George W. Bush nu, Hillary Clinton nua

EUA · História · 30/08/2007 - 08h58 - 38 Comentários

Em finais do século 19 e pouco mais de metade do 20, postura era importante. Não que tenha deixado de ser – mas era obsessivamente importante, como é importante hoje ser magro. A boa postura dos jovens era uma missão que os grandes centros de ensino tomavam para si.

Então fotografavam os alunos nus.

Nos EUA: Harvard, Yale, Princeton, Vassar – algumas das melhores universidades do mundo, até fins dos anos 1960, enfileiravam seus alunos de primeiro ano, faziam-nos despir, tiravam uma foto de frente, de lado, de costas. No fim, quando a tradição estava quase extinta, algumas escolas permitiam às moças que ao menos mantivessem suas calcinhas.

Sim: é possível que em algum lugar, em algum arquivo de Yale, esteja uma foto de George W. Bush nu. Ou de Hillary Clinton nua. Não só deles mas de toda elite intelectual norte-americana: Camille Paglia, Naomi Wolf, Nora Ephron. Quem passou pelas grandes universidades foi registrado. E sempre houve o boato de algum lugar no qual aquelas fotos vazaram, para horror dos estudantes. O vazamento nunca aconteceu.

Se no início eram fotos posturais, cujo objetivo era fazer análise de como se apresentavam seus alunos, ao longo do tempo, mudou. As fotos começaram a servir ao trabalho do psicólogo W. H. Sheldon. Ele desenvolveu um conceito a partir do qual era possível definir a personalidade, o grau de inteligência, a capacidade moral e as possibilidade de conquistas futuras examinando o corpo de seus pesquisados. Interessadas em colaborar com seus estudos, as grandes universidades permitiram a Sheldon que analisasse e, posteriormente, participasse ele mesmo das seções fotográficas que registravam os alunos para a posteridade.

As idéias de Sheldon, com forte cheiro de eugenia, se perderam em meio ao lixo que a ciência já produziu. E o hábito de fotografar seus alunos nus desapareceu. Ao longo do tempo, descobriu Ron Rosenbaum, do New York Times, aquelas fotografias foram em grande parte incineradas. O que sobrou dos arquivos está em Washington, capital, na Smithsonian Society, trancado e protegido. Têm valor histórico, talvez. O acesso é difícil e controlado: memórias de um hábito estranho, muito estranho, que um dia, não há muito, foi considerado normal.

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