Bush, Ahmadinejad e a guerra Irã vs EUA

EUA · Irã · Terror · 4/09/2007 - 05h41 - 65 Comentários

Agora no domingo, o Times de Londres anunciou que os EUA têm planos de atacar o Irã. Tem, evidentemente que tem. Desde o ano passado, quando Seymour Hersh publicou uma reportagem com detalhes na revista The New Yorker, que eles são mais ou menos conhecidos. Não quer dizer que o ataque virá. O próprio Times, no início do ano, divulgou que pelo menos cinco generais e almirantes estariam prontos a renunciar se recebessem ordem de ataque. Os EUA estão no limite do uso de suas forças.

O que a reportagem dominical do Times quer dizer é outra coisa: alguém achou por bem mandar um recado.

Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, compreendeu a mensagem. De presto respondeu: anunciou que seu país já tem 3.000 centrifugas para enriquecer urânio. 3.000 centrifugas em plena operação num ano fazem urânio o suficiente para uma Bomba.

Na semana passada, a Agência Internacional de Energia Atômica havia anunciado que as conversas caminhavam bem.

Caminhavam – as mútuas provocações não se encerram assim tão fácil.

Irritada com a constante presença de indícios de que a Guarda Revolucionária do Irã anda por trás de ataques xiitas no Iraque, a Casa Branca flerta com a possibilidade de declarar o grupo uma ‘organização terrorista’. Não que vá fazê-lo, mas ameaça. Foi no mesmo domingo que o aiatolá Ali Khamenei decidiu nomear comandante da Guarda o general Mohammed Ali Jafari, que defende o endurecimento com estudantes rebeldes.

Um sinal?

Claro que sim – mas não apenas.

Conforme o discurso entre EUA e Irã se enrijece, a situação interna, no país, segue o mesmo caminho. Restrições a vestimentas femininas, que não eram assim tão vigiadas há anos, passaram a ser motivo de prisão nas ruas de Teerã, nos últimos meses. A polícia começou a caçar antenas parabólicas que captam o sinal de televisão a satélite. São ilegais e, no entanto, ostensivas. Toda a classe média assiste o noticiário da BBC. O período de tolerância, repentinamente, foi suspenso.

A notícia do Times, de que os EUA usariam força total contra alvos militares num ataque inicial ao Irã, não quer dizer que os planos de guerra sejam iminentes. Mas quer dizer que alguém no Pentágono o próximo a ele achou por bem levantar novamente a bola que os iranianos cortaram de presto. Há tensão no ar, provocações mútuas.

O clima está ruim. Bush talvez não tenha força política para declarar a guerra. Mas Ahmadinejad não é um chefe de Estado confiável. Ele pode dar um passo em falso.

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