Por onde vai a credibilidade da Internet?
Sou leitor do Edney Souza, do Interney, há tantos anos que já não dá pra fazer as contas. É provavelmente quem mais entende do negócio de blogs, no Brasil. Mas participamos, ontem, de debates diferentes. Ele estava tranqüilo, bem-humorado. Daí que sua avaliação da conversa me causou surpresa. Não é o estado de espírito que ele parecia ter, inclusive, na cerveja de depois.
Não compartilho de suas impressões a respeito da participação de Carlos Merigo e Bruna Calheiros. O Carlos defendeu seus pontos de vista com dignidade e ênfase; a Bruna, embora tenha falado pouco, trouxe uma das contribuições mais importantes da noite: a questão de que a Internet forma leitores mais críticos. Não havia clima de competição. Ainda: jamais classificaria as opiniões de alguém – quanto mais as de um professor especializado no assunto – como ‘ridículas’. Podemos discordar, argumentar o porquê da discordância. Menosprezar sem entrar no argumento é deselegante, coisa que destoa vinda do Edney.
Também não vejo a mesa como desequilibrada. Um jornalista (e blogueiro), três blogueiros, um acadêmico, o responsável pela campanha, um executivo de tecnologia, um analista de publicidade da Meio & Mensagem.
Prefiro não comprar os lamentos do Edney. Me parecem incompreensíveis. Fica parecendo que o objetivo era decretar vencedor ou perdedor. Que havia uma competição. Não havia. Num debate de opiniões, raramente há um certo e um errado, há visões distintas que melhoram quando contrastadas umas com as outras. Se todos concordam, ninguém ganha.
Prefiro, também, não transformar esta numa discussão de velha mídia contra nova mídia. Primeiro porque a conclusão é impossível e a conversa, meio boba. Segundo porque é tentar forçar um embate entre elementos que, na verdade, são complementares. O New York Times erra? Sim. E o reconhece publicamente. O Estadão erra? Evidentemente. Assim como a Folha, como a Veja, como a Carta Capital ou a Globo ou o Globo ou a Caros Amigos. Erramos todos.
Podemos continuar a discussão nestes termos que o Edney propõe – a mesa isso, o fulano aquilo – ou podemos aproveitar os passos já dados e caminhar à frente. Mover a conversa, ampliar o espectro.
Porque o interessante do debate é outra questão.
Há uma conversa fascinante surgindo na blogosfera brasileira. É o que está implicitamente por trás do Blogcamp, encontro de blogueiros do último fim de semana; é o que está implicitamente por trás da reação à propaganda do Estado. Blogueiros estão em busca de saber qual seu lugar no mundo. Sim, eles existem. Sim: há quem os leia. Por enquanto, sua conversa é principalmente entre si. Mas isto irá mudar. Agora, perguntam-se os blogs na maturidade, o que fazemos? Para onde vamos? Que caminho seguimos? Quem somos? Para que servimos? É um debate interno da blogosfera que pode – e deve – ser mais atiçado, mais provocado. Cá este blogueiro tem seus dois ou três centavos de contribuição.
Blogueiros estão entrando neste mundo, o da informação, ainda tateando suas manhas. Sabem que precisam de algo difuso que chamam de ‘credibilidade’, de ‘relevância’. Quando começam a trocar idéias, esta é minha impressão, buscam descobrir aquilo que Steve Jobs chama de make a dent in the Universe; deixar sua marca no universo. Fazer diferença. Mudar as coisas como estão. Melhorar. Revolucionar, até. O ato de informar pode mudar a cidade, o país – o mundo. Ou pode mudar uma classe, seja lá quem for o público alvo.
A Internet terá maior e maior importância na sociedade. A blogosfera, também. A imprensa tem experiência de mais de século nestas coisas que, com o tempo se percebe, nada têm de difusas – credibilidade e relevância. Sem credibilidade, não há relevância. Sem relevância, não há impacto. Nada muda. Se não é para mudar, para que começar?
A fórmula para atrair leitores que não são outros blogueiros é informar algo que os interesse. Não há truques fáceis e dá trabalho. Sim, mapear resultados do Google produz novos leitores vindos de buscas e um ou outro fica. A médio prazo, produz também um blog repetitivo que raramente surpreende. Relevância não vem daí. Mas ter certeza de que um tema será sempre amplamente explorado e que, principalmente, vez por outra haverá algo de inusitado, de surpreendente, isto traz leitores. Pode ser algo que abra um sorriso; pode ser uma informação precisa a respeito de um tema de interesse.
Blogs – como jornais – existem por serem comunidades de leitores. Quanto maior a comunidade, maior a relevância. Nada é mais precioso do que esta comunidade – por mais que alguns comentaristas às vezes testem a paciência do pobre blogueiro. Ela não pode ser traída, e aí entra a questão da credibilidade. O blogueiro que aceita negociar seus assuntos com o anunciante trai a comunidade. Se aceita dinheiro por uma resenha, gosta do produto e o elogia, como confiar? Por que apresentar o dilema da confiança ao leitor? Já foi experimentado. Não dá certo. Mas o tempo o dirá. A ética da imprensa sobreviveu porque ela faz bem para os negócios.
A blogosfera pode ignorar a imprensa, tem todo o direito de fazer isto. Ou pode aproveitar para conhecer um pouco de sua história, conhecer seus erros antigos, os atuais; conhecer também seus acertos. Todos os erros possíveis que possam custar-lhes a reputação de boa fonte já foram cometidos ao longo das décadas e continuam a ser cometidos e têm o mesmo resultado sempre: a perda de relevância.
O dilema de crescimento é o seguinte: produzir blogs que sejam reais armadilhas para a produção de dinheiro via cliques em anúncios, nos quais tudo é feito em função do dinheiro que possa render; ou produzir blogs que crescerão um pouco mais devagar, serão um quê menos automatizados mas, conforme cresce a Internet brasileira, ficarão mais e mais importantes para a sociedade ao seu redor.
No final desta história, quem for relevante terá as maiores audiências. Quem alcançar mais gente venderá mais caro sua publicidade. A moral da história é que Assis Chateaubriand um dia pareceu ser dono do país, mas faliu; William Randolph Hearst (o Cidadão Kane), também. E o New York Times chegará aos 200 anos. (Sim, fará – mesmo que não tenha edição de papel.) Há lições aí.
PS. O companheiro de Estado Renato Cruz também apresentou sua análise.
Ainda sobre o assunto:
- Debate Estadão: Credibilidade na Internet Começa às 19h o debate promovido pelo Estado de S. Paulo sobre a credibilidade na Internet. Será transmitido ao vivo...
- A lei do senador Azeredo e o
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Tô feliz que você não mordeu a tal cápsula de cianureto que eu recomendei que levasse.
Mas que faltou uma baixatiazinha faltou sim!!!!
Fui.
Olha, Pedro, eu percebi -antecipei para mim mesmo- a animosidade, a contenção meio que a contra-gosto do Edney ontem, mas pelo que ele falou eu dei crédito.
Hoje ele cria coragem, por estar atrás de um teclado e não vis-a-vis diz muito do caráter dele; de seu íntimo.
Desde a sua entrevista ao Digestivo Cultural eu percebo esta percepção sua do papel relevante que a tal da Web 2.0 tem ocupado e que crescerá cada vez mais. Você apostou nisso sempre. E foram inúmeras tentativas , pelo que sei. Você nunca deixou de lutar e, por isso, ter seu espaço, dentro ou fora de qualquer portal.
Os receptores -sua evolução , crítica, cultural- dependem da produção dos bloguistas , deste esforço que você faz na pesquisa, nos cálculos , nas projeções e conclusões , que muitas vezes eu percebo erradas….no meu entender.
Façamos um pacto, que já estava implícito desde o começo, mas não declarado: Você faça questão de ser você, e eu, eu! Valendo para todos o modelo, claro!
Claro que o receptor vai querer estar no blog mais inteligente e no mais estimulante possível. Quem quer entrar no Blog do Mino Carta, do José Dirceu , por exemplo!?
:o)
Manda aí, Pedro….fôfo!
Ahahaha…
Outra coisa que você deixou bem clara: A diferença de linguagem, de postura do receptor perante os dois veículos, o jornal e o blog. O bloguista é um universo fechado. Ele há de ter uma ideologia; certos paradigmas que não transigirá, se for honesto -consigo mesmo, em primeiro lugar! E por ser/defender esta indiviudalidade é fatal o choque com seus leitores em muitos assuntos. Este diálogo, quando honesto é que dará a tão sonhada credibilidade, independentemente do crê um ou outro.
Abs.
Correção:
Outra coisa que você deixou bem clara: A diferença de linguagem, de postura do receptor perante os dois veículos, o jornal e o blog. O bloguista é um universo fechado. Ele há de ter uma ideologia; certos paradigmas que não transigirá, se for honesto -consigo mesmo, em primeiro lugar! E por ser/defender esta indiviDUalidade SERÁ fatal o choque com seus leitores em muitos assuntos.
Este diálogo, quando honesto é que dará a tão sonhada credibilidade, independentemente do QUE crê um ou O outro.
Abs.
Pedro, ontem cheguei em casa e li a matéria na versão do Estadão, achei o recorte exagerado num extremo me desagradei e resolvi recortar em outro.
Sugiro ler os comentários, caso vc ainda não os tenha feita, e notará que em geral aponto mais erros meus do que qualquer outra coisa.
O que publiquei é minha opinião sobre o debate e, como representando de um grupo caótico que queria que eu fosse lá com uma serra elétrica, eu tinha de deixar claro que por limitações humanas e inexperiência eu deixei passar boas oportunidades de ‘defender’ a blogosfera. Obviamente eu não queria sangue, mas poderia ter sido um pouco mais contundente, faltou jogo de cintura, faltou dominar o meio como citou o Éd Lascar no comentário acima, me sinto mais livre e solto no teclado, é minha terra natal.
E pra finalizar, como já disse nos comentários do meu post em resposta a alguns ‘macacos mais raivosos’ não tenho nenhum problema em fazermos outro debate para tratar de outros assuntos, não creio que seja necessário bater novamente nesta mesma tecla como alguns defendem.
E em nenhum momento saí dali com ranço de ninguém, mas discordei de algumas idéias, argumentos e posicionamentos, e se senti algo de algum outro integrante foi no máximo inveja de ainda não saber me articular tão bem em um ambiente daquele.
O jornal deve ser o primeiro meio de comunicação de massa a morrer. Não faz mais sentido, é caro, consome árvores, tinta e gasolina, para garantir distribuição e permitir consumo.
Blogs são subtitutos naturais para a parte relevante dos jornais: a investigação e divulgação de fatos e o compartilhar de opiniões. E sem abdicar do caderno de classificados.
PS: Quanto a generalização ridícula do Gilson eu já respondi ele em debate, está no vídeo e acho que é caso encerrado, pelo menos considerando o comentário que ele deixou no meu blog hoje.
O que pega, é cada blogueiro, se competente, torna-se editor de si mesmo.
Então, se você é Mesquita, Marinho, Civita ou Murdoch está se perguntando: como manter o consumidor que muda de veículo, do papel para o monitor, fiel à nossa empresa? Simples: lembramos ao sujeito nosso século de domínio da informação, e o convencemos de que, com nossa imensa experiência, devemos determinar quem é confiável como fonte de informação. Engana alguns, algum tempo.
[...] Efron Por onde vai a credibilidade da Internet? » This Summary is from an article posted at pedrodoria.com.br — on Thursday, August 30, 2007 [...]
o debate real é : como a imprensa e os jornalistas “tradicionais” vao evoluir num mundo onde a informaçao alternativa esta ao alcance de todos : nos leitores escolhemos, participamos, contradizemos, temos o poder de opinar e mudar “a matrix”…
Ótimo post.
Também discordo do que afirmou Edney. Achei a participação de Gilson Schwartz relevante. Ele levantou uma distinção importante: a questão do espaço público versus a opinião pública.
Infelizmente o assunto não foi devidamente explorado pelos demais. A participação de Pedro Dória foi também, na minha opinião, uma das mais contundentes.
Companheiro pedro doria
Eu, josef mario, devo dizer, com toda a sinceridade que me eh caracteristica, que achei este debate um saco. Nunca tinha visto ou ouvido falar de nenhum dos participantes e, fora um certo pedantismo da maioria, o que foi falado nada me chamou a atenção.
Quanto a participação do companheiro cuja figura, talvez la das imediações da miguel lemos e um pouco mais nova, não me eh estranha, achei que foi politicamente correta em excesso. Acredito que, se o companheiro fizesse um teste na globo para a proxima novela das oito, teria maior possibilidade de sucesso do que ficar insistindo neste negocio de blog.
Muito obrigado.
Acredito que o Edney Souza, a quem passei a admirar e ler seu blog desde ontem, aprendeu muito e só isso já é ótimo. Disse e repito que o debate não foi o que deveria ter sido, discordando do Pedro Doria. Até pela chamada: Credibilidade na Internet. Não foi esse o mote, o gancho, e sim, na minha humilde opinião: A reação dos blogueiros sobre uma campanha do Estadão. Seria o mais apropriado, até para o Estadão e quem sabe eu passaria a ler seus blogs. Por exemplo, com certeza não lerei o novo blog da Talent. A parada, na real, foi que o Estadão veiculou uma campanha dizendo, em outras palavras e sendo provocativo, “o que não está no Estadão é lixo”. O que que é isso camaradas companheiros? Pelo menos deveria colocar de uma forma mais honesta que é: “Saiba garimpar, senão acharás muito lixo. O Estadão já garimpou pra você”. Só que o que não é verdade é que eu tenho que aceitar o aval/garimpo do Estadão. Aceito o que eu quiser e garimpo o que me der na telha e, pra complementar, não só garimpo reafirmando cotidianamente meu livre arbítrio, como passo a ser emissor, mesmo sem ter blog. Isso que é muito louco. Louco de bom.
Tudo, no fundo, me parece restrito a questão de qualidade, não credibilidade. Grandes livros, grandes músicas, grandes blogs, os que ficam, são os que são de qualidade. Há muita coisa crível que não vende e não me interessa. O resto passa, ou atrai a massa ignóbil criada pelo Estadão Brasileiro que não investe em Educação & Cultura por não interessar o desmonte dos seus currais eleitorais.
Edney Sousa, o problema é que o fato de serem bons blogueiros não transforma vocês em bons oradores ou debatedores, falta cancha, velocidade de raciocínio, etc… Não era como querem colocar, um debate sobre o futuro dos blogs no Brasil, se fosse isso, o debate teria de ser bem mais amplo, ali se tratava do Estadão ter entrado de sola contra os blogs em geral procurando espaço para os deles. Vocês foram lá e defenderam os blogs de “vocês” separando joio do trigo, então entraram no mesmo jogo do Estadão, vocês fizeram papel de otários. Foram lá comprovar o que o Estadão quer mostrar, que a blogosfera está cheia de bosta, não que não esteja, é uma constatação obvia, só que eles não são o agente que irá separar o joio do trigo (nem vocês), eles são, só mais um veiculo querendo ganhar espaço, quem irá peneirar e fazer os blogs crescer ou sumir é o leitor. Se você fez piada com a citação de um e a menina Bruna falou algo relevante, a impressão que ficou é que o Gilson e os outros deitaram e rolaram em cima do despreparo de vocês, a Bruna fala muito mal cheia de hééé…huuum… Quase incompreensível. Não era necessário “sangue,” era para discutir, sem se exaltar, sem medo. Capacidade para isso, hoje em dia anda tão escassa…
Como pode ver, o pax aí em cima, tem praticamente a mesma impressão e postou quase ao mesmo tempo que eu… E acredite, aqui não tem gente muito tola…
O Estadao colocou uma campanha no ar, que teve uma reacao dos blogueiros, em resposta o Estadao promoveu um debate.
O debate talvez nao tenha sido a altura das expectativas de muitos, mas o que esta gerando parece que sim.
Me senti sacaneado com a comparação do macaco, o Estadão pisou na bola dessa vez.
A lebre já está levantada, no próximo debate que cada um leve um porrete.
A briga até onde vi se restringiu ao Estadão e aos blogueiros, o usuário (como nós) até agora só discutiu ao quiprocó deles.
Não adianta ficar detonando esse ou aquele meio, o “mercado” é que vai migrar de acordo com sua preferência.
Se algum dia achar que por aqui a coisa não está indo de acordo com minha consciência eu caio fora.
Creio que é por aí. Posso estar errado.
Concordo com o Pax e o Compadre Brancaleone na análise.
Acho que , nesta lista, não deixei clara a minha posição. Aqui vai:
O Estadão tem o direito de criticar a blogosfera no que ela tem de ruim, quando não mais pela simples razão de atrair assinantes, que é disso que eles vivem, e dos anunciantes, claro!
A campanha foi de uma felicidade ímpar.
Tanto que fez este rebuliço danado na Web entre os bloguistas que, em última instância querem duas coisas. Uns a credibilidade , outros a visibilidade. Ganhou a marola dos segundos, tipo o Blue Bus, por exemplo.
Ora, vão se catar! O problema existe, o Estado não é culpado por ele existir e se ele fatura com problema, é porque pode.
Ou deveria ser censurado simplesmente? SEr interdito à certas coisas!?
Ponto para o EstadãoTalent; a campanha foi vitoriosa em muitos pontos!
Eu, como frequentador de blogs , não me senti atingido e nem aos que frequento cai a carapuça!
Já outros, não dá para por a mão no fogo!
Abs.
PD, o negócio é o seguinte, quando eu me formei achei que tinha uma missão, salvar as pessoas, exercer a medicina de maneira missionária, enfim” fazer o bem”.
Até que, estudando fotografia, li uma frase sobre fotógrafos profissionais que me deixou uma pulga atrás da orelha: ” profissionais ganham dinheiro com fotografia, amadores gastam…”
Cheguei a conclusão que eu era um médico amador, gastava dinheiro, tempo e a própria vida numa atividade que em tese deveria me sustentar. E pior, ninguém queria ser salvo, eu me expunha a processos porque trabalhava exposto em emergências, a ingratidão somada ao anonimato me deixavam frustrado.
Não demorou muito para perceber que minha ingenuidade tinha ido longe demais, as pessoas não valorizam quem não se valoriza e aí me tornei um profissional. Quer isto? Custa tanto e as chances de dar certo são de 80%. Assine aqui sua concordância. Próximo paciente, por favor.
Digo isto porque finalmente você chegou na encruzilhada: profissionalizar ou não? Vai continuar blogueando sem compromissos ou a coisa vai ficar séria e vai pintar uma grana na parada? Isto não tem nada a ver com credibilidade, coisa que os mais chegados ao papel dão um enorme valor, porque não tem outro argumento e estão com medo….sim, muuuuito medo. Medo de perder uma fatia de leitores, verba, publicidade, enfim…TUDO. Isto tem a ver com satisfação pessoal.
Sim, porque hoje, com o cavalo na sombra, já posso voltar a fazer uma medicina mais amadorística, isto é, sem me preocupar tanto (sempre se tem que ser cautelozo nestes temas) e é muito mais gostoso brincar de médico do que ser médico. A decisão é sua, pessoal, relacionada a suas pretensões salariais e ao capital disponível. Algumas vezes amadores acertam na mosca e viram milionários. Acontece…pouco….mas já vi.
Bola de cristal (opaca e traiçoeira): o futuro é digital, por mais que o Estadão e a USP esperneiem.
Alvissaras.
Penso que o objetivo desta campanha do Estadão foi atingindo. Acredito que foi bem e sucintamente expressa por MarioAV (http://marioav.blogspot.com).
Há ainda muita ingenuidade e animosidade na blogosfera Brasil..o que lembra crianças. Entendam, não os estou chamando de infantis, mas lhes falta certa tarimba, manha. O Estadão é raposa velha. Ah..não entendam mal. Não estou dizendo que o Estadão seja falso (tenho lá suas críticas contra ele, é verdade). O que quero dizer (deu prá sacar pq não escrevo um blog? ) é que não se chega a idade do Estadão impunimente. Ali há muita experiência, conhecimento do ramo, não há mais a ingenuidade que os blogueiros nacionais ainda apresentam.
Se o debate não terminar por aqui, acho que terá sido válido o ranger de dentes…posso até ver um siso nascer..:D
abraços!
falando em blogueiros, eu preferia o chest “canal historique”…esse dracul ta tipo… diferente
Confetti, Vlad Dracul segurou os islâmicos nas oportas da Europa por muito tempo, de modo que é bem History Channel.
O problema dos grandes jornais é o seguinte:
A informação, bem que eles vendiam, está disponível on-line. Se eu me dispusesse a fazer um site de notícias, eu sozinho dava furos nestes grandes conglomerados só de acessar sites estrangeiros gratuitos. Logo, quem tem PC conectado não mais compra jornal para ter notícias, elas estão disponiveis de gratis.
Se você vende um negócio que passa a existir de graça, você fica APAVORADO!
Companheiro Pedro Doria,
Ao ler o seu texto, muito bem escrito e instrutivo, tornei-me menos ignorante sobre o que seja blog.
“Tecnicamente” não entendo nada sobre o assunto.
Comecei a participar, simplesmente, porque achei meio absurdas algumas idéias de alguns comentaristas e quis meter a minha colher de pau também.
Creio que muitos devem esta na mesma situação que eu.
Um texto assim, quase um tratado sobre o assunto, creio que será sempre muito útil.
Umas das coisas que noto, nos comentários, é que ninguém realmente está preocupado com “hierarquia”.
Aqui pode-se ter egos obesos, inchados, atrofiados “normais” etc. tudo vai para o mesmo caldeirão e dissove-se na sopa geral.
É uma experiência das mais ricas.
este é o jornalismo que sobreviverá:
Imaginem se um outro partido vaiasse a imprensa num evento. Nunca mais se levantaria. O PT “conquistou” mais esse direito. Quando a hostilidade à mídia teve início — no começo, era coisa das tendências mais radicais —, muita gente acreditava que tal coisa não fosse prosperar. Eis aí. Eles investiram pesado — dinheiro inclusive (a TV de Franklin Martins) — na suposição, falsa, de que existe uma mídia oposicionista. Com isso, pretendem ter licença para fazer qualquer coisa. Denunciados ou relatados, acusam conspiração. E, como se vê e se sabe, não têm mesmo limites. Se necessário, atacam o Judiciário de um modo como ninguém ousou antes. Se condenados, dirão que tudo estava previsto; se inocentados, então se terá feito justiça. É o PT em ação. Para eles, só uma decisão do Supremo seria legítima: a recusa da denúncia.
Eles sabem. É a voz da experiência. Quando o PT atirava primeiro para apurar depois, viu lideranças de outros partidos se encolhendo, com receio do que viria. Muita gente inocente fechou-se em si mesma, deprimida, constrangida pelo assédio da máquina de moer reputações em que o petismo, de mãos dadas com setores do Ministério Pública, havia se transformado. Os petistas entenderam que esse comportamento acuado dos inocentes não lhe serve. Eles têm a coragem e o desassombro dos culpados.
Por Reinaldo Azevedo |
Chest: jornalismo de luta, engajado, contra o poder constituído. Se ele vira situação, morre.
Já tive blog e parei quando vi meus textos e fotos roubados por outros ”blogs” como se fossem deles.
Gosto de blogs como informativos dos amigos. Ou quadro de recados. Aliás, o orkut se presta bem a isso, não? ótimo pra saber dos aniversários da galera.
la estao querendo domar os Blogs….a tentacao de controlar tudo eh caracteristica do ser humano, com enfaso quando o sujeito eh esquerdista…
debate bobo…perda de tempo…Blogo eh independecia na essencia…nao tem essa de debate pra saber qual a responsabilidade deles e todo o bla,bla,bla…
o bom dos blogs eh que posso abrir um hoje e fecha-lo amanha, caso seja da minha vontade, sem ter que dar trela pra ninguem…
blog eh independencia, amadorismo puro…blogs profissionais sao um saco , diga-se de passagem…
blog nao eh jornal, nem revista…se levarem os blogs pra dentro das merdas de redacao das merdas de revistas e das merdas dos jornais, acaba tudo…
deixem os blogs em paz!! eles se auto-regulam, nascem e morrem de maneira natural…
vao debater como vender mais jornais :P
*enfase
abstrato é raro que redaçoes “papel” nao tenham varios blogs ! nao se trata mais de “leva-los pra dentro das redaçoes”, ja estao !!
quase nao existem mais publicaçoes sem “versao on line” ! medo de perder leitores, perder influenca, dinheiro, desaparecer….ah é
Alguns pontos a mais na boa celeuma, com livre pensar e teclar:
1 - sim, se não fosse pra me aculturar e acreditar que posso contribuir com mudanças que acredito necessárias para meu mundo, não perderia meu tempo aqui. Paredão pra político ladrão e Educação pra todos, de alto nível, nesse Brasilzão que vivo e gosto tanto.
2 - não assino mais jornais nem revistas. As vezes compro um ou outro, quando me interessa.
3 - concordo com o Chest, não preciso de veículos fora da web pra me informar. Quando compro alguma coisa é porque gosto das opiniões ou matérias ali contidas e mesmo pra não ter que passar meu tempo todo na frente de um monitor. Não gosto de levar notebook pra rede pra ler alguma coisa. Não leio livros em computadores, já tentei.
4 - isto assusta os veículos tradicionais, claro que o Estadão, assim como o NYT, pensam na sua sobrevivência e incluem o assunto nos seus planejamentos estratégicos com alta prioridade. A turma das gravadoras, as antigas vendedoras de discos em vinil que o digam, até hoje estão se fodendo com o aparecimento de tecnologias que eles até agora não sabem explorar comercialmente com competência.
5 - ninguém sabe exatamente o que vai ser, o mundo é novo pacas, esse mundo das redes.
6 - vivemos sim numa macrotransição, foram as conquistas em comunicação, energia e transportes que nos levaram a esse momento. Em comunicação o futuro é menos previsível que nas outras duas áreas.
7 – pode ser que tenha me enganado com a participação do Gilson Schwartz no debate, mas acredito que ele foi infeliz pacas na forma das suas colocações. Vou até dar uma olhada melhor, mas a impressão que ficou fui muito ruim. Gosto muito das gentes da USP, da turma da Comunicação, da turma das Letras, da turma da Física, da turma da Arquitetura, pra citar áreas que conheço gente de primeira de lá.
8 – o blog do PD é o que mais freqüento. Disparado de outros. Porque? Nem sei direito, mas achei um blogueiro bão, que pauta assuntos que me interessam, que atualiza sempre, que tem competência nas fontes e pesquisas e que passou a ter relevância pra mim. Também gosto do nível dos comentaristas de forma geral. Aqui se acha gente de todas as opiniões, mas, principalmente é um encontro de gente culta e inteligente. Educadas nem sempre.
9 – ser somente receptor já não me interessa tanto quanto poder ser emissor também, independente de ter blog. Dá barato, saca?
10 – mesmo que ache a campanha da Talent infeliz, ela não é ruim de todo, tá repercurtindo, tendo recall. Mudo aqui um pouco da minha opinião anterior. O custo é que talvez não seja bem o que eles queriam, mas os caras são da área. Na minha opinião erraram a mão em detalhes. Há que se ter humildade. Mas não acho que o João Livi, a Talent nem o Estadão sejam maus. Nada disso, muito pelo contrário. Nenhum maniqueísmo aqui, só uma opinião. É do jogo. Mais que isso, se eu estivesse nesses sapatos, criaria novas peças, com o mesmo mote da campanha, limpando os respingos indesejados. Ia ser uma saída não só elegante como poderia ter um recall ainda maior. Torço por isso.
11 - caralho, pra ser fino, preciso sair e esse assunto tá me entusiasmando e novamente concordando com o Chest, ainda vou ganhar dinheiro com isso, podem acreditar.
É, eu realmente tenho dificuldade para enteder certas coisas. Identifico-me com o personagem Eremildo, o idiota, criado pelo Élio Gaspari. Essa elite de bloguiros que participou do debate no Estadão não percebeu que, de fato, foi pautada pelo próprio Estadão? Há quanto tempo, nas rodas de amigos, não se falava em algo relevante publicado, levantado, revelado pelo Estadão? O debate continua. O nome do estadão continua sendo veiculado como se lá, independentemente das pessoas, houvesse vida inteligente. Todo empregado da mídia sabe que tem um patrão e que pode ser facilmente substituído. A inteligência de cada um, portanto, fica limitada à política do patrão. O blog seria, em princípio, a libertação dessa subordinação, mas parece que ela está tão entranhada nas pessoas que elas continuam agindo como se também o blog fosse subordinado ao patrão no jornal. Será medo de, com a indeopendência, perder a chance de ter a proteção/prestígio de um grande jornal? Mas há, realmente, proteção/prestígio por se estar em uma chamada grande imprensa? Com meia dúzia de blogs inteligentes se está mais “antenado” do que lendo o que os patrões da chamada grande imprensa 9que não passa de uma grande empresa) tenta nos informar.
Companheiro pax
Eu, josef mario, devo dizer que o seu comentario nº 31 esta perfeito. Não concordo apenas com o item 11 - ” caralho, para ser fino”, eh coisa de viado. Eu, josef mario, enquanto macho atuante, devo informar ao companheiro que o meu tem 8cm de diametro.
Muito obrigado.
mas confetti,
estou me referindo ao controle dos blogs como um todo, pois os jornaizoes estao preocupados com a independencia que o blog proporciona a qualquer um…
quando digo que blogs profissionais sao um saco, falo do controle que eles passam a ter quando estao sob a batuta dessa gente…claro que tem blogs profissionais bons…pro jornaizoes eles sao mais um veiculo a fazer parte do seu ja vasto complexo…
o saco mesmo do tal debate eh querer dar direcao aos blogs, como se deve fazer, como deve se deixar de fazer e todo o bla, bla, bla…
os jornais que cuidem dos blogs deles…ate ai tudo bem, facam o que quiserem…
mas nao coloquem a tal blogosfera no contexto…ela nao pertence a esses caras, ela eh livre…me parece que eles querem eh doma-la, tomar pra si…
eu ja gostei da “macrotransicao”….ehehe
caramba, eu vivo isso e nem sabia :O
Pax:
Ófi-tópique: Opinião de Técnico: quando amigos perguntam sobre notebook costumo dizer o seguinte “- Antigamente não haviam tantos computadores por aí, note era necessário. Hoje em dia onde a gente vai encontra um computador. O risco no manuseio ou perda do equipamento num assalto é grande. Meu note está juntando poeira, levo tudo que preciso numa PenDrive de 4Giga. Um note hoje em dia se justifica somente em alguns casos”.
Oi Pedro, independente do veículo, sou seu leitor na revista da folha, nominimo, blog, link etc.
Achei, particularmente, a sua posicão e a posição do João Livi muito antiquadas. O diretor de Criação da Talent não me surpreendeu, pois todo dia, há 5 anos vendendo blogs e outras ferramentas de “guerrilha”, eu escuto comentários do tipo: “alguém lê blogs?” nas agências de propaganda. Por isso achei normal a visão pequena dele ao dizer que”não tinha referências de blogs no Brasil que eu faça questão de ler” (38′ do vídeo) .
Mas vc me surpreendeu. A divisão implícita em seus comentários sobre blogs x conteúdo sério, em discursos sobre o “jornalista tem um editor”, “comercial x conteúdo”, “igreja x estado”, “anos de credibilidade” foram tão antigos e preconceituosos quanto a campanha do seu jornal.
Ainda bem que o “Barão da Imprensa” Paulo Lima estava lá para defender o ponto dos blogs e mostrar que tem lixo no blog e tem lixo na TV e no Jornal (vc tinha esquecido totalmente disso e até ruborizou quando ele falou da TV a cabo e do publisher Renan). Tem falta de ética no blog e no jornal “sério”. É óbvio. Vale ouvir as intervenções pertinentes do Paulo nos 30′ e 34′ do vídeo.
Com certeza para você, o “blog” BlueBus, que vc cita muito, é muito mais “confiável” do que as centenas de blogs que falam de propaganda no Brasil. Mas a maioria destes outros blogs faz link para suas fontes. O BlueBus tira conteúdo dos blogs (nacionais e internacionais) e, na maioria das vezes, não dá link. Quem é mais correto? Para vc com certeza é o blog que tem um jornalista por trás.
Se eu for ver uma info para o meu ipod, por exemplo, com certeza eu confiarei muito mais no eupodo.com.br do que no Link. Tô certo ou errado?
O bacana, na minha opinião, é essa possibilidade de qualquer um falar sobre o que quiser. Os melhores vencerão. Seja ele um blog ou um jornal com 130 anos.
abs
GFortes: você viu uma ‘divisão implícita’ onde não havia. Não falei nada implícito, o que falei, o disse abertamente. Não acho que jornais sejam melhores do que blogs. São diferentes. Uma minoria de blogueiros tentam se comparar – a comparação sequer faz sentido.
Você tem uma boa noção de o que é credibilidade, aí. Eu sempre cito minhas fontes por aqui. Acho importante, sim. Quando falo que abandonar conceitos como a separação clara entre comercial e conteúdo é tolice, você pode considerar besteira. Mas com o passar do tempo, a blogosfera descobrirá que não é. Para alguns blogs, quando a descoberta vier, já será tarde demais.
Blog é coisa definitiva…e ponto final……..
e eu concordo com a Bruna, não foi ela que disse que os blogs educam?
Acompanhando toda essa enooorme discussão entre papel e tela de micro me lembro apenas dos 150 milhões de brasileiros que não tem computador.
Alguém aí já viu um rapaz ou uma moçoila, ganhadores de salário mínimo parando em um lan house pra ler notícias na internet? Nem jornal esse pessoal compra, pra eles é supérfluo.
Daqui a uns 20 anos quando um computador de verdade custar cinqüenta reais esse bate-boca todo vai pra algum lugar. Por enquanto é apenas discussão da “zelite previlegiada”. Fazer pobre se informar pelo jeito não é interesse de ninguém mesmo.
Ésquilo…tocando na ferida….mas não sei se voce e outros saberiam….mas muitas cidades aqui do interior / litoral paulista já tem programas educacionais de inclusão digital….inicio é bem verdade…mas caminhando……caminhando….
Ésquilo e HRP Mané, pra comentar neste mesmo weblog com um mínimo de consistência — como vcs conseguem fazer —, não basta a inclusão digital. É preciso saber (e costumar) ler e escrever. Falo com conhecimento de causa: sou professor universitário, e sofro há anos com alunos “analfabetos funcionais” e ao mesmo tempo apresentando o que chamo de “obesidade neuronal”. A analogia é mesmo com o paradoxo de encontrarmos índices alarmantes de obesidade em populações carentes…
Aprender a ler e a escrever não basta. É preciso praticá-los. Só assim o resultado deixará de ser o de um monte de gente que reconhece as letras e até mesmo as palavras, seja em papel ou na tela de um computador, mas não tem a menor idéia do(s) sentido(s) que se extrai delas, e muito menos como interagir e produzir algo próprio a partir dessa compreensão.
pois é ricardo, mas se o programa de inclusao digital funcionar, junta a fome ca vontade de comer : web motiva, capaz de entusiasmar e ajudar o pessoal à evoluir ! é tudo que o brasil precisa
Ésquilo,
Uma das coisas que acho fascinantes na marcha da História é exatamente essa convivência entre o “atrasado” e o “moderno”. Isso sempre aconteceu, mas agora as mudanças são muito mais rápidas. Nesse sentido, não vejo porque condenar esse tipo de debate como elitista porque eventualmente ele atingirá muito mais gente, até porque avançam os programas de inclusão digital, como diz o Mané.
Por outro lado, estou com o Ricardo quando diz que a questão não é exatamente o acesso ao computador: é o acesso ao mundo das letras. Quem não consegue ler satisfatoriamente - e são muitos, mas muitos mesmo - e usa a wikipedia pra “colar” trabalhos sem se perguntar ao menos o que há de errado nisso, terá muita dificuldade em escrever.
Eu trabalho com adolescentes, com idosos, com adultos em cursos universitários e com adultos empregados e subempregados em curso para concursos públicos. Nesse último, mas não só nele, sabe qual é o maior terror? A prova de redação, quando há..
Salut, confetti! :)
Bom assunto esse mas a educação básica aqui no país é muito ruim mesmo….e o conjunto de ações que precisam ser postas em prática demanda tempo e paciencia……que está acabando……Aliás quem arrisca comentar o se chama aqui em São Paulo “Progressão Continuada”?
Confetti, web pode motivar, mas se você fizer uma pesquisa mais profunda — isto é um palpite, viu? —, verá que a maioria se mantém circulando em torno das mesmas coisas, de áreas razoavelmente conhecidas, sem se aventurar tanto assim em vôos mais altos, que exijam bastante reflexão, análise crítica, cultura maior do que a velha revista Seleções etc. Quantos de nós não têm um super computador e usa para… jogar paciência, ou então como uma mera máquina de escrever? É um paradoxo antigo como a humanidade: quanto mais fácil, mais difícil…
E a notícia levada até a camada mais pobre da população não é um meio de combater o analfabetismo funcional? Que os caras leiam o texto e discutam o pouco que entenderam, daí cria-se de pouco a pouco algum discernimento.
O texto mastigadinho jornalístico é algo mais fácil de encarar do que literatura, convenhamos. Que uma coisa leve a outra, obviamente.
Mas quais iniciativas semelhantes (que tenham chegado perto do grau de bafafá causado pelo “macaco blogueiro do estadão”) foram discutidas neste meio, digamos, nos últimos anos?
A briguinha pela atenção na/da internet, entretanto…
Sobre a inclusão digital… “De acordo com o levantamento, somente 2,1% das pessoas com idade a partir de 10 anos disseram ter freqüentado um centro gratuito; 10,5% usaram a rede em domicílio; e 4,6% em centros pagos. Dentre o grupo menor renda, apenas 0,9% utilizou centros gratuitos frente aos 4,5% da população mais rica.”
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/08/09/materia.2007-08-09.6513478275/view
Tá mais pra arrastando do que pra caminhando.
Mané,
A Progressão Continuada foi um bom projeto na concepção: previa acabar com a repetência a partir de atenção especial aos estudantes com mais dificuldades. Com isso, haveria classes funcionando nas férias, de forma a trazer esses estudantes ao nível dos outros.
No entanto, a execução é que foi um verdadeiro desastre. Por muito motivos que fica difícil discutir por aqui, o que acabou acontecendo foi a interpretação de “aprovação automática”. Isso levou a um monte de aberrações, como uma que assisti: um menino foi verificar a lista de aprovados no 3o. Colegial e achou seu nome. Teve um acesso de riso na porta da escola, já que declarou só ter frequantado a escola por.. dois dias. (eu tinha ido visitar uma amiga, porque faz tempo que não trabalho em escolas públicas).
Agora, parece, as escolas estão tentando retomar as rédeas e implantar controles, cada uma da forma como entende a melhor. O governo do Estado anunciou prêmios em dinheiro para as escolas que apresentarem melhor desempenho, o que acho boa idéia, em princípio, embora amigos da Apeoesp tenham críticas. Veremos.
Ésquilo,
Várias escolas públicas contam com equipamento melhor do que muitas particulares em se tratando de computadores. O problema é que, nem os alunos sabem se mover nesse ambiente, limitando-se a jogos ou orkut, ou msn, e nem os professores, que muitas vezes, tem exatamente o mesmo hábito dos alunos.
Parece que falar em informatizar as escolas geraria algum milagre, quando computadores são apenas mais uma ferramenta de aprendizagem. Só que ainda não se sabe como usar essa ferramenta.
E usar textos jornalísticos é mais fácil, sim. Eu mesma uso esse recurso. Mas lembro que qualquer coisa envolvendo educação demanda tempo e paciência.
Ésquilo, a Alba abordou com mais precisão que eu a questão da inclusão digital. Limito-me a reiterar a questão da leitura e da escrita. Ler todos os dias o mesmo resumo de notícias, o mesmo blog e até o mesmo jornal, não basta. É informação, mas não necessariamente formação.
Nos meus tempos de graduação, além de ter que produzir trabalhos acadêmicos para várias disciplinas, ainda tinha grupos de estudo fora da universidade. Só para um deles a exigência era ler 100 páginas semanais, no mínimo, e debatê-las no grupo. Conseguir ler — e entender — textos acadêmicos num volume desses não se aprende na faculdade, aprimora-se nela. Hoje em dia, como professor, se apresento um texto de 10 páginas aos meus alunos, eles reclamam que é enorme, e volta e meia pedem que eu resuma para eles…
Nunca é tarde para começar a ler, claro, mas é bem mais difícil quando se faz isso mais tarde.
Pax, concordo totalmente com seu comentario 31, dando enfase ao ponto 10, - “Mais que isso, se eu estivesse nesses sapatos, criaria novas peças, com o mesmo mote da campanha, limpando os respingos indesejados. Ia ser uma saída não só elegante como poderia ter um recall ainda maior.”
Eles, ou quem viu ai uma oportunidade, deveriam dar continuidade, nao so limpando as partes indesejadas, mas mostrndo novos posicionamentos. Os blogs ainda sao uma folha em branco, que acredito possa ser utilizada e muitas formas e jeitos, nao so como fazemos hoje.
Ricardo, vc escreveu o que eu ia dizer. Ter um computador ligado a rede nao confere as pessoas a possibilidade ter acesso as informacoes que aqui temos disponivies e muito menos compreende-las.
Para poderem utilizar ao maximo o que aqui nos e oferecido, temos que ter exercitado e muito a leitura e a escrita, e principalmente terem aprendido que sao responaveis por seu conhecimento e que tem o direito de escolha.. de escolher o que e aonde vao ler, aonde e como vao se informar.
Agora, para mim fica um pouco obscuro aonde os blogs poderiam ajudar nessa troca de conhecimento. Posso estar lendo os blogs errados, mas na grande maioria dos blogs que tenho lido(nao querendo generalizar) quando uma pessoa escreve um comentario que talvez nao seja “tao inteligente” ou demonstra pouco conhecimento do assunto em pauta, via de regra, ele e ridicularizado, menosprezado quando nao totalemente desrespeitado. Ai como e que voce vai poder ajudar alguem a compreender o assunto se so quem comenta tem que ter um elevado conhecimento do que esta comentando??
Gwyn, se for para aprender boxe com palavras, a web é mesmo o melhor lugar… Para se separar o joio do trigo, só tendo alguma estrada. E para pôr o pé na estrada, é preciso calçados adequados e alguma forma física. Esses pré-requisitos dizem respeito justamente às questões levantadas por vc, Alba e cia.
Chest,
Gostei realmente de ler sobre esse seu outro lado.
Quanto aos blogs, pode ser perfeitamente que você tenha razão, assim como o Pax.
Alba:
Não sei se você vai concordar mas…
Progressão Continuada, EJA, Acelera e outros programas visando aprovação na marra dos alunos eu classifico como “Projetos Pé na Bun..”.
Isso tudo começou na época do Fernando Henrique e o motivo principal não tem nada a ver com o bem estar da criançada.
O primeiro motivo é melhorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, dá muito na cara distribuir diploma então, passa todo mundo e dá logo o papel prô povão.
O segundo motivo é o custo do aluno repetente: é muito alto.
Quanto à inclusão digital, olha durante um ano e meio fiz manutenção em laboratórios de escolas, a maior parte dos problemas que encontrei foram vírus e spyrewares que vieram de páginas com pornografia (é só checar o histórico do Internet Explorer e confirmar).
A maioria dos programas que bloqueiam isso os alunos davam um jeito de burlar mas, isso é outra história.
No fundo quem não está preparado para ministrar aula utilizando a net são os professores que ganham mal e porcamente, não dá pra pagar + ou - 140 reais por mês numa linha telefônica com ADSL, imagina mais o modem e o equipamento em si…
Já falei isso por aqui, enquanto não investir nos professores a educação não decola.
[...] Por onde vai a credibilidade da Internet? (tags: pedrodoria.com.br 2007 mes7 dia31 at_tecp debate blogging) [...]
(1) Fazer dinheiro é um dos motivos de interagir na Internet, mas não é o único.
(2) O clima político está chegando à blogosfera e é normal (apesar de insuportável) que a coisa fique mais difícil de discutir. De qualquer forma, discutir, discutir, discutir - esse é o caminho.
(3) Você é um dos jornalistas com maior credibilidade aqui no cafofo.
Fui clara? Fui óbvia?
Proftel,
Pelo que sei, ao menos em São Paulo, a Progressão Continuada começou com a secretaria municipal de Paulo Freire. E a idéia era mesmo boa.
O problema é que como tudo em educação, dá trabalho e exigiria avaliação de desempenho, o que não existe, dependendo dos diretores tão somente.
Daí, com classes superlotadas, salários baixos e falta de preparação dos professores, porque muitos têm terríveis falhas de formação - deu no que deu.
Não se trata apenas da questão salarial. É preciso investir na formação de professores. Há 20 anos, quando eu ainda trabalhava no Estado, ouvi de uma professora que jamais havia lido um livro inteiro. Isso, há 20 anos!
E, sim, por mais que as entidades de professores reclamem há que medir desempenho. De outra forma, voltamos ao velho jogo do fingimento.
Quanto aos computadores, é o que o Ricardo disse: muitos que os têm e usam, usam-no pra papear no Orkut..:(
Alba:
A primeira escola onde lecionei foi em Cubatão, C.E. Afonso Shimidt nos idos de 1995, uma Escola Padrão (lembra?).
Conheço a realidade daí também.
Não muda muito.
O mês dos blogs…
Hoje é celebrado o Dia do Blog. Excelente pretexto para fazer um balanço deste mês de agosto, possivelmente o mais agitado de toda a história da ainda incipiente blogosfera brasileira. Encontro de blogueiros e leitores no Rio, rankings e o mapa do …
Achei esse comentário aqui interessante, faca na bota, do Cardoso - Contraditorium - sobre o Debate… não vou comentar lá embaixo porque já mofou com a velocidade da luz que o PD anda postando por aqui, tá me deixando louco e vou pedir já já aumento de salário ou pagamento de horas extras…
http://www.contraditorium.com/2007/08/31/parem-o-mundo-que-quero-descer-blogueiros-nao-sabem-debater/
fui censurado, mas vai aqui de novo a provocação
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070831dc.html
Assisti ao debate hoje pela manhã. A meu ver, o placar ficou: Estadão 10, Blogosfera 0. Um resultado óbvio para quem está de fora e pode ver a situação de forma mais abrangente.
No debate, já o achei um homem educado, mas depois de ler esse texto, reitero e reforço: você não é apenas educado, é um homem fino. Aliás, como todos os que estavam ali, com a maior paciência do mundo, dando espaço para quem não sabe ao certo pelo que está brigando - foi o que pareceu. Foram lá para provar que não eram macacos e caíram como patos. Desculpe-me, Edney, Bruna e Carlos, mas vocês pisaram na bola.
[...] quiser, leia o que disseram oEdney Souza e o Pedro Doria, que estavam na mesa redonda. Depois, digo o que acho (talvez você nem queira saber…) [...]
Companheiro estadão X blogs: o debate (de novo) « Monitorando
Eu, josef mario, devo dizer que o companheiro está com toda razão. Eu, josef mario, não tenho nenhum interesse em saber a opinião do companheiro sobre este debate. Se o debate, por si só, já foi um saco, imagine um comentário requentado sobre o mesmo.
Muito obrigado.
Pelamãedoguarda! isto é um feature do Wordpress, ou Technorati, cacete!
É automático este “hook”. Se é que se chama hook. Mas a idéia é essa.
Parece o cara contestando uma secretária eletrônica!
:o)
[...] Por onde vai a credibilidade da internet? [...]
Andei “meio” sem tempo, especialmente após o lançamento da ação sem fins lucrativos da Cidade do Conhecimento no Second Life. Mas não poderia deixar de registrar duas coisas: embora minoria, algumas pessoas na blogosfera sacaram o sentido e a ironia de minhas provocações. E mais uma: seja qual for o grau se “simiocidade” de cada blogueiro, é contundentemente óbvio o excesso de adjetivos usados pelos que se levam a sério ou querem ser tomados como “referência” (do Hernani Dimantas ao interney-adsense, passando por outros menos festejados): o professor é ridículo, achei as “gentes da USP” assim ou assado, gosto disso, detesto aquilo, foi arrogante, etc. Entrar na discussão mesmo, nada, pois isso exigiria mais que os cinco minutos necessários para postar uma opinião totalmente subjetiva. Meu resumo da ópera (bufa) é que a maioria dos blogueiros (ou candidatos a) apenas confirmou o lixo que são capazes de produzir a partir de seus próprios umbigos e espelhos. Falta pesquisa, falta estudo, falta relevância, como acertadamente afirmou o Pedro Dória já no dia do debate. No mais, recomendo ao pessoal que visite o site do Instituto de Estudos Avançados da USP, onde está em discussão uma obra séria e relevante, que é “A Riqueza das Redes”, onde em lugar de adjetivos existe teoria, pesquisa empírica, modelos políticos e filosóficos de alguém que não é “blogueiro”, mas um estudioso do assunto. Quanto ao mais, alguns dos melhores “blogueiros” estão fazendo curso de pós (na USP e alhures) e até vivem de um bico ou trampo temporário em algum projeto na Universidade. No mínimo por uma questão ética, deveriam parar para responder aos cutucões e provocações. Para quem vestiu a carapuça dos chimpanzés, recomendo a leitura da apresentação de Martin Grossman no IEA.