Tropa de Elite, pirataria e quem financia o tráfico
Tropa de Elite, o filme que quase todo carioca já viu embora não tenha estreado, levanta duas questões interessantes e distintas.
A primeira é a respeito de ‘pirataria’. A palavra vai entre aspas por um motivo. É pirataria do ponto de vista legal, certamente. E o crime de revenda deste material é indiscutivelmente grave. Mas há um porém: no mundo da digitalização, o vazamento de filmes e CDs será cada vez mais comum. É inevitável – mas este é o assunto da coluna no Estadão, hoje.
A segunda questão é a própria mensagem do filme. Tropa de Elite é bom – nada a ver com Cidade de Deus e, no entanto, um filmaço que conta uma história com a qual cariocas estão habituados de um ponto de vista novo: o da polícia. Mais especificamente, do BOPE, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, incorruptível e violento.
O BOPE ficou conhecido pela população carioca quando apareceu na desastrada operação em torno do seqüestro do ônibus 174, há uns seis anos. Um dos roteiristas do filme, o ex-capitão do batalhão Rodrigo Pimentel, foi personagem do (excelente) documentário Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles e, logo que deixou a polícia, de uma reportagem no falecido NO., assinada por Jan Theophilo. Desde então, Pimentel revela os bastidores da polícia. (O link para a reportagem não existe, mas cá está um artigo no qual Luiz Eduardo Soares, ex-secretário de Segurança, o comenta.)
Em Tropa de Elite há uma acusação explícita que a classe média carioca, principalmente os jovens universitários – e fui um destes um dia –, não gosta de ouvir. Eles financiam o tráfico. Numa das cenas, o BOPE invade uma favela, troca tiros com traficantes, um dos presos é um destes estudantes. Apontando para um dos mortos, o personagem de Wagner Moura – a cara, o jeito do capitão Rodrigo por inteiro – lhe pergunta “quem matou esse aqui?” É uma cena violenta, o rapaz está apavorado: ‘um de vocês’, ele responde. “Foi você”, retruca o capitão.
O cocainômano tem um quê de cínico. Já o bom maconheiro, sujeito de paz, imerso numa cultura própria e criativa, terá muitos argumentos. É o Estado é que oprime ao proibir-lhe o consumo da erva. E ele terá total razão: o Estado cerceia sua liberdade de consumir uma planta que faz parte da cultura humana há tantos milênios, talvez, quanto existimos como espécie. A guerra contra as drogas, além do mais, é má política. Não funciona.
Acontece que são a política e a lei vigentes. E polícia não tem que discutir lei, tem que fazê-la cumprir.
Há tráfico e o tráfico é violento. O tráfico oprime a população das favelas. Mas o tráfico não brota do nada, diz a visão da polícia retratada pelo filme. É o dinheiro do maconheiro gente boa, da paz, que financia as armas e as balas e os estupros e o medo das favelas. O Estado não devia oprimir mas fingir que não se faz parte da equação que gera violência é um exercício de abstração.
Noutra cena do filme, numa sala de aula da PUC-Rio, os jovens estudantes reclamam da brutalidade policial. Toda ela é verdadeira e o filme não a esconde. Reclamam da brutalidade contra os pobres, nas favelas, e, nas blitze, contra a jovem classe média. Enfrentei algumas blitze barra pesadas quando estudante em férias. São violentas e ameaçadoras e, embora nenhum tiro jamais seja disparado, sempre parecem uma tentativa de achaque. Plantarão algo, se é que não encontram o flagrante, e vão cobrar caro para deixar para lá.
Mas a polícia é o inimigo? A violência piorou um bocado nos últimos anos e a incompetência (para dizer o mínimo) do governo dos Garotinho contribuiu.
Não é uma situação de solução fácil. O filme lembra à classe média que ela não é inocente. Mas a classe média não é a única a consumir substâncias ilícitas. Também os há consumidores, corruptores, corrompidos dentre aquilo que nos EUA chamam de powers that be: na estrutura dos três poderes da República, nos três níveis de governo da Federação, e convém não dizer mais porque, com mais, identificam-se uns poucos e o processo vem.
O filme conta uma história no microcosmo e sua mensagem é o ponto de vista do policial na rua. É um ponto de vista bem-vindo pois raramente ele tem a chance de se apresentar. Para o policial que arrisca sua vida em operações arriscadas para garantir a execução da lei, é o garotão subindo o morro quem mantém o ciclo vicioso.
Só que não é. Um paralelo: na era digital, evitar que um filme destes se espalhe qual vírus, na Internet, é impossível. Pode ser ilegal, mas leis não existem no vácuo, elas regem um ambiente dinâmico que é o da cultura humana. É inerente à existência humana que informação considerada de valor seja espalhada. Se o meio digital facilita ao máximo esta transferência de informação, ela acontecerá. No fim, por ser inútil empregá-la, a lei terminará obsoleta e novos modelos de negócio surgirão para sustentar a produção cultural. Como, aliás, sempre aconteceu.
Da mesma forma, é inerente à condição de ser humano a busca pela transcendência, pela alteração de percepção, pela abertura de sentidos que a intoxicação possibilita. Pode ser o barato do atleta que, no limite do seu esforço, modifica a bioquímica cerebral, produzindo foco extremo numa única atividade e uma sensação nada vaga de prazer. (Quem corre a conhece.) Pode ser o chope, a leve tontura, o livrar-se de inibições. Ou a maconha. Ou a cocaína. LSD. Opiácios.
Não é porque a lei proíbe o consumo de algumas substâncias que alteram a percepção que ela será eficaz. Tais substâncias continuarão a ser consumidas.
O que realmente cria a violência é a lei.
A partir do momento em que o consumidor não prejudica a ninguém além dele próprio – quando isto acontece – não faz sentido proibir algo que é inevitável, ainda mais quando a proibição gera custos altíssimos na construção de um aparelho repressor ineficiente.
Mas não é possível ser cínico e racional em tudo, pôr a culpa na lei e lavar as mãos na seqüência. Cada beque fumado que teve origem na estrutura do tráfico tem um custo em vidas humanas. Fume-o quem quiser – a sensação é agradável. Mas fingir que o sistema em volta não existe é imperdoável, um exercício de alienação ou de cinismo. Se não corta o barato da intoxicação, devia. Não querer fazer parte deste ciclo vicioso é uma atitude de protesto.
Tropa de Elite, que se repita: é um filmaço. Alguns dos prezados devem tê-lo baixado e visto, já. Então fica aqui um convite para quem o fez: estréia este mês, é hora de rever no cinema levando mais alguém. Paga quem o produziu e espalha a discussão. O Brasil carece de discussão, de enfrentar temas difíceis.
Ainda sobre o assunto:
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Sobre as drogas não há mais NADA a ser dito.
Há muito a se fazer.
As drogas sempre existiram, existem e sempre existirão. Se forem ilegais, pior ainda.
O problema da sociedade não são as drogas e nem os usuários. Esses só causam problemas a si mesmos e aos que convivem com eles.
O problema da sociedade são os TRAFICANTES. SÓ OS TRAFICANTES.
Esses “batizam” a droga com pó de mármore, amido, etc, coagem e ameaçam os usuários e mantêm TODA a sociedade refém de sua armas e de suas vendas.
O que fazer? COMPETIR com os traficantes segundo a lei do livre comércio.
Caberia ao ministério da saúde a importação, a comercialização, a distribuição e a venda, da mesma forma como cuida centenas de medicamentos.
Com as drogas sendo vendidas a um preço irrisório nas farmácias do governo mediante receitas azuis, poderia-se ter um controle dos usuários que não mais precisariam roubar ou matar seus familiares para conseguir pagar o traficante.
E ainda se poderia dispor de uma verba para tratar os dependentes que o desejassem.
Claro que um monte de cabrito aqui vai berrar repetindo as ladainhas que estamos cansados de ouvir, que já foram ditas zilhões de vezes e NUNCA resolveram absolutamente nada.
Passariamos a tratar os usuários da mesma forma como tratamos os nossos aidéticos, com respeito, dando a eles todas as possibilidades de tratamento e recuperação.
Se não for isso, daqui a 100 anos, nossos bisnetos ainda vão estar falando a mesma coisa que se fala hoje.
O fumo e o alcool liberados mostram mais ou menos o que seria se legalizássemos as drogas.
Olá Theo
Em 151 comentários só apareceu um projeto viável contra as drogas:
A conversão dos 190 milhões de brasileiros ao islamismo. Que tal?
Apesar de sabermos que o Afeganistão dos talebãs, de Bin Laden, de Alá e Maomé ter se tornado o maior produtor de ópio do planeta. Mas como não é para consumo interno, só para exportação, pode, não ofende as doutrinas do Profeta.
Caro Cláudio Melo, há um ponto em que concordamos. É tolice atribuir culpas ao PT, ao PSDB, à esquerda ou à direita. Isso confunde, ao invés de esclarecer. A maneira de esmagar o tráfico, como está exposta em uma das minhas mensagens (no. 95), é de conhecimento tanto de FHC quanto de Lula. Porque, então, eles não a implementam? Porque estando ambos à serviço da oligarquia financeira que domina este país, tomaram a decisão mais “barata/racional”, a de entregar os miseráveis para o controle do tráfico. Mais ainda, Lula e FHC são de esquerda? Só o absoluto desconhecimento do que é esquerda e direita pode levar alguém a imaginar que eles são de esquerda. O lulismo é uma seita de direita, faz parte da chamada aristocracia operária (aliada ideologicamente da oligarquia financeira). O FHCsismo é um grupo deslumbrado, que se encanta com frases ocas, teses improváveis e por aí vai. O ponto central está na oligarquia que saqueia este país. Esquerda, no Brasil? Onde? PSOL? Rá, rá, rá! O PT hoje é o PSOL amanhã. Exagero? É só lembrar que a freirinha candidata deles à presidência, quando sonhou que teria chances eleitorais, a primeira coisa que fez foi aceitar o apoio do Garotinho (RJ). Precisa de mais exemplos? Repito: “esquerda, no Brasil, onde?”.
Caro Dino, você critica minha afirmativa, baseada em comportamentos de mercado, de que haverá aumento de consumo. Você, em seguida, diz que cada maconheiro vai plantar sua maconha. Conclui, por fim, que ninguém deixa de fumar maconha por causa do risco da ilegalidade. Deu para perceber a contradição?
Porque, depois da legalização, cada maconheiro vai plantar seu vasinho de maconha? Porque ele já não o faz agora? Se ele já não substituiu a compra pela produção própria de maconha, se não for o risco da ilegalidade, o que explica tal inação?
Parece-me evidente que a ilegalidade, de algum modo não desprezível, afeta negativamente o consumo de maconha. Mas vamos fazer um exercício lógico. Vamos supor que, com a legalização, não haverá aumento na produção de maconha, que toda a maconha comprada no mercado seja substituída pela maconha plantada no vasinho de casa. O custo dessa produção em vasinhos não é nulo. Haverá problema de qualidade, de insolação e por aí vai. Haverá, portanto, quem esteja disposto a comprar uma maconha com melhor qualidade produzida por alguém com melhores condições de produção, alguém que produza uma maconha melhor (que dá mais barato). Pronto, começou o mercado a funcionar. Valerá, então, tudo o que eu escrevi antes. Haverá sim aumento de produção e de consumo.
Caro Pedro Direitoba, concordamos no essencial. Minhas intervenções tinham o sentido de criticar os argumentos generosos, mas sem raciocínio sólido. Direitos individuais, fim da corrupção, da bandidagem e por aí vai são senso comum travestido de argumento intelectual. Não há justificativa generosa para se propor a legalização ou a proibição da maconha, do cigarro, do álcool etc e tal. Tal debate divide sim a sociedade. Lembra-se do que foi erroneamente chamado de plebiscito sobre as armas? É a mesma coisa. O que ganhou foi o lado que acha que tem o direito de matar os pobres, obviamente, disfarçado de direito de defesa, de direito á liberdade e por aí vai. Essa história de que brasileiro é tão bonzinho, generoso e por aí vai é “conversa para boi dormir”. É fundamental gritarmos: “Chega de hipocrisia!”.
Bão, todo mundo sabe que eu sou a favor de liberar geral, inclusive as drogas. Para uma revisão histórica sobre os efeitos da proibição de substâncias tóxicas, revejam o que aconteceu nos EUA durante a lei seca.
Direitoba, quando você acha que está consumindo álcool, na verdade você está consumindo um tipo de álcool, o etanol.
Bensaiddeitapevi: Sim, eu conheço todas essas teorias econômicas que vc falou. Meu professor de Economia na faculdade explicou tudo direitinho, e lembro que em toda aula ele acrescentava: “Mas não esqueçam que estamos no Brasil, então na prática, a teoria é outra.” O chavão é velho, eu sei, mas é verdadeiro.
E, por outro lado, se vc acha que as leis de mercado se aplicam ao “mercado maconheiro”, me diga: Se a demanda existe (sempre existiu e sempre existirá), o que o leva a crer que as leis e o poder repressor de estado poderão impedir a oferta? Em que país e em que época isso funcionou? Os EUA são sempre citados como exemplo de estado forte e respeitador das leis; e até lá a proibição do álcool gerou corrupção e violência em níveis terceiro-mundistas.
Para encerrar minha participação neste tema: somos um país hipócrita. Achamos que fazer uma lei faz o problema sumir. Proibimos o jogo e fingimos que não vemos o jogo do bicho nas esquinas. O aborto é proibido, então fingimos que ele não é praticado. As drogas são proibidas, então…
Drá-cul, em que universidade de química vc. foi diplomado?
Peito de bem-te-vi e microempresário, isto me lembrou uma passagem do Hélio Luz no documentário citado pelo PD, notícias de uma guerra particular, em que ele pergunta se as pessoas querem mesmo uma polícia que não seja corrupta, que cumpra a lei. E deu exemplos de como somos contraditórios, para não pagar multa damos uma cervejinha ao guarda etc. Como acredito na cidadania e que lei serve para ser cumprida, tento seguir as regras, desde que não sejam arbitrárias, como em períodos de exceção. Nesse caso particular, passei a abominar o consumo de drogas, com pena de garotos de 12 a 15 anos recrutados pelo tráfico. Nada tem mudado isso. Tem a repressão de anos, campanha contra drogas e no entanto, o tráfico aumenta, a polícia é corrompida e os empresários do tráfico até no Congresso já foram achados. Acho que meu exemplo também não vai alterar em nada, talvez só eu fique careta. Mas fico com a minha consciência limpa. Nisso não tem nada de esquerda ou direita, Simonsen foi um cheirado tremendo e ministro da ditadura. O reaça Drá-cul pelas bobagens que escreve deve estar aplicadinho.
Caro Microempresário, desculpe-me por retirar-lhe da ilusão, mas seu professor, a julgar pelo que você contou, era um péssimo professor de economia. Essa história de que, na prática, a teoria é outra, a teoria não funciona, é uma grande tolice. Teoria, por definição, tem que ser válida na prática. Se ela não valer, na prática, não é uma teoria e sim uma simples hipótese a ser comprovada, mas jamais será uma teoria. Fico, então, imaginando que curso horrível de economia você teve.
Desafio qualquer um a mostrar onde encontrou uma oferta e/ou uma demanda. Oferta e demanda são mecanismos lógicos cuja utilidade é organizar o nosso raciocínio. Ele estabelece relações entre preços e quantidades ofertadas ou demandadas. Sob certas condições, na prática, encontraremos uma relação positiva entre preços e quantidades ofertadas e uma relação negativa entre preços e quantidade demandada. Se essas relações são ao contrário, vai depender do que se está considerando. Se sua previsão não se verifica, na prática, isso não significa que, na prática, a teoria é outra. Significa sim que suas considerações estão erradas. Significa que suas hipóteses sobre a realidade que você quer expressar, mediante o mecanismo de oferta e demanda, estão erradas. O que está errado são suas hipóteses sobre a realidade e não a teoria de oferta e demanda.
Se o seu professor não explicou isso, ele foi um péssimo professor de economia.
Porque, então, é tão comum ouvir/ler que, na prática, a teoria é outra? Porque a teoria não pode se defender, não tem como dizer que você é que errou, que você é que não soube interpretar as coisas direito. É, portanto, solércia e covardia tentar esconder sua culpa, atribuindo o problema a algo que não tem qualquer responsabilidade pelo seu erro.
Com o mecanismo de oferta e demanda, eu disse: 1) que a legalização aumentará o consumo de drogas; 2) que é um equívoco dizer que a legalização, necessariamente, acabará com a bandidagem associada ao mercado de drogas. O ponto que tenho enfatizado é que o problema é complexo e não será resolvido com ilusões generosas do tipo “defesa dos meus direitos individuais”, “eliminação de bandidagem” e por aí vai. Para terminar com bom humor, lembro do único artifício inteligente para acabar com problema, um artifício colocado pelo Brancaleone na mensagem no. .116.
Abraços.
Bem-te-vi, não exagera na teoria econômica. Tem os tais dos fatores aleatórios ( imprevisível HOMEM). Estudei com bons professores, nem venha com esse papo. Sou doutor de papel passado.
Caro Pedro Direitoba, confesso que soou meio “retardadinho”, especialmente quando o assunto é ironia. Procurei, em vão, alguém com o pseudônimo de bem-te-vi. Ao que me parece, só o Microempresário e eu tratamos de teoria econômica. Pedro Direitoba e Microempresário são dois personagens da mesma pessoa? Será, então, que Bem-te-vi é o apelido que você escolheu para mim? Bem-te-vi é o apelido que você deu para quem está discutindo química com você? Não sei.
Em todo caso, o que parece é que o diploma de doutor do caro Pedro Direitoba não deve ser em teoria econômica.
Mais ainda, essa história de dizer que o homem é imprevisível é típica dos que não freqüentaram bons bancos escolares. Ciência é feita para prever. Se uma teoria não consegue prever, ela não tem utilidade, ou melhor, não é verdadeiramente uma teoria, é, no máximo, uma hipótese à espera de comprovação. Como alguém pode ter o título de doutor sem saber isso? Que tipo de instituição está ofertando tal título?
A questão se resume a:
1) Que a legalização aumentará o consumo de drogas.
2) Que é um equívoco dizer que a legalização, necessariamente, acabará com a bandidagem associada ao mercado de drogas.
3) A sociedade está disposta a pagar pelos custos de tratamento daqueles que deliberadamente prejudicaram sua saúde?
Nos EUA, ela disse que não, tanto que, por exemplo, no caso do tabagismo, ela está cobrando isso daqueles que lucraram com a venda de cigarros. Na Inglaterra também se disse não, tanto que os fumantes vão para o fim da fila de atendimento. O cerco aos fumantes, que está acontecendo em vários países é indicativo de que não se está mais tolerando pagar pelos erros dos outros. Já, já isso chega ao alcoolismo e às drogas.
Ou seja, como diz a teoria econômica, quando o custo fica maior que o benefício, as coisas são recolocadas em seu devido lugar. A liberação, portanto, se acompanhada pela recusa em socializar os custos do tratamento, deve reduzir o consumo de drogas, de álcool, de cigarros etc e tal.
PD, não obtive feedback aos meus comentários anteriores, mas aqui vai mais uma consideração: é ingenuidade achar que a comercialização livre das drogas vai acabar com a violência do crime organizado. Os traficantes vão continuar a vender a sua droga “pirata”, mais barata que a oficial porque sem controle de qualidade e livre de impostos. O tráfico vai continuar, só que sem repressão, para alegria dos traficantes.
Ia haver camelô vendendo as suas drogas piratas em tudo que é esquina.
Bem-te-vi, olha tive professores entre FGV e UFRJ. Acho que aprendi direitinho. Acontece que em teoria macroeconômica vc. trabalha com variáveis puras, monta d=seus modelos econométricos etc. A Aplicação da teoria supõe a consideração de elementos aleatórios (acho que seu professor escondeu isso de vc., os meus não), que vão desde políticas que interferem no mercado (governo), decisão do consumidor nem sempre pautada pela otimização do lucro, que é o ponto de partida da teoria econômica, elementos climáticos etc. Não digo que a teoria pura seja uma perda de tempo ou que não demonstrem nada, senão rasgava meus diplomas, mas que o economista deve ser menos crente nas suas elaborações diante da realidade onde serão aplicadas. Ou como diria o Nassif, deixar de ser cabeça de planilha. Outra coisa, já estou meio velho para ser avaliado em assunto básico na profissão que exerço. Nem vc. é avaliador de nada por aqui, para ir levantando suspeitas sobre a formação dos participantes. Não tenho nada haver com o micro, com quem discuto no Kupfer e que não é um analfabeto como vc. supõe que seja a humanidade toda afora vc. excelência crédula. Vai tomar um calmante, beber um chopinho, sua caretice tá te fazendo mal.
Caro Pedro Direitoba, você diz que teve professores da FGV e da UFRJ. Não tenho porque duvidar, apenas fazer uma pergunta: “eles aprovaram você?”.
Veja bem, o primeiro contato com o mecanismo de oferta e demanda é feito, em geral, no curso de introdução à economia. Isso continua nos cursos de microeconomia e só depois é aplicado nos cursos de macroeconomia. O que se está tratando, aqui, é do mercado de drogas, o que nada tem a haver com macroeconomia. Mais ainda, já no curso de introdução se aprende que a decisão do consumidor nada tem a haver com a maximização de lucros. Sobre isso, cumpre esclarecer que uma curva de demanda depende de alguns postulados (comportamento do consumidor): 1) que alguns bens são escassos; 2) que uma quantidade maior de um mesmo bem o coloca em uma situação preferida à posição em que ele tem uma quantidade menor desse bem; 3) que o indivíduo deseja ter mais de um bem; 4) que ele está disposto a trocar um bem por outro; 5) que essa troca é feita a uma taxa decrescente. O que isso tema haver com os “cabeças de planilha” tão adequadamente ridicularizados pelo Nassif?
Ademais, quem se expôs publicamente foi você. Eu estava em debate com o Microempresário e quem entrou na conversa foi você. Nada contra isso, ao contrário, imagino que essa interação entre diferentes pessoas (com diferentes enfoques) é que nos motiva. A interação/debate é que nos faz aprender coisas novas.
Mas você, caro Pedro Direitoba, chegou dizendo que tinha estudado com bons professores e era doutor no assunto. Surpreendi-me porque me chamou de Bem-te-vi, quando meu pseudônimo é Bensaiddeitapevi. Algo um pouco deselegante, não? Surpreendi-me também, porque a mensagem anterior enviada por mim a você começa dizendo que “ no essencial, concordamos”. Surpreendi-me, afinal, porque o Doutor disse que eu estava exagerando na teoria econômica e estava desconsiderando fatores aleatórios, imprevisíveis, como o homem. Ou seja, há aí um julgamento público, não das teses que abraço e sim do meu comportamento, ou melhor, da minha formação como economista. Não me diga, agora, que não quer se julgado publicamente.
Abraços.
Bem-te-vi, sou irônico e vc. arrogante, certo? Vc. sugere que tenha comprado meus diplomas? Ora, vc. viu isso em introdução à economia e depois em Macro, ou não teve essa disciplina ou não se lembra. Todo o comportamento do consumidor se baseia na melhor escolha, seja de preço ou utilidade. Olha, tenho preguiça de voltar a te avisar que o comportamento das variáveis econômicas são analisadas expurgadas do contexto real na teoria macroeconômica, pois isso é coisa básica. Fico por aqui. Abs.
Alicate,
Na época das revoluções tinha um ditado no Brasil que dizia que se o Comunismo ou o Nazismo se implantassem no Brasil, iam ser desmoralizados.
É o mesmo com o Islã.
Se os 190 milhões virarem muçulmanos, quem ia acabar desmoralizado seria o Islã.
A carne de porco ia continuar, assim com a cervejinha e a corrupção.
Theo
Todas as religiões monoteístas, institucionalizadas, são amorais, totalitárias, castradoras da liberdade de pensamento. Judaísmo, cristianismo e islamismo foram criados tendo em vista um propósito político. Moisés, Paulo e Maomé são clones. Repetem-se nos menores detalhes. O objetivo da tríade sinistra sempre foi o mesmo: alcançar o poder.
Religião interessante foi a dos gregos que os monoteístas apelidaram de mitologia, como se as criadas por eles não fossem também mitos. Na Grécia Antiga, politeísta, a liberdade religiosa era total. Um dia adoravam Zeus, no outro mudavam para Artemis, mais adiante o preferido passava a ser Ares, idolatravam todos juntos, acrescentavam divindades estrangeiras e assim por diante. A tolerância religiosa era absoluta. A múltipla ideologia dos céus, democrática, não fomentava conflitos na Terra. Este livre-arbítrio permitiu a eclosão da filosofia, a investigação da realidade, alforriada da opressão do Olimpo. Em condições monoteístas, os pensadores teriam sido bloqueados. A filosofia não teria surgido.
Na Europa, logo que o Deus único se estabeleceu inaugurou a intolerância religiosa, as perseguições, a brutalidade, as matanças e, o mais lamentável, sufocou o pensamento investigativo por mais de mil anos. Durante dez séculos a humanidade se manteve em paralisia mental.
O livre-pensar, ressurgido na Inglaterra, pós Henrique VIII, gerou o mundo moderno onde o Conhecimento adquirido pela inquirição da Natureza comanda o espetáculo da vida. Daí o sucesso das sociedades do Mar do Norte e do Báltico, na outra margem do Reno, distanciadas dos latinos e de seu Deus único, opressor, sustentáculo espiritual do tirano absolutista.
O islã é, ipsis literis, um cristianismo adaptado aos interesses políticos de Maomé para ser aplicado no lado oposto do Mediterrâneo. Seria uma felicidade para o mundo aparecer um clone de Henrique VIII nas regiões do islã. Mas isto é apenas sonho. Não acontecerá. Os islâmicos permanecerão na Idade das Trevas, trocando um déspota por outro, para sempre.
PD foi no ponto. Um texto de raro equilíbrio. Parabéns.
Sim, o uso de álcool produz muitos acidentes nas estradas. Vamos liberar a cocaína e a maconha geral pra acabar com isso, né não?
Aê, pessoal, vou meter meu bedelho nesse assunto.
Tanto o tabaco quanto a maconha podem ser plantados e, logo maturados, fumados diretamente sem auxílio de processos químicos que interfiram na composição da planta. O cigarro industrializado, por outro lado, passa por todo um tratamento até chegar ao consumidor final (irrelevante dizer se é um processo que piore ou melhore o efeito no corpo, estou apenas colocando esse fato aqui), pra criar efeitos de prazer mais consistentes do que só o tabaco.
No caso do uso da maconha, ela é uma droga seletiva. Existe uma cultura dentro dela que separa seus usuários em dois grupos (podem ser em até mais, mas estes dois têm relevância nesse contexto): os deslumbrados e os conscientes.
Os deslumbrados são os que chegam mais perto da representação estereotipada do filme, normalmente é a juventude, os “playbas” que fumam e viram estatística.
Os conscientes não o são assim porque têm consciência da verdade absoluta fundamental ao homem e ao universo. Ele é consciente porque sabe todos os por quês de querer fumar maconha. E são muitos. Desde pura recreação até ampliação das portas da percepção, como já disseram por aqui.
Não podemos esquecer que, ao lidar com um viciado, você lida com um indivíduo. Cada um tem o seu motivo pra usar a sua droga, e esse motivo próprio se torna mais forte que a lei, independente se o motivo seja uma idéia, uma concepção ou simplesmente dependência química.
Mas o fato é que, pra se tornar um usuário consciente, todo mundo passa pelo deslumbramento, o que nada mais é que uma condição natural do homem ao conhecer algo novo.
Quando se diz da legalização da maconha, fala-se em aumento de consumo. Realmente, o consumo aumentará, mas muito mais para usuários já estabelecidos. Acreditar que o consumo aumentará drásticamente com novos usuários reforça a idéia da legalização, uma vez que esse novos usuários só não usam porque é proibido.
Mas não fechemos os olhos, pode sim criar uma nova categoria de imposição do homem, ainda mais numa sociedade machista como a nossa. A primeira cerveja, a primeira mulher, o primeiro carro, o primeiro beque. É uma questão de saber educar em relação à droga legalizada, como já é feito com álcool e tabaco.
Mas com a legalização, os usuários que tiverem oportunidade vão sim plantar. É fato. Se tiverem as condições para tal, assim o farão, porque é muito mais conveniente. Só que maconheiro também é preguiçoso. Se o governo legaliza, e a Phillip Morris cria um Marlboro Green, o poder sai dos traficantes e cai pra eles. Que facilidade maior há do que parar numa loja de conveniência em algum posto e comprar um maço de maconha?
Se vai quebrar a violência no favela, não. A violência na favela é causada por uma série de motivos de abismo social e falta de condições de educação e saúde digna pro cidadão brasileiro. Mas quebra as pernas do tráfico em um segmento seu. O cara que sobe no morro pra comprar uns baseadinhos pode até ir sozinho, mas ele está comprando pra muita gente. A cada um cara subindo, pode ter certeza que tem trinta esperando ele voltar.
Entretanto, se legalizássem só a maconha, o tráfico não acabaria. A cocaína é uma fonte de lucro muito maior que a maconha, justamente pelo fato de a maconha ser plantável, e a cocaína (o produto final) não. Você não planta uma folha de coca, quebra e cheira. Existe todo um processo até que ele se torne branquinha e cheirável. Isso aumenta seu custo.
Por exemplo, numa época boa, você consegue comprar maconha com o preço às vezes de 2 pra 1, tipo, R$ 50,00 equivalem à 25 gramas de maconha. Na cocaína, você paga esses mesmos cinquenta reais, por uma quantidade muito menor, algo perto de 5 gramas. Em miúdos, duas carreiras hollywoodianas bem servidas.
25 gramas pode até soar pouco, mas no caso da maconha, é uma grande quantidade, porque ela é fumada com calma. 25 gramas pra um heavy user, que fume pelo menos cinco cigarros por dia, dura duas semanas cravadas. 25 gramas de pó não dura uma noite, ainda mais se for numa balada VIP com ator da globo e publicitários.
A maconha não é uma droga que o usuário usa uma atrás da outra, como a cocaína, muito em conta do tempo de efeito. A cocaína dá um “boost” momentâneo que deixa a pessoa elétrica por uns bons trinta minutos, e logo em seguida já na fissura por outro tiro. A maconha leva umas duas horas fazendo efeito, sendo que a primeira meia hora é o auge, o resto não passa de rebarba da onda, o efeito de leseira e preguiça. Voltando ao que havia dito ali em cima, é nesse momento que você diferencia os deslumbrados dos conscientes.
Os deslumbrados não vão querer fazer nada a não ser fazer nada, ou matar larica, e achar tudo isso muito fantástico. Mas o fato é que a droga não direciona o pensamento A PENSAR ALGO, ela somente aguça os cinco sentidos. tudo o que você pensa fumando maconha você pensa todo dia, só que quando você fuma você presta atenção, mesmo porque é uma lógica matemática: você para pra ouvir seus pensamentos, e começa a perceber o que que anda pensando, e como anda agindo.
Mas um ponto chave aqui dessa história toda é educação. Existem motivos que levam o indivíduo ao uso de drogas, e dois grandes motivos são família e sociedade. A família causa uma pressão, e um filho cai muito mais facilmente no mundo das drogas quando não há diálogo na família sobre esse assunto. Assim como a sociedade, que sempre exige e critica, faz o mesmo.
Então por quê o usuário de maconha já não planta hoje em dia, se quiser sair do mundo do tráfico? Porque é um crime federal e também porque plantar exige um trabalho grande de cultivo. Ainda mais a maconha. Qualquer errinho no cultivo mata a planta. Maconha não é que nem uma samambaia que é só botar no sol e uma aguia e tudo certo. É um trabalho imenso, e precisa ter espaço, luz própria, todas essas coisas.
Agora veja bem: se a PM te pega fumando unzinho, dá uns tapas, mete multa, autua, toda aquela onda. Se a FEDERAL pega um cultivo teu em casa, confisca todos seus bens, praticamente ASSASSINA tua vida em sociedade. Isso dá uma bad trip.
Outro exemplo é colocar Jamaica e Colômbia, cada uma referência de maconha e cocaína, respectivamente. Se maconha deixasse milionário, a Jamaica ia ser um dos países mais ricos. Mas é a Colômbia que tem força de capital muito maior, justamente pelos fatos que apontei, da dificuldade de se arranjar uma boa cocaína. Enquanto a jamaica está afundada num sistema de governo tão corrupto quanto o nosso, a Colômbia promove uma guerra contra lordes milionários.
Um beque equivale sim à uma bala na cabeça de uma criança, justamente porque o único grupo social que oferta esse tipo de produto são os traficantes. Só por isso. Ainda que não legalizassem o uso, apenas o plantio (como é no Canadá), tira do traficante esse poder sobre o usuário.
A droga vicia sim, e ela nunca vai deixar de ser utilizada, qualquer que ela seja, não importa se é maconha ou cocaína. Não se esqueçam que ainda existe a heroína, o álcool, o cigarro, o crack, o ecstasy. O que vai fazer a diferença na guerra contra o tráfico é NA MÃO DE QUEM VAI FICAR A OFERTA? Na do tráfico ou na do governo?
O governo é o maquinário que criamos pra cuidar de nós mesmos. Se queremos usar drogas, discutiremos com nosso governo sobre isso. Legaliza, e cria uma campanha de redução de danos, bota na mesa esse debate.
Agora fica muito feio discutir todo isso na grande maioria que assistiu o filme pirata, que, atualmente, é uma forma de tráfico tão grande quanto as drogas. O filme é gravado, a maconha é plantado, uma mula carrega os cds, o aviãozinho carrega os quilos, bateu na polícia Federal, se dão mal do mesmo jeito. Agora como combater a pirataria se você pode baixar o filme na internet? Sinal dos novos tempos… como combater o tráfico, se o mundo inteiro está imerso em seus vícios?
Por mais que os custos do filme tenham sido bancados por cofre público, lei é lei, como já disseram aqui. Filme pirata e maconha são proibidos do mesmo jeito. É porque não tem ainda uma guerra tão forte quanto a das drogas em relação a pirataria, mas as consequencias do usuario de cds piratas também representa uma chaga social tão evidente quanto. É porque ainda é recente.
No mais, o filme é muito bom. O único problema de ter que apontar um vilão (os maconheiros) é que mostraram uma visão muito batida, clichê. Maconheiro NÃO fica chapado no primeiro tapa, muito menos ZOA quem não quer fumar.
Vi pirata fumando um. Vou ver no cinema idem.
Abs.
Ligar um tipo de produto entorpecente à palavra transcendência é de uma leviandade sem fim. Ou o senhor não sabe o que é transcendência, ou já se deixou levar pelas substâncias opiácias. Meu caro Dória, leia mais sobre o assunto antes de fazer um comentário tão sem nexo.
Boa sorte em seus estudos!
Bem.. eu assiti o filme ontem no cinema, pela primeira vez e achei sensacional. Hoje cheguei no colégio revoltada com o choque de realidade que eu tinha tomado ontem, e fui trocar uma idéia com meu amigo que se encaixa perfeitamente no perfil de ‘playboy maconhero’. Ele, assim como muita gente do meu colégio, afirmou que ele não se sente culpado, pq a culpa é unica e exclusivamente do governo, que não legaliza.. Eu achei aquilo um absurdo.. pq como diz no filme mesmo “Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder para o tráfico só para um playboy rolar um baseado?”
Vamos cair na real galera. As drogad não são legalizadas e isso é um fato! E esse meu amigo não se convenceu de que ele financia sim o trafico.. De que ele ta pagando pra outras pessoas morrerem.. Tá pagando pro BOPE subir no morro e torturar milhões de inocentes. Pq se não fosse por pessoas como ele, não existiria o tráfico.. e se não fosse o tráfico, a situação do brasil não teria chegado a esse ponto..
Eu planto em casa, não vendo nem dou maconha pra ninguém. Não vendo nem dou maconha pra ninguém.
Eu sou criminoso por isso?
Lembrem-se de Al Capone, um dos maiores traficantes do mundo, traficava wiski, que hoje é totalmente legal nos EUA. Ou seja, se você tomasse wiski a 80 anos nos EUA, você era um maldito alcoolatra que financia o trafico, hoje não é mais.
Vejo que o problema é realmente a lei. A lei existe para nos defender. Deve ser por isso que as pessoas que são eleitas e pagas pra fazerem as leis são tão honestas né?
Algumas pessoas fazem a analogia estranha de que se nã existissem mais as drogas, não existiram mais pessoas pobres, e a violencia na favela acabaria.
Traficantes só traficam drogas por ser ilegal, por que é facil e mais ainda, por que não prejudica ninguem. É muito mais dificil fazer um assalto que vender 1kg de maconha pra um “playboy”. Mas se não fosse o playboy comprando essa maconha, esse dinheiro teria que vir de algum lugar, logo, seria com certeza de assaltos. Se vender café fosse ilegal, eles ganhariam muita grana traficando café. Mas não é, então eles fazem outras coisas.
Acho que tem um cara, o papa do neoliberalismo, Milton Friedman, defensor absoluto da liberdade individual que defendia abertamente a legalização das drogas e a regulação delas por meio dos mecanismos de mercado. Ele era uma “otoridade” no assunto da liberdade e da economia, tendo assessorado centenas de governos bem sucedidos.
PD,
Não sei se você lê os comentários de posts não tão recentes, mas sinto discordar veementemente dessa história de “o corpo é meu e faço dele o que eu quiser”.
Acho que muitas das mazelas que nós vivemos hoje nasce desse individualismo egoísta. Falemos desse caso específico, a droga. A droga prejudica o usuário, o pai, a mãe, a família inteira, para ficar no microcosmo, seja a droga lícita ou ilícita. Mas o caso aqui não é a lei, e sim o egoísmo. É por causa dele que estamos onde estamos. O homem não se faz sozinho, o homem como um todo se constrói pela sociedade. Nós influenciamos e somos influenciados por ela. Como ser tão egoísta e pensar que o nosso corpo somente nos pertence e a ninguém mais? Como pensar que de alguma forma estamos isolados completamente do todo, de forma que exista algo que só a nós interessa?
Se o seu corpo pertence apenas a você, então meus pêsames, vai ter um velório vazio.
Mas não é possível ser cínico e racional em tudo, pôr a culpa na lei e lavar as mãos na seqüência. Cada beque fumado que teve origem na estrutura do tráfico tem um custo em vidas humanas. Fume-o quem quiser – a sensação é agradável. Mas fingir que o sistema em volta não existe é imperdoável, um exercício de alienação ou de cinismo. Se não corta o barato da intoxicação, devia. Não querer fazer parte deste ciclo vicioso é uma atitude de protesto.
se eu plantar uma semente de maconha nacera uma arvore com seus “frutos”, frutos fumar e sentir a senssação que vc mesmo descreveu como boa e não estarei fasendo parte dessa manipulação que vc chama de siclo vicioso apenas estarei fumando um sigarro de maconha(grande mérda).
Mais o piór é qué a lei que vc livrou da culpa incentiva o usuario de maconha a comprar com o traficante ao invés de plantar uma semente,pois a pena pra quem possui éssa planta é maior do que a pena aplicada a maioria dos traficantes,portanto falar que o usuario é quem financia o trafico as armas dos traficantes blablabla,não passa de balela pois não fui eu que criei o trafico não fui eu que criei as favelas,então não critique o basiado que eu fumo pra sair um pouco dessa podre atmosfera que gira em torno de intereces pessuais,balela!
NAUM ENTENDI ESSA PARTE ALGUEM PODE ME EXPLICAR?
Não é uma situação de solução fácil. O filme lembra à classe média que ela não é inocente. Mas a classe média não é a única a consumir substâncias ilícitas. Também os há consumidores, corruptores, corrompidos dentre aquilo que nos EUA chamam de powers that be: na estrutura dos três poderes da República, nos três níveis de governo da Federação, e convém não dizer mais porque, com mais, identificam-se uns poucos e o processo vem.
Como o dr. leary dizia: “Drogas enlouquecem aqueles que não as usam”.
Ano que vem eu tô de volta, PD.
Abraço,
ACT
O negócio é o seguinte, o alcool e o tabaco tbm são drogas e viciam as pessoas. A diferença é que o governo explora, financeiramente, este nicho de mercado. Se legalizassem a maconha e outras drogas, com algumas regras especiais, elas seriam exploradas por empresas e pelo governo e isso iria diminuir muito o tráfico, pois uma pessoa que quer fumar um ou dar uma cheirada poderia comprar o produto em alguma loja ou algo do tipo, não precisando ir atrás do traficante. Eles, os traficantes? Continuarão a existir mas perderão poder pois uma parcela dos clientes deles irão comprar o produto em outro lugar. Ai o tráfico de drogas será como pirataria, existirá mas vc terá a opção de comprar sem infringir a lei.
Abraços.
Anderson
OFF TOPIC:
Mister X, vinho tem alcool, alcool é droga, e diga-se de passagem, muito mais nociva ao organismo do que a maconha, então sem hipocrisia!! Todos os crimes que vc comentou são crimes contra terceiros, o simples fato de fumar um beque só prejudica se é que prejudica quem usa!!!
Agora, é FATO que quem compra drogas no sistema de hoje financia a bandidagem, isso não se discute. Mas quem quer fumar um beque não precisa comprar, pode plantar em CASA, hoje para quem planta para consumo proprio perante a lei, é usuario… Apesar de ainda existir perseguição policial, e levando muitas pessoas que optaram por nao dar dinheiro a vagabundo para a cadeia, creio que essa é uma tendencia do futuro… Pode continuar como está, proibição da venda/comercio, cadeia para quem vende, advertencias para quem porta/usa, e tudo mais como está, mas liberarem o plantio para consumo proprio de X pés de cannabis para o sujeito fumar em casa, assim não participaria desse sistema sujo e corrupto que temos hoje, e calando a boca de proibicionistas de plantão que jogam a culpa da violencia em cima do usuario…
Plantando minha cannabis em casa, a sociedade não tem razão em me JULGAR!!!
Meus Deus gente!!! A discussão ta muito boa…
Mas é o seguinte, aos proibicionistas que tanto reclamam:
Achem um jeito de eu poder fumar meu baseado sem problema nenhum para ninguem… pois parar simplesmente por que vcs querem é que não vou pessoal, eu quero fuma e vo fuma e pronto, querem melhorar o sistema me deem opções(essa de plantar em casa é otima). Fumo a mtos anos e nunca dei um teco numa cocaina mto menos fumei pedra, apenas fumo meu baseado para relaxar, esse negocio de porta de entrada para outras drogas é papo furado, de 1970…
QUEM PLANTA PRECONCEITO NÃO PODE EXIGIR PAZ!!!
Partindo do presuposto que seja impossivel acabar com o consumo de drogas e que a repressao em nada tem contribuido para minorar os problemas, resta-nos experimentar a legalizacao.
O que dificilmente sera posto em pratica uma vez que o trafico financia muitas atividades chamadas de legais.
A ilegalidade das drogas traz lucro quem podera negar isso?
Ou quem colocaria um milhao de reais suados em uma campanha politica?
Gunter Jr.
Pedro, lí essa questão no blog de um amigo, não é sobre a pirataria, mas foi um levantamento super importante que também devemos pensar.
Se tiver um tempinho dá uma olhada.
http://mtv.uol.com.br/blogosfera/chuva_acida/2008/02/20/morte-e-patrimonio
PD,
Acho uma extrapolaçao meio forçada dizer que é a lei que provoca a violencia. Quem sabe a forma de aplicar a lei, ou seja, a repressao.
Acho que o consumo de drogas nao devia ser caso de polícia mas de saúde pública. Até na Holanda onde é “liberado” é controlado, deve ter lgum motivo. Porque nem todo mundo fuma um baseado em casa e curte a viagem e vai dormir. Eu moro em Barcelona e aqui todo mundo fuma na rua e é mais fácil comprar cocaína que uma cerveja gelada. A posse para consumo proprio nao é crime, só o tráfico. E cada pessoa pode ter em casa duas plantas de maconha. Porque tem outras drogas que merecem o esforço e a dedicaçao do estado - do qual a polícia é só um instrumento, é bom lembrar - para reforçar o bom-senso das pessoas, já que no fim quem cuida dos doentes é o estado e o preço é pago com o dinheiro de todos. Por isso eu acho que o estado deve dar outro enfoque, mas nao pode simplesmente deixar este tema à margem da vontade de cada um.
é visível que as até aqui ineficazes políticas públicas de segurança só fazem crescer a necessidade de investimento em estrutura policial e construção de presídios.
Assim chegamos a uma estrutura de segurança pública hipertrofiada, com elite e elites da elite das tropas, cujos policiais já não consideram o risco do cidadão, mas apenas o do bandido; e os dirigentes responsáveis só consideram os seus próprios riscos políticos.
melhor que cheirar cocaína, é cheirar xereca de menina
Pior coisa que existe é essa viadagem-tietagem do Caê, como se fosse alguém capaz de falar sobre a sociedade além de reclamar do avanço de sinais como se fosse a coisa mais importante num país de miserentos.
Prezado Doria, que merda seu pai escreveu para ser elogiado pelo Olavão? Isso é coisa que a gente não deve nem comentar. É muito vergonhoso. Espero que nunca seja citado por esses cabeças-de-bagre da direita festiva de Ipanema. Não corro perigo, meus livros são técnicos e o cara é semi-analfabetizado em Filosofia.
Muito bom que tudo o que escreveram aqui está conservado. Quando leio o arquivado, 10 meses depois de iniciado, aí sim vejo que poucos acertaram, se olhando para a situação do RJ agora, hoje. Candidato que quer ir na favela já não pode entrar lá. Imprensa , salvo rara ou única exceção, vai, mas sem imagens. Ainda resta dúvida da influência do tráfico na vida cotidiana? Têm dúvida do quanto isso pode penetrar na vida da cidade? Dinheiro fazendo dinheiro. o 1º ganho no tráfico, financiando a campanha de todas as formas imagináveis, até mesmo para comprar a aplicação da força e da lei quando necessária, e certamente gerando mais dinheiro depois da tomada do poder.
SUGIRO REAPRESENTAR O POST COM TODOS OS COMMENTS.
Eu gostaria de saber porque voce não manda resposta do ultimo capitulu do negocio da china assinado cássio rodrigo sousa paiva to esperando urgentemente bjuxxxxxxxxxxxxxx xauzinho
Muito bom este artigo!