Al-Qaeda livre no Paquistão, terrorismo na Europa

EUA · Europa · Judaísmo · Oriente Médio · Terror · Ásia Central · 16/09/2007 - 08h51 - 55 Comentários

Saiu no Estadão, hoje, uma entrevista minha com Lorenzo Vidino. Ele é um italiano de Milão que estuda a atuação da al-Qaeda, em particular, na Europa. Vidino é jovem, mas do tipo de especialista que o Congresso Americano convoca para conhecer sua opinião e se informar sobre os rumos da organização de bin Laden. A conversa há de interessar alguns dos prezados. Dois trechos:

Como definir a al-Qaeda?

Ela é tanto uma organização quanto um movimento extremamente bem-sucedido. A organização viveu uma crise que começou a se resolver há poucos meses. Desde o 11 de Setembro, sofreu intensa pressão, perdeu espaço para se movimentar no Afeganistão, seus líderes tiveram de se esconder e o contato com o mundo exterior ficou muito limitado. Mas, há um ano e pouco, o governo paquistanês fechou um acordo com os chefes tribais do Waziristão, trecho noroeste do país, e tirou de lá praticamente todo o Exército. Aquele pedaço do Paquistão ficou quase tão livre para a al-Qaeda se mover quanto era o Afeganistão do regime Talibã (sobre o Waziristão, veja artigo ao lado). Isto quer dizer que os militantes podem se reorganizar com calma. Já estão enviando agentes pelo mundo para retomar a comunicação com os diversos braços da estrutura e com grupos simpatizantes. [...]

O que leva um jovem muçulmano europeu à violência?

Em muitos casos é porque o radicalismo islâmico virou uma contracultura bacana de forma parecida com o que era o comunismo, nos anos 70. Outro ponto é que as mesquitas européias são mais radicais que as do Oriente Médio e Norte da África. Muitos migrantes vêm de ambientes liberais em seus países e descobrem o radicalismo islâmico na Europa. Os radicais não teriam tanta liberdade para se pronunciar no mundo muçulmano quanto têm em Londres ou Paris. Há outros pontos. Alguns imigrantes não costumam dar educação religiosa a seus filhos, então eles vão aprender a cultura de seus pais nessas mesquitas. E há casos em que o radicalismo é uma rebelião contra os pais. É comum que famílias tenham uma visão muito tradicionalista que inclui casamentos arranjados, por exemplo. Alguns rapazes então vão para a mesquita e ouvem que isso não é o Islã de verdade e se rebelam, radicalizando-se. O grupo que assassinou na Holanda o cineasta Theo van Gogh era inicialmente uma gangue de rua, laica. Então, no fim da adolescência, um dos membros se fez religioso e outros o seguiram. No fim das contas, eles sempre foram isso, uma gangue. Há várias histórias, cada uma com seus detalhes, e muitos motivos que levam esses rapazes à violência.

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