20 de setembro, dia nacional gaúcho

Brasil · História · 20/09/2007 - 13h23 - 59 Comentários

– Acho que esta noite vou dormir na cama do velho Ricardo. – Sorriu. – Mas sem a mulher dele, naturalmente… E amanhã de manhã quero mandar um próprio levar ao chefe a notícia de que Santa Fé é nossa. A Província toda está nas nossas mãos. Desta vez os legalistas se borraram! Até logo, padre.

Apertaram–se as mãos.

– Tome cuidado, capitão. Vosmecê se arrisca demais.

– Ainda não fabricaram a bala que há de me matar! – gritou Rodrigo, dando de rédea.

– A gente nunca sabe – retrucou o padre.

– E é melhor que não saiba, não é?

– Deus guie vosmecê!

– Amém! – replicou Rodrigo, por puro hábito, pois aprendera a responder assim desde menino.

O padre viu o capitão dirigir–se para o ponto onde um grupo de seus soldados o esperava. A noite estava calma. Galos de quando em quando cantavam nos terreiros. Os galos não sabem de nada – refletiu o padre. Sempre achara triste e agourento o canto dos galos. Era qualquer coisa que o lembrava da morte. Voltou para casa, fechou a porta, deitou–se na cama com o breviário na mão, mas não pôde orar. Ficou de ouvido atento, tomado duma curiosa espécie de medo. Não era medo de ser atingido por uma bala perdida. Não era medo de morrer. Não era nem medo de sofrer na carne algum ferimento. Era medo do que estava para vir, medo de ver os outros sofrerem. No fim de contas – se esmiuçasse bem – o que ele tinha mesmo era medo de viver, não de morrer.

Hoje, os gaúchos celebram sua derrota na Revolução Farroupilha. Ela teve início com a prisão do governador e de seus homens, no 20 de setembro de 1835, pelos rebelados.

O trecho acima é do primeiro dos três volumes de O Tempo e o Vento, romance de Érico Veríssimo que reconta a história do Rio Grande ao longo de gerações. O capitão Rodrigo fez-se conhecido pelo país na competente interpretação de Tarcisio Meira, na minissérie da Globo:

No site do governo gaúcho estão trechos lidos pelo próprio Veríssimo, pai de Luis Fernando. No blog Ainda a mosca azul, Zealfredo tem escrito nestes dias que antecederam o 20 de setembro sobre por que o Rio Grande é diferente, com boas pitadas de história.

Buenas, cá me espalho, que este carioca é neto de maragato: aos prezados leitores gaúchos, ergo uma caña pelo Rio Grande.

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