O papagaio inteligente Alex e nós

Biologia · Ciências · Gente · 18/09/2007 - 00h01 - 43 Comentários

Alex, o papagaio cinza africano que morreu na semana passada, ainda é uma incógnita científica. Parecia inteligente. Sabia contar, reconhecia os algarismos de 1 a 9. Apresentasse a ele continhas: duas verdes, três azuis, quatro vermelhas e o perguntasse em inglês que cor menor, Alex responderia Verde.

Pareceu reconhecer duplas de letras que formavam determinados fonemas. Certa vez, ao não ser premiado após responder uma pergunta, respondeu à segunda e reclamou: Quero noz.

Ganhou sua noz.

Doutras vezes, irritava-se, não respondia. Em um dos últimos testes que sua treinadora fez, ela perguntou qual era a cor do 3 para Alex. Havia três contas verdes. Quatro vermelhas. Outros tantos conjuntos doutras cores. Cinco, dizia Alex. A treinadora insistiu na pergunta. Cinco, ele respondia, sem fazer sentido. Não havia cinco contas de cor alguma. que cor cinco a moça decidiu perguntar intrigada.

None, disse Alex. Nenhum.

Teria compreendido o significado de zero? É um conceito ali do lado do infinito, sofisticado, complexo. Que é saber, afinal? E que é conhecer? Compreender? Uma das coisas que, compreendidas, nos faz humanos é esta abstração de entender o nada. A ausência.

Em seu simpático obituário de Alex, no New York Times, George Johnson, repórter especial de ciências, pondera a respeito do que Alex entendia de fato, aos 31 anos, à beira da morte. Será que ele entendia o zero, será que naquele pássaro havia uma mente ativa – será que compreendia a ausência de sua morte iminente?

Há uma pergunta mais profunda, aí: não sabemos de fato o quão distantes estamos das outras espécies. Não sabemos com absoluta certeza se a metafísica nos faz únicos.

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