Uma entrevista aos sábados

Artes · Gente · 25/08/2007 - 00h01 - 29 Comentários

Tento condensar tudo o que sinto a respeito de o que é ser um de nós. É específico a respeito de uma pessoa, mas ao mesmo tempo é geral. Entro numa sala e não adianta, imediatamente estou pensando sobre o que acho de cada um de vocês. Posso estar completamente errado, mas estou fazendo combinações a partir do que vejo… é como digitais; nenhuma pessoa é igual a outra. Mas todas expressam facetas dos mesmos traços.

Click! Sou um controlador e tiro as coisas… se a câmera está em você, seu rosto se concentra. Você me ouve. Você não sabe o que direi no momento seguinte e logo o faço sorrir. É com isto que trabalho.

Aí Harold Bloom disse: ‘eu odeio este retrato, este não sou eu’. Um homem inteligente como ele achar que uma fotografia deveria se parecer com ele… você pediria a Modigliani que o pintasse ‘parecido comigo’?

É um instante e então, logo depois, se foi, morreu, só o que sobra é uma fotografia na parede. E quando você se toca, durante a exposição, que todos os retratados estão mortos? Todos se foram, mas seu trabalho vive e a fotografia vive. Eles nunca envelhecem na fotografia. Neste sentido, é um pouco triste.

Câmeras mentem o tempo todo. É só o que fazem. Quando você escolhe este momento ao invés daquele, quando… no momento em que você faz uma escolha, mente de forma maior. Mentira é uma palavra ruim. Não é o que quero dizer. Todo artista escolhe o que vai pintar ou escrever ou dizer. Com fotógrafos não é diferente.

Richard Avedon.

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