turco o vê – e é duro ser turco. Há um século, a Turquia comandava um império. Hoje, não sobrou-lhe sequer aquilo que sobrou para os outros poderes imperiais fracassados. A Turquia não é um Reino Unido ou uma França: tem problemas de terceiro mundo.

Mas estas são águas passadas. O presente não é mais simples: há nítidos esforços para estruturar uma democracia e uma economia fortes. Na Alemanha e na França, no entanto, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy fazem o possível para que seu país não entre na União Européia. Desconfiam que você é oriental demais e, isto não dizem com todas as palavras, também que você é muçulmano demais. Enquanto isso, em uma de suas fronteiras mais delicadas, iraquianos ficam matando seus soldados a torto e a direito. Seu principal aliado o que faz a respeito? Os EUA passam semanas discutindo se vão fazer uma reprimenda formal por conta de um genocídio que você cometeu quase um século atrás.

Do ponto de vista turco, o que resta fazer?

Num país no limite entre ocidente e oriente, se o ocidente dá as costas, resta olhar para os vizinhos orientais. Estes são parceiros antigos – milenares, diga-se. Todos por ali já eram grandes civilizações antes de os europeus erguerem sua primeira aldeia. Tradição é isso, o resto é piada. E, por vizinhos entenda-se, Irã e Síria. Se são inimigos dos principais aliados turcos no ocidente? O ocidente não tem ajudado muito – e não faltou esforço da parte turca.

Este movimento em direção ao oriente não começou esta semana, e a Newsweek o mostra. Há dez anos, a Turquia ameaçava invadir a Síria acusando-a de acobertar as operações do PKK, o Partido dos Trabalhadores Curdo que hoje esconde-se no Iraque. De lá para cá, turcos são os maiores empreendedores na Síria, tendo construído o maior estádio de futebol do país e o novo e gigantesco shopping center em Damasco. Quando Israel invadiu o espaço aéreo sírio há uns meses, o governo turco de imediato apresentou seu protesto diplomático. Bashar Assad, o ditador sírio, acaba de voltar da capital turca. Esteve em Ankara para uma visita oficial.

Comoo Irã, um negócio de extração de gás natural por empresas turcas que vale 3,5 bilhões de dólares está quase fechado. O serviço de inteligência persa está colaborando com os turcos na luta contra o terrorismo curdo. A Turquia se recusa a censurar oficialmente o Irã por conta de seus desejos nucleares. Diplomaticamente, limita-se a manter o canal de diálogo aberto numa tentativa de persuadir o governo iraniano a obedecer a ONU. (O que, do ponto de vista estritamente oficial, o Irã faz.)

Hoje, a Turquia está lá e cá. É um dos maiores poderes regionais. Se não encontrar apoio no Ocidente, sozinha não ficará.

Tags: EUA · Europa · Iraque · Irã · Islã · Oriente Médio · Terror

Médicos e pessoas

31/October/2007 · 55 Comentários

A razão entre o número de habitantes e o dos doutores que os servem país a país.

via Bifurcated rivets

Tags: Gente · Mundo

Retoques no design

30/October/2007 · 22 Comentários

Como os senhores leitores devem ter reparado, este Weblog passou por algumas mudanças na aparência gráfica. O objetivo foi deixá-lo mais leve sem que perdesse suas principais características.

É a primeira parte de algumas mudanças que planejo incluir. O passo seguinte é melhorar a navegação pelos posts antigos.

Pedras para a janela do blogueiro. Quaisquer críticas são realmente bem-vindas – não há, daqui, nenhuma convicção a respeito de qual o ideal.

Tags: Administrativas

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30/October/2007 · 205 Comentários

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Tags: Open thread

Gaza como ela é

30/October/2007 · 93 Comentários

Muitas vezes, nos deixamos levar por estereótipos imaginados para tecer considerações a respeito de certos lugares. É por isso que as fotos postadas pelo André Fucs, nos comentários de alguns posts abaixo, são importantes. Gaza, como ela é, vinda de um site palestino:

Há lugares pobres. E há vizinhanças arborizadas à beira mar.

Gaza não é um gueto. Não é um imenso complexo de favelas. Gaza é um lugar onde vive gente rica, gente de classe média e muita gente pobre. Nisto, é um lugar igualzinho a qualquer outro no Oriente Médio árabe.

Outra das críticas constantes é que a região está empobrecendo por conta dos limites de ir e vir impostos por Israel. É verdade. Limites parecidos, até mais rígidos, são os impostos nos campos palestinos por Líbano e Jordânia. A se contar pela sede de sangue, o Líbano é, atualmente, o inimigo número um dos palestinos. Sua estratégia é entrar abrindo fogo.

Mas Israel, Jordânia e Líbano não impõem estes limites por crueldade. Homens bomba, atentados contra a vida de reis, tentativas de golpe de Estado, instabilidade constante, focos de fanatismo às vezes incontroláveis vêm junto com os palestinos. Não é simples. Palestinos são, muitas vezes, estimulados, manipulados ao terror por Estados árabes que bem gostam da manutenção da situação jamais resolvida entre Israel e Palestina. O inimigo externo convém.

Para enxergar a situação como uma simples dicotomia com Israel de um lado, Palestina do outro, é negar-se a compreender os fatos todos. Há mais elementos no jogo que não tem nada de trivial. Como resolver?

Esta, afinal, é a resposta que se busca desde 1948.

Tags: Islã · Israel e Palestina · Terror

TV Brasil pública e a segunda
reeleição de Lula

30/October/2007 · 103 Comentários

Está se consolidando a idéia de que a TV Brasil, a tevê pública brasileira, é má idéia. Talvez seja. Mas há bons argumentos no sentido contrário e Alberto Dines traça alguns:

Parte da oposição ao projeto da TV Brasil tem origem na ranhetice (”É do governo? Sou contra”). Outra facção opositora apóia-se na convicção maniqueísta de que só a iniciativa privada, isto é, o mercado, é capaz de produzir qualidade. Participam desta aguerrida facção as corporações empresariais (sempre avessas à concorrência e à diversidade), grandes e médios veículos confortavelmente instalados no sistema de pool e os opinionistas – sempre os mais barulhentos, escolhidos a dedo para reverberar, repercutir e botar a boca no trombone. Daí, o apelido – trombonistas.

O Brasil vive um bom momento. Já o vivia no governo Fernando Henrique. Se tudo der certo, continuará vivendo no governo que suceder ao atual. O bom momento não é dado pelo governante mas pelo fato de haver uma república democrática implantada que independe do governante. As instituições funcionam melhor do que jamais funcionaram. Se o Congresso aqui e ali entrega-se aos vícios de outrora – muitos deputados e senadores não perceberam que o país está mudando –, lá vem o Supremo e cumpre seu papel, aceita as acusações, analisa os processos. O Executivo comete erros mas é cobrado.

Não vivemos um momento perfeito, de forma alguma. Os problemas do país estão aí, expostos, no mesmo lugar em que sempre estiveram. Mas fora um ou outro tresloucado, ninguém finge que há solução miraculosa: nem um plano, nem um golpe, tampouco um homem salvador. É um dia após o outro, uma eleição após a outra, e mais algumas décadas disto.

É hora de olhar a coisa pública independente do governo, portanto. Uma Petrobras ou uma rede de escolas públicas ou uma TV Brasil não pertencem a este presidente. Pertencem a todos. Argumentar ’se é deste governo, não quero’ é usar um argumento bobo. O país está mudando. É hora de começarmos a fazer uma distinção que qualquer democracia tradicional faz. A coisa pública é de todos. O governante é só quem está responsabilizado momentaneamente por ela.

Dines continua:

Os privilegiados trombonistas escolheram nova linha de argumentação para combater o estabelecimento de um núcleo de TV pública: o dinheiro do contribuinte não pode ser gasto com programas que produzem traço de audiência.

As ‘estrelas’ não se envergonham do culto ao Ibope. Escolhidas e mantidas pela loteria das pesquisas, só acreditam neste tipo de darwinismo, apostam apenas no interesse do público, esquecidas do interesse público. A subserviência aos ratings não garante qualidade; garante publicidade. Os anunciantes não estão preocupados com a qualidade intrínseca da programação; querem entreter e, nos intervalos, vender. […]

A TV comercial jamais poderia desenvolver uma linha de programação infantil como a da TV Cultura. Ou desenvolver algo parecido com o Roda Viva. Em matéria de troca de idéias, a TV privada consegue no máximo apresentar talk shows apoiados na fórmula celebridades + mundanidades + curiosidades. Nunca antes da meia-noite.

Pluralidade de vozes é sempre uma boa idéia para a democracia. O medo de que a TV Brasil seja não uma PBS à americana ou uma BBC à britânica e sim uma equivalente à tevê pública de Hugo Chávez, este sim, é um medo pertinente. Mas o que faz da tevê pública venezuelana uma máquina de propaganda é o fato de que Chávez controla os três poderes e tem sua reeleição garantida por anos a fio.

Lula não controla os três poderes, por mais que o quisesse. E, bem, por enquanto ninguém fala a sério a respeito de uma nova reeleição. Porque, quando andaram suspirando, teve gente saltando de tudo quanto é lado.

Se as instituições estiverem mesmo bem azeitadas, a idéia nasce e morre sem que ninguém tenha a chance de cogitá-la a sério.

Tags: Brasil · Mídia

Ehud Olmert e seu câncer

29/October/2007 · 35 Comentários

Ehud Olmert tem um câncer de próstata. O tumor está nos estágios iniciais e não devem ser precisos radio ou quimioterapia.

Anunciou de presto. Desde o derrame de Ariel Sharon, os israelenses são preocupadíssimos com a saúde de seus premiês.

Tags: Israel e Palestina

A primeira vez deste blogueiro

29/October/2007 · 18 Comentários

Relatada sem poupar-se, pobre coitado.

(As primeiras vezes organizadas por Guta Nascimento em seu Migrante Digital são um bocado divertidas. Estão listadas na barra da esquerda.)

Tags: Blogosfera · Tecnologia

Cristina Kirchner, a nova presidenta

29/October/2007 · 32 Comentários

Os resultados oficiais parciais já próximos do fim da apuração não deixam quaisquer dúvidas a respeito da eleição de Cristina Fernández de Kirchner, na Argentina: são 44,88% dos votos válidos a seu favor contra 22,99% de Elisa Carrió e 16,90% de Roberto Lavagna. As eleições deixam à mostra um país dividido entre cidades e campo, entre quem tem algum dinheiro e os descamisados.

Do Clarín:

A chegada de Cristina Kirchner contém uma promessa de melhora institucional muito necessária. Certamente as promessas são fáceis de fazer e difíceis de cumprir. Nesta lista de coisas por realizar está dar condições de crescimento ao país, parar de manipular os índices de inflação, corrigir os abusos dos gastos públicos, lutar a cada dia e a cada hora contra a insegurança, aumentar os esforços para remover os núcleos de pobreza e marginalidade, melhorar os serviços de saúde e de educação.

Cristina é presidenta de um país fragmentado. Um terço de nós vivemos como se vive razoavelmente no Primeiro Mundo. Outro terço mal sobrevive por conta da carência e desesperança cotidianas. Esta fragmentação se expressou no evidente corte social do voto. A vitória de Cristina se deveu ao respaldo dos setores mais carentes de proteção. Seu mandato é para governar por eles. Mas também deverá governar para a metade do país que não votou nela.

É assim que ela quer ser conhecida: presidenta, não presidente. Que se faça. O perigo do voto dos descamisados, embora evidentemente sejam os mais carentes de apoio de qualquer governo, é que costuma ser uma massa de fácil manipulação. São susceptíveis aos regalos do fisiologismo. E o primeiro Kirchner governou sem jamais ouvir a oposição, num evidente traço autoritário. Ainda é cedo para dizer que a presidenta seguirá estes passos de seu marido.

A senadora de esquerda Elisa Currió assume, com esta eleição, o posto de líder da oposição. Carrió recebeu pesadamente o voto de classe média e o voto urbano.

Tags: Argentina

Uma moça às segundas

29/October/2007 · 17 Comentários

Pamela David

Tags: Moças

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28/October/2007 · 313 Comentários

Segundo do fim de semana agitado…

Tags: Open thread

A Argentina rachada que deve
eleger Cristina Kirchner hoje

28/October/2007 · 27 Comentários

Conversei, esta semana que passou, com o psicanalista Marcos Aguinis. Ele é autor de O atroz encanto de ser argentino, um livraço que procura explicar o ser e os fracassos e os sucessos argentinos. Não chega a tocar tão fundo como Sérgio Buarque ou Gilberto Freyre fizeram cá no Brasil, mas é o intérprete que foi mais longe na alma portenha. Conversamos, como não poderia deixar de ser, a respeito da virtual eleição, hoje, de Cristina Kirchner para a presidência. Aguinis apresenta um país dividido:

As eleições de hoje serão decididas pela apatia do eleitorado?

Houve apatia, mas ela está diminuindo. No início, a candidata oficial, Cristina Kirchner, parecia que ia conseguir o número de votos necessários para se eleger no primeiro turno. Mas a sociedade argentina está dividida e há ódio e rancor. Os 60% que não votarão em Cristina votam em qualquer um que não ela. Há um clima de hostilidade interna na Argentina.

O que motiva o ódio?

O governo de Néstor Kirchner partiu para o ataque contra todos os setores da sociedade organizada. Não há quem não tenha sido atacado ou desprestigiado pelo governo. O presidente nunca chamou ninguém da oposição para conversar, nunca deu entrevistas à imprensa. Ele usa o poder para manipular. Para parte da sociedade, é como se o governo estivesse dizendo que a Argentina não funciona bem como república. Como aconteceu em outros momentos do passado, parece que só funciona quando há um regime autoritário.

A entrevista foi publicada no Aliás do Estadão de hoje. Está online na íntegra.

Cristina precisa fazer 40% dos votos e manter uma diferença de mais de 10% em relação ao segundo colocado para se eleger no primeiro turno. Das nove pesquisas divulgadas na sexta-feira, ela conseguia esta distância com folga em seis. Nas outras três, era impossível garantir fora da margem de erro. Não custa lembrar que, neste ano, já aconteceram várias eleições para governador de província. As pesquisas erraram em quase todas.

Tags: Argentina

Uma entrevista aos sábados

27/October/2007 · 63 Comentários

Tom Jobim

Tags: Brasil · Gente · Música

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26/October/2007 · 321 Comentários

Vou te contar meus olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho

O resto é mar, é tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz é impossível ser feliz sozinho

Tags: Open thread

Julliete Binoche na Playboy de novembro?

26/October/2007 · 37 Comentários

É. Mas na edição francesa.

‘Esta nova Playboy que você tem em mãos”, escreveu na edição de outubro o diretor da revista francesa Yan Céh, “marca a estréia de uma nova aventura. Se inspira no espírito original da revista americana e a ambição é produzir uma versão francesa que seja a imagem da França e de Paris: com glamour, sexy, inteligente mas popular.”

A reinauguração da revista na França veio com, na capa, a atriz Vahina Giocante. Uma graça, a moça. Mas o que quer dizer ‘reinaugurar ao espírito original’? Na verdade, não muito.

Julliete Binoche muda um tanto o jogo. Ela diz: ‘fui convencida por uma jovem equipe que quer mudar a Playboy e pretende falar do corpo de uma maneira diferente, em lhe dar alma. Nós temos uma tendência de separar o corpo do espírito, o corpo das emoções. Nós colocamos o prazer à parte. De certa maneira, reivindicar este tipo de corpo nas páginas da revista é um ato militante’.

São dois ensaios – num deles Binoche, deslumbrante aos 43, está nua. Cai ainda uma entrevista, feita por Antoine de Baecque, ex-editor da Cahiers du Cinema e do caderno cultural do diário Libération. É acabamento de luxo, um baita trabalho editorial. Trazer peso e densidade editorial traz público, relevância. Uma seqüência de edições assim, com grandes nomes fazendo as entrevistas, grandes fotógrafos de moda assinando os ensaios, mulheres relevantes – e bonitas – nas capas produz, de fato, uma reinauguração da revista. Faz mais: transforma a edição francesa, surpreendentemente, na edição mais relevante da Playboy no mundo. Na que mais repercute.

Só que não é assim tão simples manter o ritmo. A edição que chega às bancas francesas – e à Internet, e a este Weblog, logo depois – sai dia 30 de outubro.

Tags: Cinema · Mídia

Karl Marx odiava Simón Bolívar
mas não diga isto a Hugo Chávez

26/October/2007 · 166 Comentários

[Friedrich] Engels, sobre a conquista da Califórnia mexicana pelos texanos norte-americanos, escreveu em um de seus artigos de jornal: ‘Na América Latina, presenciamos a conquista do México, que nos deixou felizes. É um progresso. É visando seu próprio desenvolvimento que o México estará, no futuro, sob a tutela dos Estados Unidos.’ (23 de janeiro de 1848.)

À época, Engels chamava a tutela colonial de o ‘avanço do homem branco’, no caso britânico, e à ‘missão civilizadora’, no caso francês. Sim, é o mesmo que, em 1902, J. A. Hobson batizou de imperialismo. […]

Em 1849, escreveu contra [Mikhail] Bakunin, que se opunha a sua posição: ‘Bakunin reprova que os norte-americanos tenham realizado uma guerra de conquista, mas ela foi levada única e exclusivamente em benefício da civilização. Não é uma desgraça que a magnífica Califórnia tenha sido arrancada dos preguiçosos mexicanos, que não sabiam o que fazem com ela.’ […]

O desprezo de [Karl] Marx por Simon Bolívar era tão profundo que, no verbete biográfico que escreveu para a New American Encyclopedia, ele analisa em detalhes cada uma de suas campanhas, nega suas aptidões militares e, pior ainda, nega-lhe a valentia. Segundo Marx, Bolívar sempre abandonou seus homens em batalha para fugir covardemente.

Marx vai além, dizendo que ele queria unificar a América do Sul ‘numa república federal da qual seria ditador’. Numa carta que escreveu para Engels, em 14 de fevereiro de 1858, disse ‘Simón Bolívar é um canalha covarde, brutal e miserável’ e o compara com Faustin Soulouque, o negro haitiano que se proclamou imperador.

O argumento do sociólogo José Enrique Miguens é um bocado simples: uma república não pode ser bolivariana e marxista ao mesmo tempo; não pode ser, tampouco, índia nativa e marxista. Seriam contradições em termos.

É uma provocação, evidentemente. Lênin já chamava de ‘imperialismo’ a tutela colonial e o discurso do comunismo e aquilo que Marx e Engels escreviam nem sempre caminha juntos. Além do quê não se pode julgar com valores de hoje o que se pensava há um século e meio. O mundo é completamente diferente.

Ainda assim, os planos do presidente venezuelano Hugo Chávez são de ensinar o ‘bolivarianismo’ e o ‘marxismo’ nas escolas. Terá de ser uma versão mistificada. A real é incompatível.

Tags: América Latina

O Rio de Janeiro como ele foi (1936)

26/October/2007 · 31 Comentários

Tags: Brasil · Cinema