Jorge LaNata e os escândalos de Kirchner
Os escândalos crescentes do governo Kirchner estão trazendo de volta um velho e conhecido jornalista dos argentinos: Jorge LaNata, fundador do diário Página/12. Até alguns dias atrás, ele atuava como o repórter estrela do semanário Perfil. Foi ele quem investigou e levantou, em junho, a história da mala com 60.000 dólares em espécie escondido bizarramente no banheiro da ministra da Economia, Felisa Miceli. (Custou-lhe a demissão.)
Seu trabalho mais recente foi a apreensão de outra mala, esta com 790.000 dólares, apreendida no aeroporto de Ezeiza, trazida pelo representante oficial do governo venezuelano num jatinho fretado pelo ministro do Planejamento, Julio De Vido.
Num país em que livros vendem – e muito –, LaNata é autor de vários, incluindo um dos maiores best-sellers locais dos tempos recentes, Argentinos, publicado em dois volumes, que conta a história do país. Aliás: melhor do que isso. Faz uma leitura da história argentina, desde as duas fundações de Buenos Aires até o drama que não vai embora dos desaparecidos.
Carlos Castilho, do Observatório da Imprensa, o entrevistou:
Muitos dos escândalos que sacudiram a opinião pública do seu país resultaram de denúncias feitas por funcionários públicos. Isto geralmente é uma conseqüência de interesses pessoais contrariados, uma espécie de vingança. O senhor concorda com este enfoque? E se concorda, por que há tanta desunião entre funcionários públicos?
As fontes das denúncias são muito diversas, desde o rapaz encarregado de fazer uma fotocópia de documento e que faz duas para nos entregar, até funcionários da própria Presidência, interessados em prejudicar colegas. Uma informação nunca é inocente, quem a fornece tem alguma razão para tal. Mas que atitude devo tomar? Perguntando-me quem me está passando a informação, por que e se ela é correta? A resposta a esta pergunta tem, inclusive, um viés generacional. Nos anos 1970, em geral, nós nos preocupávamos, primeiro, em descobrir quem era o responsável pela informação e que interesses estavam por trás dela, o que nos transformava numa espécie de vanguarda protetora da consciência dos leitores. Nos anos 1980, passou a ser mais importante investigar se a informação era verdadeira e, em caso positivo, publicá-la. Pessoalmente creio que a informação tem um valor revolucionário, mas também é uma catarse. [...]
O Brasil vive um processo similar ao da Argentina em matéria de denúncias envolvendo funcionários do governo federal. O senhor acredita que é uma mera coincidência ou há um processo comum em marcha? O fato de que ambos os países sejam governados por presidentes apoiados pela esquerda é um fator importante neste processo?
Acredito que ver toda a América Latina como uma região caminhando para a esquerda é um erro, ou pelo menos uma visão apressada. [Michele] Bachelet, no Chile, não é a mesma coisa que Tabaré [Vazquez], no Uruguai, nem muito menos [o presidente venezuelano Hugo] Chávez ou Rafael Correa [do Equador] ou Evo [Morales, da Bolívia]. No caso de Kirchner, acredito que ele está enredado em seu próprio discurso político: fala desde uma suposta posição de centro-esquerda, mas governa a partir de uma direita, mais segura. Evo Morales, por seu lado, encarna um projeto verdadeiramente insólito de governo indigenista, num país à beira da secessão, enquanto Correa e Chávez se propõem a governar a partir da esquerda, mas adotam atitudes cada vez mais autoritárias. Na comparação entre Brasil e Argentina, me parece que devemos levar em conta também grandes diferenças entre as respectivas burguesias locais.
Qual foi o papel do público argentino na investigação dos escândalos e denúncias de corrupção governamental? Assistiu passivamente ou colaborou com as investigações, fornecendo novos indícios ou provas?
Depende de cada caso e dos jornalistas autores das denúncias. Mas, de maneira geral, não existe entre o grande público uma preocupação com as instituições. A maioria da população ainda prefere os que ‘roubam, mas fazem’.
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Confesso que hoje sei mais sobre a política americana que sobre a política argentina, já me condenando por isso. São sinais de um império, nem olho pro meu vizinho mas olho pra matriz todo dia. O que me chama mais a atenção é o mesmo efeito lá que houve cá, ou seja, a desmobilização da sociedade civil por conta da ditadura militar. O resultado geral é essa visão medíocre que temos cá e lá da escola Maluf. Nessa onda surfam os ladrões dos cofres públicos, sinceramente, na minha opinião, os maiores criminosos dos países.
Quando vejo um garoto cometendo um assassinato na esquina, pra comprar uma pedra de crack, fico puto com nosso permissivo sistema penal que acha que vivemos no primeiro mundo enquanto ainda somos do terceiro, mas fico mesmo é muito puto com esses políticos brasileiros que roubam o dinheiro que deveria ir para as escolas, hospitais, segurança pública e todo resto. Tá demais, tá canalha demais, tá me doendo demais.
É por essas e outras que adoro o mote de Paredão pra Político Ladrão. E agora, com um novo conhecimento de um novo amigo aqui do blog, com munição gold, potente, rápida e explosiva, na cabeça desses filhos das putas. E aproveita que tô calmo, senão mando empalar, caso vire deus.
Duas outras coisas:
O papel da imprensa digna é fundamental. Ajuda a alimentar o nojo necessário pra mudarmos esse quadro. Uma hora a gente se mobiliza. É minha única esperança coletiva.
Hoje é dia do tal debate sobre credibilidade na web, que vai passar no site do Estadão. Acho que vou, com boné do MST, pro Chesterton não me reconhecer.
Pax, fico pensando que essa seja a forma de chegarmos a um pais melhor, primeiro vendo TUDO que os politicos sao capazes, e que TODOS no final agem da mesma forma. Agora que nao resta mais nenhum partido ou ideologia para se experimentar ou testar, fica a pergunta….o que e como fazer??
Nos mobilizarmos. Como ainda não sei. Mas o caldeirão já tá pronto pra isso. Basta, né não?
Há pouco fui presidente de uma associação de proprietários rurais na região onde moro. É um começo. Conseguimos algumas coisas para a região, tínhamos acesso direto aos vereadores e ao prefeito da cidade, nos envolvemos com os bandidos que temiam levemente nossa atuação, por conta dos votos locais, bem como fizemos inúmeras denúncias para o Ministério Público da região. O promotor daqui, o que lida com questões ambientais, é bom. Mas é pouco, muito pouco.
Quanto as denuncias eu ainda nao tenho uma opiniao formada. Vivo a 10anos num pais que a denuncia faz parte do dia a dia. Eu mesma ja fui alvo de duas denuncias, fui uma vez denunciada ao servico social ( em relacao ao meus filhos), e na segunda vez ao departamento de invetigacoes ( eu trabalho numa instituicao financeira) da empresa que trabalho. As 2 denuncias partiram de colegas da empresa que trabalho.
Acredito que denunciar talvez seja a forma de diminuir e muito o que acontece de errado/ilicito, mas como o La Nata fala, muitas das denuncias sao por vinganca ou inveja. Mas, como diz o ditado, quem nao deve nao teme…
Aqui quem trabalha numa instituicao financeira tem que passar por um treinamento sobre lavagem de dinheiro - Money Laundering Regulations. Esse treinamento e obrigatorio e todos os anos e preciso fazer uma prova para comprovar que tem total conehcimento das regras de como denunciar (Suspicious Activity Report (or SAR) uma suspeita de lavagem de dinheiro. NA Inglaterra em 2005 foram registradas 200.000 SARs e esse numero cresce 50% ao ano. Aqui fica dificil sair de um banco com uma mala de dinheiro sem ser denunciada.
Pax…de pouco em pouco que se chega lá..
E se cada um de nós fizermos só esse pouco….
É isso que precisamos nos conscientizar, que mesmo um pouquinho que se faça, se todos fizermos esses pouquinhoS no final fará uma GRANDE diferença.
A semelhança dos escândalos na Argentina e no Brasil param nisso.
Nossos vizinhos se apresentam muito mais politizados (chilenos e outros paísea da América Latina também).
Mobilizar a população em Buenos Aires é muito mais fácil que em Brasília, se nossa capital ainda fosse no Rio provavelmente até o Sarnei não teria terminado o mandato.
Uma coisa que ninguém falou até agora, a atuação da Polícia Federal, esse é um caso a parte e se explica: até uns 5 ou 6 anos atrás não era necessário nível superior para prestar concurso para Agente da PF, hoje é necessário nível superior.
Com esse “sangue novo” melhor preparado intelectualmente houve um período de adaptação, os antigos aposentaram ou saíram da corporação. Novas levas do mesmo nipe entraram e o resultado está aí.
Até hoje não encontrei essa análise em lugar nenhum por aí, falo isso por acompanhar os concursos e a visível melhora na atuação da PF.
Ófi Tópique:
Éd Laskar:
Dá uma olhada nisso aqui (sobre vírus, um tutorial muito bom!):
http://www.forumpcs.com.br/viewtopic.php?t=184052
:-)
Concordo com o aparte do Alexandre, a valorização da nossa Polícia Federal e do nosso Ministério Público é um bom caminho.
Munição gold pra eles.
Gwyn, isso mesmo, a Democracia tem um tempo e um preço a serem pagos.
Adoro essa morena, de seios fartos, ancas fortes, canelas finas e calores intensos.
E eu achando que voce preferia as loiras… as aparencias realmente enganam..
Proftel, obrigada pela dica…
Correa e Chávez se propõem a governar a partir da esquerda, mas adotam atitudes cada vez mais autoritárias…..
chest- claro, a esquerda nunca foi autoritária, os esquerdistas quando autoritários , imediatamente passam e se chamar direitistas…ora caraios, assim não dá, é muite desonestidade intelectual.
Tenho idiossincrasias não Gwyn, é figura de linguagem, gosto mesmo é da Democracia, da Informação e do Estado de Direito. Chumbo em corrupto é meu novo mote, dentro desse quadro geral. Munição gold, claro.
Para los hermanos, quero o mesmo que quero pra cá. Eles fortes, nos ajudam. Só não em futebol, por favor. Aí é pedir demais, e não tenho vocação pra Madre Tereza de Calcutá.
A Argentina é um país estranho.
Já chegou a ser considerada um dos países de melhor qualidade de vida e despencou inúmeros degraus.
Era o Brasil amanhã e hoje está totalmente invertido, as coisas acontecem primeiro no Brasil e muitos anos depois ocorrem na Argentina.
Se existe um país que andou para trás, certamente foi a Argentina.
Chest, já que você abandou o Vlad,
A propósito, foi noticiado que o cateslo do Vlad está à venda,
Mas voltando ao assunto,
o problema é que você confunde “esquerdista” com stalinista.
Quase todos os grandes “gênios” do mundo foram “esquerdistas”, chame-se, Eistein, Picasso, Neruda etc.
Difícil mesmo é encontrar um “gênio” direitista!
Defino “esquerdistas”, esssas pessoas que têm um amor incondicional pela humanidade.
“Tenho idiossincrasias não …” estas confirmando ou negando?? rsss
Chumbo grosso em corrupto seria uma forma fácil de resolver o problema, mas acarretaria muitos outros, não achas??
Viva a Democracia, a informação.. a EDUCACAO, é por aí que teremos um Brasil melhor para todos.
Uma curiosidade minha, aqui Calcuta hoje se escreve Kolkata, como Bombay se escreve Mumbai..ai tambem aconteceu essa mudanca?
O Pax fez uma “mea culpa” sobre seu desconhecimwento sobre politica argentina….ora ora!
Aonde nos informamos sobre ela?
Nossos jornais são zero! nesse item!….tá desculpado Pax!
Gwyn // 29/Agosto/2007 às 10:13
“Uma curiosidade minha, aqui Calcuta hoje se escreve Kolkata, como Bombay se escreve Mumbai..ai tambem aconteceu essa mudanca?”
Por enquanto as coisas, pelo meno na língua portuguesa, ainda estão “normais” por aqui.
Mas explica que modos estranhos de escrever são esses?
well…realmente pouco sabemos de nossos hermanos,a não ser que as chicas são muito hermosas.
A Argentina ja viveu períodos de prosperidade e desenvolvimento, sendo que na década de 50 era umas das grandes economias do mundo,graças a lã e carne.
Mas aí veio Perón e seu caudilhismo populista e deu no que deu…..
Aqui no Brazil nossas instituições políticas ainda não são fortes o suficiente.São assaltadas e ocupadas por grupos que chegam ao poder e delas se servem.Tornam-se deformadas.
Temos um presidente do Senado que, apesar de evidencias e provas de irregularidades, diz que não sai….e pronto!
Só o fato de se discutir se Luis Inácio “merece” um terceiro mandato já descredencia qualquer indício de verdadeira democracia e pluralismo. Cogitar terceiro mandato, seja lá de quem diabo for, é passar recibo de atraso e prenúncio de ditadura do partido único. É a isso que estamos condenados, infelizmente….
E a América Latina está sendo condenada ao atraso, seja com o bolivarianismo messiânico do comandante Chavez “Chapolin” ou com o indigenismo nacional-socialista de Morales, passando pelo Equador, que se tornou uma franquia da Venezuela.
Enquanto isso, Chávez distribui “maletas” entre aliados e acha-se isso a coisa mais normal do mundo…..
Alguns acham até…. “revolucionário”…..
Gwyn: Defino “esquerdistas”, esssas pessoas que têm um amor incondicional pela humanidade.
ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká
Chavez, Morales, Lula, Kirchner = Eixo Circense
Dom Casmurro….
A cidade de Calcutta resolveu chamar-se Kolkata uma variante de Kalikata que era o nome de uma das 3 vilas que foram vendidas para as Companhias das Indias em 1698. E Bombay( em ingles e Bombaim em portugues) e desde 1995 oficialmente mudaram o nome para Mumbai que é como se pronuncia em Marathi.
Chesterton Dracul // 29/Agosto/2007 às 11:56
ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká ká
Adoro poder fazer as pessoas rirem, mas dessa vez nao é mérito meu…
De qualquer forma vale uma boa gargalhada, não é???
Legal, Proftel! Parte das dicas eu usei também para estripar o Norton: o Process Explorer.
Bem interessante todo o processo se……eu entendesse um pouco mais de informática!
:o(
Valeu!
O mesmo modus operandi dos aloprados de Lula, dos financiadores de campnha do PT!
Não se diferenciam muito porque são todos signatários do Foro de São Paulo. Onde sentam as FARCs e outros “revolucionários” tããããaõ democráticos!!!
Corja de vagabundos, isto sim!
Abs.
É, não temos em nossa academia e imprensa estudiosos da Argentina como temos dos Estados Unidos ou do Principado de Mônaco.
Daí nossa estranheza com algumas coisas que provêem do nosso vizinho. Alcançando o nível de vida que já alcançou, com índices de analfabetismo inferiores aos de alguns países Europa, esperaríamos uma consciência política e um compromisso com a democracia pelo menos superior ao do brasileiro.
Mas o ilustre jornalista informa que a maioria prefere mesmo é “quem rouba, mas faz”. Prefere entronizar o caudilhismo peronista; deu seu apoio a golpes de estado, que nem quase toda a América Latina semi-analfabeta.
Em 73, elegeu numa eleição fajuta Hector Campora sabendo que ele renunciaria para passar o cargo a Perón, este no fim da vida. Viu depois sua mulher, Isabelita, ser manipulada por um sujeito todo estranho (como era mesmo o nome dele? Lopez de Rega, era isso mesmo ?).
E tome-lhe mais golpe militar, pavorosos casos de adoção de crianças tomadas de presos políticos jogados ao mar. Júbilo nacional pela aventura ridícula de Galtieri nas Malvinas, eleição de um sujeito com o penteado de Menem.
Esses argentinos são mesmo uns neuróticos!
Para o Mané:
http://news.google.com.br/news?ned=es_ar
Não há de quê!
:o)
[...] que falta à cura desta cicatriz que, um quarto de século depois, não fecha? Jorge Lanata (citado há uns dias) foi entrevistado pelo repórter Ariel Palacios, na Argentina, com o objetivo de comparar a [...]