20 de setembro, dia nacional gaúcho
– Acho que esta noite vou dormir na cama do velho Ricardo. – Sorriu. – Mas sem a mulher dele, naturalmente… E amanhã de manhã quero mandar um próprio levar ao chefe a notícia de que Santa Fé é nossa. A Província toda está nas nossas mãos. Desta vez os legalistas se borraram! Até logo, padre.
Apertaram–se as mãos.
– Tome cuidado, capitão. Vosmecê se arrisca demais.
– Ainda não fabricaram a bala que há de me matar! – gritou Rodrigo, dando de rédea.
– A gente nunca sabe – retrucou o padre.
– E é melhor que não saiba, não é?
– Deus guie vosmecê!
– Amém! – replicou Rodrigo, por puro hábito, pois aprendera a responder assim desde menino.
O padre viu o capitão dirigir–se para o ponto onde um grupo de seus soldados o esperava. A noite estava calma. Galos de quando em quando cantavam nos terreiros. Os galos não sabem de nada – refletiu o padre. Sempre achara triste e agourento o canto dos galos. Era qualquer coisa que o lembrava da morte. Voltou para casa, fechou a porta, deitou–se na cama com o breviário na mão, mas não pôde orar. Ficou de ouvido atento, tomado duma curiosa espécie de medo. Não era medo de ser atingido por uma bala perdida. Não era medo de morrer. Não era nem medo de sofrer na carne algum ferimento. Era medo do que estava para vir, medo de ver os outros sofrerem. No fim de contas – se esmiuçasse bem – o que ele tinha mesmo era medo de viver, não de morrer.
Hoje, os gaúchos celebram sua derrota na Revolução Farroupilha. Ela teve início com a prisão do governador e de seus homens, no 20 de setembro de 1835, pelos rebelados.
O trecho acima é do primeiro dos três volumes de O Tempo e o Vento, romance de Érico Veríssimo que reconta a história do Rio Grande ao longo de gerações. O capitão Rodrigo fez-se conhecido pelo país na competente interpretação de Tarcisio Meira, na minissérie da Globo:
No site do governo gaúcho estão trechos lidos pelo próprio Veríssimo, pai de Luis Fernando. No blog Ainda a mosca azul, Zealfredo tem escrito nestes dias que antecederam o 20 de setembro sobre por que o Rio Grande é diferente, com boas pitadas de história.
Buenas, cá me espalho, que este carioca é neto de maragato: aos prezados leitores gaúchos, ergo uma caña pelo Rio Grande.
Ainda sobre o assunto:
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Báh, não te fresqueia guri que tu parce mais bolacha em boca de velho, cada hora num lado.
“Buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho”. capitão Rodrigo Cambará - Érico Veríssimo.
“Sirvam nossas façanhas
de modelo a toda terra”
Macanudo este post, PD!
Pax, velho, não tem jeito que brasileiro é assim: vira-lata.
Meu, vou dar um tempo em vir aqui. A coisa está pornográfica demais da conta!!!
Ahahah..
Li toda a obra de Erico Verissimo…e ele era bem tranquilo com essa coisa de bairrismo…que em doses certas é legal…mas as vezes em certos comentários ufanistas pega mal….”Buenas e me espalho! Nos pobres dou de ripa, nos ricos dou de talho!”
Que homem adorável era o autor de Clarissa!
Versão mais dócil das frases boquirrotas do Capitão….mas na verdade a certa é a do PAX!
Perdeste de conhecer a Mariana Veríssimo, que mora pertinho de ti, naquele furo de carioca vira-latas. Bem feito. A moça, seguindo os passos do avô e do pai, escreve pacas além de ser de uma simpatia de fazer cusco chorar, à altura da moça do moço. Tem jeito não PD, tô mais cheio que que guaiaca de estancieiro rico hoje. Melhor não provocar, guri.
Parabéns,
Como disse o colega acima, post macanudo!
Lembrando do livro, Ô “mundo velho sem porteiras”!
Não custa repetir a exaustão
http://www.youtube.com/watch?v=GhFmwghVP0I&mode=related&search=
Hoje meu peixe , o mais glorioso de todos os times do Brasil, vai a Porto Alegre mostrar quem é que manda nessa terra!
Lembrem-se farroupilhas a vingança foi terrível……e não adiantou Garibaldi nem nada!
Achei o velho e bom Chesterton, se espalhando em NY. Báh, da gosto vê o piá na lida…
http://www.youtube.com/watch?v=1l52zmemgmQ
E não é que achei o Chesterton de novo, esse Chesterton me causa tantas surpresas… báh. Essa aqui, é proibida pra menores. A outra face do gauchismo. Parle vous le francais?
http://www.youtube.com/watch?v=iclBBB7gs5g&mode=related&search=
Quando eu li “O Tempo e o Vento” fiquei pensando que aquele pedaço de terra é diferente demais do Brasil. Podia até chamar “Uruguai do Norte”…
Tocante o pesar do cabra com a tragédia ovina. Caso fosse consultado, o Analista de Bagé recorreria ao seu arrazoado “Amar, verbo intransitivo que se aprende barranqueando cabras, ovelhas e vaquinhas”.
Quanto restou daquele ímpeto autonomista, bastante forte a ponto de celebrar sua data máxima um dia de derrota?
Manifestações oportunistas e fascistas não valem.
quando eu era pequeno, a fama de reduto gay se dividia entre pelotas e campinas. Hoje em dia, parece que campinas já se livrou da pecha, mas a de pelotas, ao contrário, atingiu todo o estado do Rio Grande e os gaúchos em geral.
Quando se deu esta mudança? alguém sabe de alguma razão ou foi só bairrismo?
Parabéns a todos os gaúchos e prendas e, já que começou com uma citação literária, coloco outra aqui, também do velho Érico Veríssimo, só que do menos conhecido romance “Um certo Capitão Gay”:
“Um gaúcho muito macho entrou no bar e foi logo chutando a porta, derrubando outro gaúcho macho. Assustado perguntou:
- Baahhh tche… Doeu compadre?
Caído no chão, o outro respondeu:
- Não compadre, DOU EU que já estou deitado.”
Brincadeira, tchê!
Báh, viva o Rio Grande. Viva a parentada! e Agradecida pelo Capitão Rodrigo!! Como era bom aquilo. Ainda me arrepia só de ouvir a música….
Companheiro radical livre
Eu, josef mario, devo dizer ao companheiro que esta tendencia dos companheiros gauchos jogarem pedra com a mão esquerda (enquanto destros), ou vice-versa, tem razões historicas. Como todos sabem, os companheiros gauchos são descendentes da tribo indigena akidauanos.
Merci beaucoup.
Eis que me acho
Loco de sede e borracho
Bejando boca de china
E aparando guampa de macho…
Na verdade quem inventa piada de gaucho é o portoalegrense. Gauchão pilchado na rodoviária com cara de espertinho tá pedindo para sofrer….
Tarcisio Meira eh simplesmente fantastico!
O presidente Lula receberá nesta quarta, em Manaus, o semiditador venezuelano Hugo Chávez, em uma visita de agenda indefinida. Ambos certamente vão conversar sobre a intermediação de Chávez junto aos narcoguerrilheiros das Farc, para a libertação de colombianos seqüestrados. Há suspeitas de que os presioneiros são mantidos em bases dos narcoguerrilheiros em território venezuelano, sob as bênçãos de Chávez, assim como há denúncias de seguidas invasões do espaço aéreo brasileiros por aviões da força aérea da Venezuela. Mas é preciso ter paciência com o coronel Chávez: em 2006, as exportações brasileiras para a Venezuela superaram US$ 3,5 bilhões, sete vezes mais que em 2003. Em 2007, podem chegar a US$ 5 bilhões. O presidente do Equador, Rafael Correa, também participará do encontro em Manaus.
Chest- que barbaridade, tchê.
“se for preciso eu volto a ser caudilho, por essa pampa que ficou pra tras, porque eu nao quero deixar pro meu filho, a pampa pobre que herdei de meus pais”
o sul nao eh pra fracos…bah, mas que lugar sensacional!
Quem leu Erico Verissimo (o filho é uma besta) e gostou, talvez goste de Josué Guimarães, A Ferro e Fogo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Josu%C3%A9_Guimar%C3%A3es
dizki o gauchão pilchado estava na praia do Pepino , vendos as asas-”belgas” voadeiras, quando uma se aproximou, ele sem pensar puxou da cartucheira e descarregou :
- o que é isso gaucho?
- mais bá, o que é eu não sei, mas largou o homezinho….
Às vezes Tarcísio Meira funciona em um papel, mas isto lhe alheio à sua própria interpetração. Simpático ele é!
:o) Tô parecendo o Yoda!
Bem, os gaúchos , via de regra, são lindinhos!
Ahahah….
Ooops.
” ..,mas isto É alheio à sua própria interpretação.”
Mas bah, tchê! Tão despachando palestinos pro Rio Grande do Sul! Esse negócio de separatismo agora sim pega fogo, com gaúcho-bomba e tudo mais! VEJAM:
AMMAN, Jordan, September 20 (UNHCR) – Thirty-five elated Palestinians boarded a plane at Amman’s international airport on Thursday and flew off to a new life in Brazil after years of hardship in an isolated desert camp in Jordan.
A departure ceremony earlier in the day from Ruweished Refugee Camp, located about 70 kilometres from Iraq, was marked with tears, smiles and dancing as the refugees bade farewell to other Palestinians who had also fled spiralling violence in Iraq four years ago and found refuge in the camp. They will be followed over the next few weeks by another 70 Palestinian refugees from Ruweished.
They will be settled in the southern state of Rio Grande do Sul state. The Palestinians will receive rented accommodation, furniture and material assistance. Employment profiles are being analysed to ensure job opportunities for all, while Portuguese classes will be given.
Radical livre, essa mudança ocorreu à medida que gente como você foi descobrindo que o seu pai verdadeiro é um desses gaúchos caminhoneiros que viajam pelo Brasil todo. Aí vocês ficaram recalcados e começaram a difamar a gauchada.
Parabéns para o teu pai também, pelo dia de hoje.
Pelotas foi riquíssima, tinha fábricas e industrias de todos os tipos. Até fábrica de material bélico. Os mais abastados mandavam seus filhos estudar em Paris. Aí já viu, na volta era aquela zorra.
Meus primos se vestiam de mulher no carnaval de pelotas e tiravam a maior onda de viados, tão escrachados que eram populares.
Quem se esquece o que o nosso Apedeuta Mor falou sobre os gaúchos…
http://br.youtube.com/watch?v=7UFwcdcJXNQ
E o figueiredo, gaucho é gigolô de vacas….
Lula abusa da ignorância. Talvez estivesse de porre mas a grosseria é imperdoável. Já o Ascenso Ferreira sabia pilheriar com elegância.
GAÚCHO
Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das coxilhas!
Saí de meus pagos em louca arrancada!
— Pra quê?
— Pra nada!
Ascenso Ferreira
well….eu já comi uma gaúcha.
Gostei muito.
Ainda bem que ninguém gozou!
Claro que é interpretação!
:o)
Nem “1″ piadinha infame sobre Pelotas?!
anrafel, é, foi triste o fim da ovelha do velho e bom Chesterton.
que ovelha?
Chesterton-Dracul- El Cid, a piada é levemente diferente:
– Gaúcho, você acertou na asa!
–Buenas, se pegou na asa não vi, mas que aquele baita bicho largou o guri, isso largou!
Estranho isso de comemorar revoluções perdidas… Farrapos, Revolução de 32…
Zé Bush, sinto muito te dizer, mas foi a gaúcha que te comeu…
as gauchas realmente comem…..mas ainda bem que perdemos a guerra dos |Farrapos, certamente em caso de vitória seríamos tão intragáveis quanto os argentinos….
Quem discute muito bem essa questão do ‘gauchismo’ é o Vitor Ramil (irmão do Kleiton e do Kledir), com a idéia de “estética do frio”. O Rio Grande do Sul é diferente do resto do Brasil por ser frio, e não sabe como se apresentar, então acaba se vestindo do estereótipo que o Brasil faz dele - o gaúcho de bombacha e espora na cidade… É uma tentativa de se afirmar como brasileiro sem perder sua tradição. Mas fica caricata, é claro. Vitor Ramil acredita que é possível criar uma nova forma de ser gaúcho, entendendo a região não como periferia do Brasil, mas como o centro de outra história, a sua própria, muito ligada à do centro do Brasil e também ao Rio da Prata. Muito interessante…
Chesterton, velho e bom, veja o comentário 12, o filme do YouTube que achei das tuas façanhas na França.
O que as gaúchas fazem depois de comer um estrangeiro…
http://www.youtube.com/watch?v=A_t0DSxa-XU
Este negócio de gauchismo é coisa de viado. Geralmente os mais burrisos tb adotam. Tem inclusive concurso de quem dança pior.
Já fui num desses concursos pra ver quem dança pior. A única coisa que prestava era o churrasco, no que dei sorte, porque gaúcho não entende nada disso.
Caray Kct, agora tu pegaste pesado.
Vou te contar os melhores: são as festas de batizados, noivados e quetais lá nos rincões. Matam-se bois e ovelhas, o braseiro é feito no chão, os espetos são tirados do mato e fincados ao largo desses braseiros, cada um tem sua faca e vai lonqueando durante o dia todo.
Dizer que gaúcho não entende de churrasco, bem, é coisa de quem quer peleia. Pode até chamar de viado, mas aí é ofender demais. (:…:)
O Rio Grande foi o lugar o onde a América portuguesa definiu sua identidade. De 1500 a 1970 a principal área de conflito potencial era a fronteira com o que hoje é a Argentina e o Uruguai. Até 1970, 80% das guarnições militares ficava no Rio Grande do Sul. 90% das tropas que lutaram na Guerra do Paraguai eram formadas por gaúchos ou por regimentos baseados no Rio Grande do Sul. Dos presidentes militares, quatro eram gaúchos: Hermes da Fonseca, Costa e Silva, Médici e Geisel. Os demais se graduaram na Escola Militar de Porto Alegre, que durante décadas foi a Academia Militar, quando a Escola Militar do Realengo foi fechada depois dos 18 do Forte.
Pax,
meu sogro é gaúcho e faz o pior churrasco do Rio de Janeiro. um horror!
mas ele gosta, então deve ser um problema de sotaque.
Lembram daquela final de futebol nas Olimpíadas entre Nigéria e Argentina? No bar, todos nós, baianos, torcendo para a Nigéria. Raízes africanas, antipatia pelos argentinos, essas coisas. Todos, não, apareceu um torcendo pelos hermanos - um gaúcho. Esse cidadão gosta tanto da Bahia que se diz baiúcho. Mas o pampa falou mais alto.
Isso dá sociologia?
Radical Livre: troque de sogro.
Caro Pedro Dória,
Como gaúcho que tb sou, queria agradecer a tua postagem sobre o Rio Grande do Sul.
Ao mesmo tempo, para provocar o senso comum, gostaria de oferecer 2 links sobre a história do Rio Grande, que achei interessantes.
Saudacöes,
http://diariogauche.blogspot.com/2007/09/por-que-o-rio-grande-do-sul-assim-se.html#links
http://diariogauche.blogspot.com/2007/09/bombachizao-unidimensional-do-rio.html#links
[...] coisas interessantes, como o blog do jornalista Pedro Doria, que chama o 20 de setembro de Dia Nacional Gaúcho, colocando um trecho do clássico O Tempo e o Vento do escritor gaúcho Érico [...]
HUUMMMMM… sei não…
Esse negócio de dia de minorias…
Daqui a pouco vão comemorar com passeatas espalhafatosas o orgulho disso ou daquilo….
Que pena que o filho desse gênio,um escritor com bastante talento até, tenha se deixado anular pela ideologia e tenha se transformado num completo bestalhão…
Caro Pedro,
Muito obrigado pela citação. Creio que meus “hits” devam subir um bocado depois dela.
Mas crédito a quem de direito. Os vários textos sobre o porquê do Rio Grande ser assim (parece que nós, gaúchos, nem sabemos da existência do Rio Grande do Norte!) são de autoria de outro blogueiro gaúcho, o Cristóvão Feil, que publica o Diário Gauche. Eu achei os textos tão bons que mereciam ampla divulgação.
Com relação à Revolução Farroupilha, eu como portoalegrense, e brasileiro que me sinto, sempre coloco no dia 20 de setembro em meu blog o brasão de Porto Alegre, que recebeu do império o título de “Leal e Valerosa”, justamente por ter se mantido praticamente o tempo todo fiel ao Império Brasileiro.
[]