O Rio de Janeiro como ele é
O Rio está pobre – e só a distância nos faz percebê-lo. Comparado com São Paulo, o Rio tem suas ruas mal pavimentadas, lixo espalhado, o calçamento com ranhuras, desigual. Mesmo o Baixo Leblon, talvez o bairro mais rico da cidade, é pobre e feio quando comparado a seus equivalentes paulistanos, Higienópolis e Jardins.
Isso não é apenas uma questão de dinheiro: é também de cuidado. O governo carioca é muito descuidado com sua cidade; o carioca também.
Seguindo a história, o Rio tem duas cidades irmãs. São Paulo é uma delas. Foram paulistas que fundaram o Rio de Janeiro porque primeiro os franceses, depois os índios tupinambás, na Guanabara, eram uma séria ameaça para a segurança de Piratininga. Para que São Paulo pudesse viver, o Rio teve de nascer.
A segunda cidade-irmã é Buenos Aires. Durante todo o século 16 e o 17, o sudeste brasileiro foi muito, muito pobre. A riqueza estava no nordeste produtor de açúcar. As terras do sudeste eram poucas e de má qualidade para cana. Então o Rio sustentou sua economia com tráfico negreiro na rota Angola, Rio, Peabiru abaixo Buenos Aires e, Prata acima, Potosí. As riquíssimas minas bolivianas, que sustentaram por um século o incrível Império Espanhol, foram exploradas com mão-de-obra angolana negociada por cariocas e portenhos. No Rio e em Buenos Aires viveram as mesmas famílias, os mesmos sócios e, tocando um mesmo negócio em comum, conseguiram sobreviver a seus dois primeiros séculos de vida.
As duas cidades irmãs do Rio são infinitamente mais bem cuidadas que ele próprio. Não à toa, talvez. O Rio é bonito demais e a geografia de Sampa e Buenos Aires nada tem que se destaque. Precisam cuidar daquilo que a natureza não ajudou a fazer. Talvez.
Há vários anos, num passo muito lento, escrevo uma história do Rio. Começa com a chegada dos franceses, termina com a chegada de dom João 6o. Falta só o século 18 para pôr no papel. É preciso coragem: escrever dá muito trabalho. Mas o prazer de terminar cada capítulo, depois de muita e muita pesquisa, sempre compensa. Ultimamente, tenho tido vontade de ver este livro todo pronto.
Cá está o primeiro capítulo – chama-se A espera angustiada (PDF). É a história de uma única batalha.
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Eu
Báh, tchê Pedê, gostei. Bem, agora terás que terminar o livro, ou vou encher o saco.
jm, kkkkk
Companheiros de esquerda, maoistas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que o meu comentario acima, um simples - Eu, foi apenas uma experiencia nova em minha vida. Ou seja, eu, josef mario, me permiti a sensação de ser idiota por alguns segundos para tentar entender a mentalidade destes comentaristas beocios e imbecis que colocam este indefectivel - Eu - quando são os primeiros a comentar.
Muito obrigado.
nao tive tempo de ler ainda o mais belo tempo do mundo, mas vou devora-lo asap
Companheiro pedro doria
Eu, josef mario, devo dizer que o texto do companheiro eh fluido e agradavel de ler e a ideia do livro me parece muito interessante.
O que o companheiro não precisa eh deste tipo de apelação barata, começando o seu post de hoje defenestrando a imagem do rio de janeiro. A comparação do rio de janeiro com são paulo e buenos aires eh totalmente fora de proposito e intelectualmente desonesta. A geografia do rio de janeiro, cercada de morros por todos os lados, fez com que as favelas se desenvolvessem ao longo de todos os bairros, misturando as classes rica e media com a classe pobre e miseravel. São Paulo, ao contrario, pela sua propria topografia, fez com que as comunidades carentes se desenvolvessem na periferia. A miseria, em ambos os casos, eh identica e a incompetencia de seus governantes direitões, reacionarios e fascistas em nada se difere.
Muito obrigado.
Bem, o que sempre me impressionou no Rio foi sua capacidade de suportar desgovernos e continuar linda e maravilhosa. De todas cidades do mundo que conheço - infelizmente bem menos que gostaria - o Rio ganha com vários corpos de vantagem. Talvez os corpos das lindas cariocas.
Mas até isso tem limite. Das últimas vezes que estive no Rio, senti que mesmo a pujança naturtal maravilhosa sucumbe. Uma pena.
Por outro lado, como filho de militar, morei na Praia Vermelha e no Forte São João. Pesquei na ilha da Laje, essa citada no texto, hoje um forte abandonado. Conheço bem essa região. Quando conheci o Rio, na primeira vez que fomos, já lá se vão algumas décadas, fizemos um passeio de barco pela Baía de Guanabara. Havia golfinhos e até uma pequena baleia a gente avistou.
Putz.
A CEDAE no Rio, sempre foi um antro de ladroagem. Se resolvessem somente esse problema, teríamos uma Baía renovada, em 20 a 30 anos. Mas, diga lá, o meu corrupto é melhor que o teu pra resolver isso?
Como já havia dito anteriormente, volto a repetir que precisamos acabar com as favelas ou as favelas acabarão com as cidades. E precisamos fazê-lo invertendo o fluxo migratório, de modo que as pessoas se desloquem rumo ao interior desse enorme e desabitado país. Compactar e encaixotar gente, via urbanização de favelas, não é solução. É aproveitar-se de um problema para dele subtrair dividendos políticos.
É isso.
Quem quiser, pode atirar seus paralelepípedos no meu telhado.
josef mario,
devo dizer, que devo concordar totalmente com o seu comentário nº 06.
O Pedro Doria escreve muito bem e o primeiro capítulo de seu livro de história está bastante promissor.
Considero o Rio de Janeiro até mais “rica” e bem cuidade que São Paulo.
A aparência é mesmo uma questão geográfica.
o problema do Rio é covardia. Covardia dos cidadãos em rechaçar hordas de invasores que favelizam a cidade outrora maravilhjosa, pois querem permanecer politicamente corretos. Tem a ver com o PT, mas não só. Tem a ver com a vocação oposicionista de esquerda dos cidadãos, que faziam politica partidaria enquanto São Paulo trabalhava. A cidade acolhe bem os imigrantes como eu, porque o povo (esquerda festiva) é muito, mas muito preguiçoso e vagabundo. Dentre meus colegas e amigos, a imensa maioria veio de fora.
O último governante corajoso foi Sandra Cavalcante, que teve peito para desalojar favelas. Agora seu futuro? Favelização progressiva. Sandra cavalcanti? Nunca mais, provavelmente os cariocas vão arrumar outro brizola ou qualquer idiota que faça promessas doces e utópicas. Enfim, o carioca é um idiota.
Pobrema,
Não é isso mesmo que já está acontecendo?
São Paulo já não está “perdendo” imigrantes?
Uma solução para isso não é “melhorar” as condições de vida dos mais pobres?
Não é isso que o governo está tentando fazer?
Por que é que é que você é tão raivoso em relção à política social do governo?
Será que é porque está dando certo?
Josef Mario, camarada maoísta e bolivariano,
ARRASOU! :c))
Pax, meu bom,
sou do Rio, morei minha vida toda lá. Não tenho nenhuma atração particular por cidade alguma - todas têm seus prós e contras. Ia ficando no Rio porq, para minhas atividades e projeto de vida, era cômodo. Acabei fugindo qdo percebi, em dado momento, q o sistema rodava fora de controle. E não apenas pela lacroagem, não. Principalmente, acho eu, pelos motivos q o camarada maoísta e bolivariano citou, mais acima. O apartheid social q reina na cidade ex-maravilhosa é uma chaga, e enquanto não se der um jeito nela, o Rio continuará navegando ao sabor das crises.
Natureza é um bem, e pode ser administrado, mas essa história de “beleza do Rio”´é um tremendo papo-furado. Agora, produtos humanos são outra coisa, e uma cidade habitável é um deles, o principal, imagino.
Bitt, grande Bitt, me permito a discordância. O Rio de Janeiro é a cidade mais linda que conheço.
Chesterton, velho e bom Chesterton, quando os cariocas cairem de pau em cima de ti, não me chames. Tô fora. Apanha sozinho.
Chest,
“A cidade acolhe bem os imigrantes como eu, porque o povo (esquerda festiva) é muito, mas muito preguiçoso e vagabundo. Dentre meus colegas e amigos, a imensa maioria veio de fora.
Ué Chest,
Digama-me com quem andas e te direi que és.
Teu pensamento está muito confuso.
Pedro Doria, já terminou o livro? Caray, cara preguiçoso. Deve viver escrevendo em blogs aqui e acolá. Aposto.
Faz tempo que não vou ao Rio.
Mais por mêdo de tomar um pipoco do que por outra coisa.
A qualidade das praias também não é lá essas coisas, é só acompanhar os relatórios na net.
Parece muito com as praias da Baixada, há anos não vou na praia por lá, não tenho coragem, é muito coliforme fecal prô meu gosto.
well….sem dúvida um trabalho de fôlego. Uma obra de Titã!!!
Receio que Mr. Doria confirmará uma suspeita que tenho: dos anos 60 para cá, o Rio não mudou porríssima nenhuma.
Parou nos anos 60 e vive do passado, que nem o Cauby Peixoto vive da Conceição……
Dom Casmurro
Absolutamente, não.
O governo paulista resolveu aumentar o salário mínimo para R$ 420 e o bolsa-família para R$ 1o0, via prefeitura. Qual será o resultado imediato disto, é possivel presumir: vem aí mais 1 milhão de votos, digo, imigrantes para São Paulo.
Solução seria melhorar as condições de vida em sua origem. Pretender fazê-lo depois que imigrante construiu seu barraco perto do shopping e já providenciou gatos de água, luz e TV a cabo fica mais difícil. Assim como um câncer, é mais fácil tratá-lo antes que se espalhe pelo corpo.
As favelas que antes eram vistas como guetos de pobreza hoje são fontes de renda, via tráfico, especulação imobiliária, trabalho formal e informal. Já é possível encontrar na Rocinha prédios com elevadores, cujo proprietário não contribui sequer com um único centavo de IPTU. Em São Paulo, é comum avistarem-se carrões e motos importados desfilando em bairros pobres da periferia. Brincadeira, isso?
Rio e São Paulo vivem momentos históricos muito parecidos, no que tange à desordem urbana, a barbárie e a complacência da sociedade.
Dom, tem alguém que diz “há estatísticas para demontrar qualquer coisa que se queira demonstrar, basta sonegar outras!”
NÃO É VERDADE que estamos necessitando de imigrantes de outras regiões, pois o fluxo diminui!
Catso, basta mandar um organismo não pautado pelo petralhismo para constatar isto nas cidades paulistanas, mormente nas litorâneas.
A carga de imigrantes aumenta exponencialmente aqui em Bertioga, São Sebastião, Mongaguá , Itaquaquecetuba e arredores!
E, pela última vez, ninguém é contra Bolsa-Família aqui! Ele é um programa até certo ponto necessário, mas que não resolve nada. Não promove ninguém a porra nenhuma! Muito menos à cidadão, que se presume um orgulho natural de trabalhar e se manter pelas próprias mãos e a caminhar pelos próprios pés!
Abs.
Bem, Pedro…Dória, estamos torcendo pelo livro que virá e também pelo sucesso de venda$$$$$!!
Felicidades!
O dia em que o Delsio, querido Delsio virar antipetralha e antipsdbola ao mesmo tempo, será difícil vê-lo por aqui mais. Vai arrumar tanto namorado que não terá mais tempo pra nós, esses heteros chatos pra caramba.
Pobrema,
Embora você não acredite, as pessoas pobres não são tão idiotas assim.
Duvido, mas duvido muito mesmo, que a grande maioria dos pobres do Brasil irá acreditar que vai encontrar um “boquinha” na prefeitura de São Paulo. Pode ser que um ou outro desesesperado acredite.
Basta ver o que a “grande imprensa “malhou e tem malhado” em cima do Lula e a sua popularidade continua firme e se reelegeu muito bem.
Se as coisas fossem simples assim, seria também bem mais simples de resolver.
Não é por aí não.
Ed Lascar,
que São Paulo deixou de ter um crescimento fora de controle e do conhecimento de todos.
Das estatísticas oficiais e das estatísticas da oposição.
CAtso!! ESTOU CEGO!!!! FOI UM RELÂMPAGO DIVINO!????
Não, deve ter sido a declaração peremptória do Pax e a fruição posterior à minha conversão!!!
Droga!, vou ter de mudar de nome também! Que tal “Lélcio”?!! HUmmmmmmm, este não porque é nome de um amigo meu picareta que só!!!!
:o)
Venha para o litoral que verás outro país, Dom. Que não está nas estatísticas que você carrega debaixo do braço!
:o)
Pax, o PSDB acaba de lançar um diretório por aqui. Não sei quem vai entrar, suponho que sejam os corruptos de sempre. Entro ou não de afiliado?!
:o)
Qual a diferença entre promover a assistencia para o imigrante no sudeste ou em sua cidade de origem? Muito simples: ao rumar para o sudeste as hordas representam uma formidável lavoura de votos, concentrada ali pertinho. Interessa a muita gente. E tome bolsa-família, renda mínima, vale-gás, bolsa-escola, material escolar, transporte e ..título de eleitor. Contanto que a favela permaneça onde está.
Já os imigrantes espalhados por diversas cidades não interessam a ninguém, a não ser uma única pessoa: o presidente.
Oops, básico:
“Venha para o litoral que verás outro país, Dom. Que não está nas estatísticas que CARREGAS debaixo do braço!”
Ái, meu reino por um texto sem erros….de concordância, eu digo!
Éd Lascar:
A Baixada Santista já foi um lugar bom pra se viver.
Passei a infãncia aí, hoje não dá pé.
Parece um formigueiro, ruas estreitas pra tanto carro, o centro de Santos foi tomado pela bandidagem assim como boa parte das outras cidades.
No meu tempo dava pra andar a pé de noite, hoje não mais.
Bons tempos aqueles…..
Ah, gostei do texto do Pedro Doria, se continuar nessa toada com tantos detalhes vai virar coleção com alguns volumes.
Alguem por aqui teve a mesma impressão?
Ahahah….
Tenho um amigo do pt, o Jurandir, que, por sua vez tinha um outro amigo mais à esquerda ainda. Este por ser um anti-establishment radicalíssimo e devido toda a grita preconceituosa aos homossexuais na década de 80 ele resolveu se dar ao amor que “não ousa dizer o nome”. Tipo, afirmação política, protesto. Diz que ele não gostou do que viu, ou passou e voltou para a Luz!!!
Ahahahhaha……
Ed Lascar,
não tenho visto estatísticas sobre imigração para o litoral, mas não acredito que nordestinos se dirijam às praias.
A coisa deve ser pequena e localizada.
Nada como as enxurradas que chegavam à Capital.
Isso realmente vem diminuindo.
Pois é Proftel. Não mais! Quer ser morto ou, pior ainda, ficar meses e meses encostado ,por invalidez, no seguro social?! Sai à noite daqui do Itapanhaú para o Albatroz a pé, por exemplo! AS favelas estão intupidas, pelas razões que dá o Pobrema. Os políticos se elegem com os migrantes de tudo quanto é lugar, principalmente do nordeste. E não é que a coisa não melhora nem exportanto milhões e milhões de necessitados. Renan, Sarney, Collor, Severino, Jeressaiti e quetais são a razão desta desgraça!
Abs.
Intupida é o carioquês para “entupidas”!
:o)
ÊÊhhh! Me salvei!
Na verdade, na verdade eu vos digo, Dom, você está errado!!!
:o)
Pobrema,
“Sob tortura, qualquer carne se trai.”
Seja o mais fino PHD de Oxford ou o mais pobre sertanejo nordestino.
Ninguém conseguirá que um esfomeado se comporte com boas maneiras.
Não sei porque é tão difícil as pessoas entenderem isso.
O que poderá uma criança de bariga vazia “capitar” de sofisticados ensinamentos?
Realmente o mundo anda cheio de Marias Antonietas.
Boa notícia para o Brancaleone:
Chove no litoral!
Pelo menos uma garoa fina está cobrindo a região que anda atipicamente sêca.
Alvíssaras para as matas! Deve afastar algum incêndio horroroso, suponho.
E , para não ficar só no nordeste, quero registrar a canalha do sudeste também. Minas de Azeredo e Aécio são tão encontradiços aqui como pão (sem ser de queijo, que é coisa de palistano noveau riche, pãzinho mesmo, ou cacetinho no Sur!)! Tem uma cidade que deve ter virado fantasma lá em Minas, porque tá todo mundo aqui: Águas Formosas!
:o)
Tenho que sair para cobrir o rombo, que resta no meu bolso, do meu seguro saúde!
Até pessoal, nem eu me aguento mais!
1 - A ocupação do litoral norte se SP pelas favelas não é localizado. É em toda a baixada santista, aqui e ali em maior ou menor grau.
2 - O que diminuiu, segundo o IBGE foi o ritmo. O problema está lá, basta viajar e ver: Rio, São Paulo, Campinas, Baixada Santista, interior de SP, Curitiba, Brasília, BH, Florianópolis (pasmem), brevemente POA e, claro, as capitais do nordeste. Em todos esses lugares, até nos que não sabiam o que é isso, hoje existe pelo menos uma favela.
3 - O crime mais cruel resultante dessas ocupações predatórias é contra o meio ambiente, notadamente a mata atlântica ou o que resta dela. Como vamos resolver esse passivo sócio-ambiental é que pega. É muito difícil conciliar ocupação com preservação. A solução? a desconcentração populacional, claro. O resto é tese de doutoramento.
Fora as belezezas do Rio…e minha obrigação bairrista para com Sampa…fico com Buenos Aires….muito bela…cosmopolita e que comida!
Oi! (theatrical cue: tímido e envergonhado)
Só para informar aos que conhecem/ou são de Santos:
Aqui falamos “média” em vez de pãozinho!
Tchau (retira a cabeça para dentro das -já fechadas- pesadas cortinas!)
Proftel….conheço Santos como conheço minha Mogi!
Santos é a cidade!
Na região todos os indices são melhores pelos mai de 30 % em relação as suas companheiras como São Vicente, Praia Grande, Cubatão, Bertioga..que está como está por culpa de seus governantes e dos Mogianos!
E Mongagua´!…Santos cresce para cima e é a cidade com mais carros percapita do estado!….e nem tem quase mais favelas…..eu e minha Mogi estamos bem longe dela….e do peixão….tristeza!
Delsio, meu bom,
não costumo a interferir com suas observações ainda q não concordando qse nunca, pq vc, como eu, sempre respeitou o direito à diferença e nunca usa dos “argumentos” de praxe: “idiota”, “analfabeto”, e por aí… :c) .
Mas vou entrar apenas com um dado: as estatísticas tem mostrado que o fluxo migratório interno diminuiu, nos últimos dez anos. São geradas tanto por órgãos do governo qto por institutos privados - estes, em geral, de oposição.
Será q não poderíamos conseiderar - apenas considerar - q alguns dos programas de apoio à agricultura familiar, assentamentos de excedentes rurais, essas “bolsas” todas (q começaram no governo FHC, digamos), não terão contribuído para frear o fluxo? A questão é q não foram suficientes, pq num país cheio de vicissitudes, q há trinta anos passa por um processo de reestruturação no campo sem q o problema do excedente de mão de obra rural seja dimensionado, é lógico q num lugar assim, a “solução” (e na época da ditadura era isso mesmo) seria pôr toda essa gente na estrada, em direção às cidades.
As cidades vão estourar - claro q vão. E nós q ficamos no meio do fogo tendemos, naturalmente, a culpar o coitado do nordestino q chega e está tão no fogo qto nós. Aí não é questão de petralha ou psdboiola. Isso é simplificar. Eu, por exemplo, não consigo pensar o q poderia ser feito…
Parace q o compadre Pobrema tem certo ressentimento contra o pessoal q cursa doutoramento.
Concordo - e todo mundo haverá de - q a solução é a “desconcetração populacional”. Mas isso, mais do q “tese de doutorado”, é constatar o óbvio. Visto q as pessoas precisam sobreviver, e o país tem vastos campos abertos e poucas políticas públicas, só por curiosidade, compadre: vc reuniria os candidatos a serem “desconcentrados” à ponta de baioneta e os enfiaria em trens de gado para q fossem para os vazios? Bem, gostaria de lembrar-lhe o seguinte: seria complicado, pois a Constituição assegura como cláusula pétrea, o direito do sujeito permanecer onde quiser e não existem estradas de ferro prá lá…
HRP Mané Reloaded e bitt:
Olha, nasci em São Vicente no Hospital São José, saí da Baixada Santista há dez anos.
O crescimento é brutal, não sei de onde vem tanta gente, a violência explodiu proporcionalmente ao aumento da população.
Santos cresce pra cima na Ilha, a parte continental está favelizando a olhos vistos.
Comparem levantamentos aerofotogramétricos da década de 60/70 com imagens de satélite de hoje, vão cair duros.
Vocês sabem que “estatísticas de fluxo migratório” servem para dar uma visão geral, o caso específico da Baixada foge à regra.
Dom Casmurro, quando o prefeito comunista de Veneza proibiu a entrada de mochileiros, me dei conta ( e lá se vão anos) que a realidade é reacionária.
Rio de Janeiro pobre? Mas e os tão alardeados royalties do petróleo? Tem alguma coisa errada aí.
Oba, outro bom livro de história! E com amostra grátis. Vou utilizá-la assim que puder. Quero ver como vai apresentar Estácio de Sá, Duguay-Trouain, Araribóia, o governador que pagou pros franceses irem embora…
É engraçado, isso. Pra mim, que cresci em São Paulo, ir pra o Rio significava ver um lugar em que havia algum sentido urbano, o asfalto era menos detonado, os ônibus faziam menos zigue-zague, havia algum controle, mesmo se não muito, sobre o que se construía, as ruas eram arborizadas e havia calçadas, ou seja, havia pedestres, coisa que sempre quis, mas nunca consegui ser em São Paulo, onde fazer qualquer coisa a pé corresponde a torcer o pé ou ralar o joelho. São Paulo, pra mim, sempre foi o maior símbolo de como as pessoas são capazes de esculhambar o lugar onde vivem e ainda achar ótimo. Higienópolis era a maior vitrine de como desrespeitar a beleza que um dia já se construiu. No fundo, no fundo, parece que tudo é uma questão de perspectiva. Mas continuo não querendo jamais voltar a São Paulo, não sei como consegui viver tanto tempo lá.
toda vez que vou a SP, capital, volto doente.
Belo texto, PD!
Tanto o do post, como o do primeiro capítulo. O nobre companheiro josef mario realmente fez o melhor comentário a respeito.
Um beijinho, companheiro! :)
Prefiro SP do que o Rio.
Companheira alba
Eu, josef mario, devo dizer que a companheira, como sempre, sabe o que diz. Fico contente que a companheira compartilhe da mesma opinião da minha humilde pessoa quanto as inegáveis qualidades intelectuais do companheiro pedro doria e que, infelizmente, se contrapõem a sua conhecida desonestidade intelectual.
Muito obrigado.
O fato de que no Rio de Janeiro as favelas estão localizadas próximas dos bairros ricos ou classe-média permite maior acompanhamento e divulgação da ação da polícia, principalmente quando essa ação entra pelo lado da barbárie.
Os tiros são ouvidos, os corpos ficam expostos próximos aos chamados formadores de opinião.
Em Salvador, a geografia é outra. A partir dos anos 60 passou a receber do paupérrimo interior baiano muito mais gente do que tinha condições de abrigar e ocupar.
Como os bons endereços estavam (e estão) nas mãos daquela meia dúzia que já se chamou Tradicional Família Baiana, os, digamos, imigrantes foram se aboletando em localidades distantes, formando espécies de bantustões.
Tenho um amigo que sacaneia dizendo que descobre o endereço da pessoa pela profissão exercida: se é empregada doméstica, mora em tal lugar; se pedreiro, naquele outro.
Em consequência, a polícia barbariza longe dos olhos e ouvidos da população, que tacitamente apoia esses extermínios sem precisar torcer o nariz, já que o cheiro de pólvora fica longe.
A Bahia, em termos de ações dos grupos de extermínio só perde para São Paulo. MV Bill esteve aqui no ano passado e, depois de muitos contatos com diversas entidades de defesa dos direitos humanos, de promoção social e de combate ao racismo, ficou horrorizado com o que viu e foi informado.
Mas como a classe dominante da Bahia é talvez a mais filha-da-mãe que se tem notícia, Antonio Carlos Magalhães, com aquele jeito de Dorival Caymmi que não deu certo, foi apenas o filho-da-mãe-mor, o coreto bagunço de vez e as favelas (aqui chamadas de invasão) proliferaram e não respeitam mais essa divisão topográfica.
Pois é, com esse marketing de malemolência, hospitalidade e não se apresse-em-fazer-hoje-o-que-pode-deixar-pra-fazer-amanhã, Salvador é mais uma capital a trilhar o roteiro barbárie-decadência, sem passar pelo estágio da civilização.
Pensando bem, o Josef Mário poderia fazer a resenha desse livro….
:-)
Os companheiros perdoem: não são as favelas que me incomodam terrivelmente. Acho que boa parte delas deve sair e o que restar deve ser urbanizado, acho que seu crescimento deve ser estancado mas, enfim, moradia popular é um problema em todo o mundo.
O que me incomoda no Rio e que estou chamando de pobreza é o calçamento, o capeamento das vias, o mobiliário urbano, a sujeira nas ruas… a cidade está maltratada pacas. Quando vc se acostuma com outro lugar do Brasil e reencontra a cidade, o contraste salta aos olhos.
Vai publicar? Foi encomenda de alguma editora?
Pedro Doria, se você visse as obras de recapeamento que o nosso prestimoso prefeito anda fazendo por aqui — algumas ainda no Pan; outras, como a do Rebouças, ainda terminando —, ficaria… decepcionado do mesmo jeito. Ô servicinho mulambento! Vai acabar em menos de 6 meses, pode estar certo disso! E as obras do Rio Cidade? Copacabana, Ipanema e Leblon estão um lixo!
Entendo a sua queixa, caro expatriado. Ver como é, e perceber como poderia ser — com um pouco de vontade política, educação cívica (sim, civismo passa por aí!) —, é desalentador…
O tunel Rebouças teve seu asfalto trocado, a suspensão agradece.
Chest, passo ao menos 5 vezes por semana pelo Rebouças, e acompanhei cada etapa da obra, o que significa ter percebido que é um asfalto de baixa qualidade, que durará muito pouco, e que em seu lugar poderia ter-se usado cimento, que dura muito mais — basta ver a 2a. galeria do túnel, sentido Zona Norte, que não foi recapeada por ser desse material —, e cujo custo não seria tão elevado quanto se pensa — houve notícias, na época do início da obra, dando conta da mínima diferença, menor ainda se se levar em conta a durabilidade. Servicinho porco, idêntico ao trecho da linha vermelha que passa ao lado da favela da Maré, até as entradas para a ilha do Fundão e do Governador.
” Éd Lascar // 24/Setembro/2007 às 11:46
Oi! (theatrical cue: tímido e envergonhado)
Só para informar aos que conhecem/ou são de Santos:
Aqui falamos “média” em vez de pãozinho!
Tchau (retira a cabeça para dentro das -já fechadas- pesadas cortinas!) ”
clap clap clap !
Curioso é o tom dado pelo Ruy Castro, que na Folha de SP de hoje fala tb sobre o Rio, bem mais otimista do que o seu, caro Pedro. O título? “Outra cidade limpa”, a propósito do projeto de lei “a la Kassab”, do vereador Paulo Cerri (DEM), que propõe “… o banimento de outdoors, painéis na lateral de edifícios e placas em marquises, além de regular os letreiros das lojas comerciais pelo tamanho das fachadas…”.
O Ruy Castro termina dizendo:
“A idéia de que uma cidade pertence a todos, mas não a cada um de seus habitantes, já tem milênios na Europa. Aliás, nasceu lá. No Brasil, a maioria dos nossos prefeitos nunca ouviu falar dela. Para eles, o dinheiro produzido por uma licença para instalar um estrupício publicitário é mais importante que a preservação do espaço onde será instalado o dito estrupício.
Os parques, praias, lagoas, praças, calçadões, encostas, trilhas e ciclovias do Rio, além de sua arquitetura, compõem um patrimônio natural e urbano iniciado há 500 anos. Pertence aos cariocas e a todos que se extasiam com ele, não aos agentes da poluição, sejam estes particulares ou administradores.”
Ele anda mais esperançoso, ou então bebendo demais… ;-)
(A íntegra, para assinantes, está em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2409200705.htm)
Lucas: Não é encomenda de editora, não. Sempre fui atrás de editora com os livros já prontos… =)
cimento é caro para caramba.
vou comprar este livro, mas vou verificar antes se tem patrocionio estatal. Se tiver, vou xerocar.
Sinceridade, Bitt?! Eu não tenho como provar com estatísticas de órgão algum o que estou informando vocês. Trata-se de um conhecimento empírico feito in locco,a) sou recepcionista de um P.S. , como você sabe. b0 Os jornais da região são outro termômetro para isto. As favelas estão em toda parte. Crescem amalucadamente sobre mananciais, sobre áreas proibidas , como os manguezais, rios, banhados! São nordestinos, em sua maioria, mas também mineiros ,que estão bem na cola deles, depois vem os capixabas, nortistas, paranaenses, barrigas-verde , centro-oestianos e, por fim RS!
Brigado pelas palavras, mas acho que já não faço jus ao elogio quanto ao equilíbrio ressaltado. O Esquertoba cansou minha paciência ali embaixo!
:o)
Muito obrigado, Confetti, muito obrigado!
Como se dobrar …..para elogios, cambada maliciosa, para elogios com emoticons?!!
Ahahahha…
Abração!
Éd Lascar:
Da uma olhada no que escrevi aí em cima, nº45.
:-)
É! De acordo,Proftel!
Bate com minhas idéias difusas, mas baseadas na realidade. Sou santista e jamais deixei por mais de 15 dias a região.
Talvez algumas semanas(não consecutivas) na Riviera em Sampa. Uns 15 dias no Rio e quatro dias na zona do fundo do Vale do Paraíba, o que recomendo esta última para quem quer sossego. A região das “Cidades Mortas” de Monteiro Lobato.
Abração!
Tem chegado aqui em Bertioga um ou dois irlandeses por ano, creio. Encantados pela espôsa/irmã de algum nativo que migrou para lá!
:o)
Conheço um que vive no PS. É asmático. Mr. Burton! Legal o véinho!
As megalópoles nunca encheram meus olhos. Prefiro cidades de médio porte, com, no máximo, 500.000 habitantes. Maior qualidade de vida, serviços razoáveis (não espera nada 24h), contato com a natureza, moradia e comida barata e de qualidade.
Mas tive que morar no Rio por 5 anos e me apavorei com o desleixo, a desigualdade latente e a violência da cidade. O Pedro tem toda razão ao criticar o mobiliário urbano. Já fui a inúmeras metrópoles e constatei que o Rio é uma das mais mal cuidadas - simplesmente não dá para andar de carro na Zona Sul! O asfalto parace um tobogã.
Na época que trabalhava no PE da Serra do Mar Núcleo Cubatão, desmontamos vários barracos com ordem judicial, área de manancial, área de risco-deslizamento - Pinhal do Miranda e área de risco-produtos químicos - margem direita do rio Cubatão (”subindo” o rio Cubatão, lado esquerdo, depois do(s) viaduto(s) da Imigrantes)
A última vez que passei na região em julho, estava tudo ocupado de novo.
Áreas de mangue não são respeitadas, os bairros cota estão aumentando absurdamente.
Uma calamidade vai ocorrer por lá, é questão de tempo, infelizmente.
Sou ignorante em vários temas, inclusive nesse sobre o Rio de Janeiro, apesar de aqui ter nascido e morado a vida inteira.
Vejo os problemas do Rio de Janeiro semelhantes aos problemas do Brasil.
Os politicos astutamente conseguem os votos dos analfabetos que não pagam impostos, para governar com o dinheiro dos que pagam.
Eles se elegem com os votos comprados com chaveirinhos, cadernos, bonés e dentaduras e governam com os impostos pagos pelos que não votaram neles.
E ainda ficam falando que quem paga imposto é elite.
Não vejo nenhuma solução pra isso, pois quem governa precisa manter os pobres satisfeitos para garantir o seu manancial de votos. Por isso as favelas nunca serão removidas, inibidas ou desestimuladas.
Se os problemas de uma metrópole se resumissem a asfalto ruim e mobiliário urbano depredado, seria fácil resolvê-los. No entanto todas as chagas das grandes cidades brasileiras decorrem de um só: a superpopulação. Ah, mas isso é o óbvio ululante, como alguém disse acima. Claro! Talvez por isso mesmo os estudiosos tenham mêdo de dizê-lo… Que a migração do campo para as cidades é um fato e que neste ano de 2007, segundo dados da ONU, deu-se o momento histórico em que a população urbana superou a do campo, tudo isso é por demais conhecido.
Inquietante é o imobilismo que segue-se a essas notícias, como se o fenômeno da migração fosse uma frente fria vinda da Argentina e tudo que podemos fazer é pegar o cobertor. Como diz um amigo ‘o governo não age, o governo reage’, só depois de sofrermos com racionamento de água nos daremos conta que é humanamente impossível prover qualidade de vida para esses aglomerados humanos, cuja população ultrapassa a de alguns países. Não há recursos que atendam a essa demanda explosiva. Por vários motivos, entre os quais a eterna corrupção.
Não se trata de enfiar os imigrantes em um trem e despachá-los pro interior sob as ordens da baioneta mas a chegada dos refugiados palestinos chamou-nos a atenção pelo cuidado como está sendo implementada. Por que o governo brasileiro não tem o mesmo zêlo com a migração interna, dando orientação, ajuda de custo, bolsa-família, renda mínima e tudo o mais, desde que as famílias sejam assentadas em outros lugares, longe das grandes cidades onde simplesmente não cabe mais de tanta gente? Não há na constituição qualquer artigo que o proiba. Caso contrário os assentamentos do Incra seriam inconstitucionais.
E aí pobrema? Suavizou o discurso nazi-facista-anti-nordestino? Quem sabe estas a procura de apoio a suas teses facistóides… Agora é a favela, já não importa quem mora dentro do barraco, se é mineiro, paulista ou pernambucano o importante agora é se livrar deles. Mas a parte que mais gostei da suas observações foi sobre bons carros e motos na periferia, foi ótimo, tudo de bandido e traficante não é mesmo? Então eu que moro na periferia e com certeza tenho um bom carro e moto, virei traficante? Não existe a mínima possibilidade de eu preferir morar em uma casa de gente, a um apertamento de merda perto de gente como você, para poder mostrar que sou de classe media? Vai trabalhar babaca, em vez de ficar procurando culpados para suas deficiências e julgando quem você não conhece…
Pedro
Acho que vc nem lê estes comentários, porque este espaço faz tempo que virou chat de energúmenos desocupados. Mas se vosmiçê ainda o lê, receba meus sinceros parabéns pelo excerto do mui promissor opúsculo. Viu só como o teu texto estava bom? Despertou vinha verve quinhentista :-)
Só uma correção, Pedro Dória. No estado do Rio, em Campos, sempre houve tradição de plantio de cana de açúcar. Tradição essa que parou de ser cultivada naquela região há menos de 20 anos.
Resista aos sofismas, PD. Atenha-se aos fatos históricos.