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Uma entrevista aos sábados

August 18th, 2007 · · 56 Comentários

Nós nos preocupamos demais com o bem-estar das baleias, pandas e rãs arborícolas. Mas há culturas morrendo numa velocidade incrível. Ainda há seis mil línguas vivas, muitas delas faladas por pouquíssimas pessoas. Até o fim do século, pode ser que restem apenas dez por cento. Conheci um aborígine australiano que tinha 80 anos e era o único falante de sua língua. Era considerado mudo porque não tinha com quem conversar. Está morto agora, com certeza.

Mais que em qualquer outro período histórico, nosso senso de realidade está gravemente ameaçado. É a Internet, o Photoshop, são os efeitos digitais no cinema, os videogames — ferramentas que surgiram com impacto imediato. É como nas batalhas militares. Durante séculos, as batalhas foram iguais: o cavaleiro medieval em combate, com uma espada. De repente, ele se deparou com armas de fogo, e da noite para o dia tudo mudou. Estamos passando agora por um momento de igual magnitude.

O turismo é um pecado. Viajar a pé é uma virtude. No momento em que as pessoas entendem que você chegou a pé, e está tentando misturar-se a elas e compreendê-las, ocorre uma mudança imediata em seu comportamento. A pé, você não é perseguido nem impedido de usar os recursos dos outros. Você ouve histórias que não foram contadas a mais ninguém.

Levei um tiro no ano passado. Não me afetou porque eu já tinha sido baleado antes. Uma vez, quando estava com uma unidade de elite de rebeldes, cruzando a fronteira de Honduras para a Nicarágua, ficamos sob fogo no meio de um rio, o que foi desagradável, pois estávamos visíveis demais e a selva escondia os atiradores.

Werner Herzog, na Piauí.

Tags: Cinema · Gente · Pop

56 Comentários até agora ↓




  • 1 josef mario // 18/August/2007 às 7:17

    Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
    Eu, josef mario, devo dizer que teria muitos comentários a fazer sobre esta entrevista do companheiro werner herzog à revista piauí. Por enquanto, todavia, eu, josef mario, me limitarei a comentar a sua última frase na referida entrevista que, para facilitar, transcrevo a seguir:
    “É significativo que nem os sherpas, nem qualquer outro povo da montanha, tenham pensado em escalar o Himalaia antes da chegada dos entediados aristocratas ingleses, no século XIX. Você não precisa estar no cume do Everest para apreciá-lo”.
    O que o companheiro werner herzog fala está corretíssimo e vem de encontro às palavras sábias e diretas ditas anteriormente pelo nosso grande e saudoso companheiro e amigo joel silveira. Em depoimento ao companheiro geneton moraes neto em 2004, em seu apartamento na rua francisco sá na esquina com bulhões de carvalho (a rua do “quase”), reproduzido em um post anterior do companheiro pedro doria, o companheiro “víbora” diz textualmente:
    ” Pode existir coisa mais idiota do que um alpinista ? Por que é que eles não pegam um avião, meu Deus do céu ? Por que não vão de helicóptero ? Pra que subir naquelas montanhas, se eles poderiam ver tudo da janela de um avião, no maior conforto ?
    Muito obrigado.

  • 2 discípulo de Josef Mario // 18/August/2007 às 8:27

    amado Mestre: concordo com você, como sempre.

  • 3 proftel // 18/August/2007 às 8:29

    O (?’????: idioma hebreu (Hebrew)) acho que foi o único que voltou a ser falado depois de quase 2000 anos “desaparecido”.
    Outras línguas desapareceram no passado, algumas foram registradas, outras com o registro histórico preservado em rocha, plaquetas de argila ou couro de animais, traduzidas.
    Viajar a pé e levar tiro é programa de índio (que me perdoem os índios).

  • 4 proftel // 18/August/2007 às 8:31

    Tentei inserir caracteres que não foram reconhecidos aí em cima….

  • 5 Andre Fucs // 18/August/2007 às 8:46

    fosse assim para que cruzar o atlântico de avião se de navio também se chega ao outro lado? :-)

  • 6 Andre Fucs // 18/August/2007 às 9:14

    Proftel,

    Nota: O hebraico deixou de ser uma língua de uso diário mas não chegou a desaparecer.

  • 7 Pax // 18/August/2007 às 10:29

    Bem, fui alpinista. O que dizer para o companheiro mestre Josef Mario? Mas quem morou na Urca aos 8 anos, nadar, mergulhar e escalar era o que tinha disponível, já que nunca fui chegado em futebol.

    E devo dizer que viajar a pé é o que há de bão. Lembro de uma viagem que comecei de carro, no Rio. BSB, Belém, São Luiz e finalmente em Fortaleza saí fora (meu irmão, com quem viajava, casou no meio do caminho, um história pra ser contada). A partir de Fortaleza, Canoa Quebrada, Natal, carnaval em Olinda, Salvador, Porto Seguro, enfim, tudo a pé, um saco com uma rede, uma barraca, um chapéu, sandálias havaianas, 2 calções, 3 camisas, uma faca, um pequeno cantil que dava pra cozinhar, um garfo e uma colher.

    Não me lembro de viagem melhor que tenha feito. E quase sem um puto no bolso. Um exemplo foi em Natal, quis conhecer o norte do estado, olhei no mapa tinha uma cidade chamada Touros, na virada NE do Brasil, fui até a saída da cidade, o primeiro caminhão, um dedo pedindo carona, o cara parou. Era carregado de isopores em caixas de madeira com gelo, ia passar de praia em praia, comprar lagosta das vilas de pescadores, ficava 1 hora em cada vila. Eu em cima das caixas, cada praia um mergulho, uma conversa e subir no caminhão pra próxima. Coisas dessa natureza, coisas de índio.

  • 8 Mr X // 18/August/2007 às 10:56

    Interessante essa coisa das linguas, efetivamente até no Brasil tinha trocentos idiomas nativos que sumiram.

    E dizem alguns, embora eu duvide, que tudo surgiu de uma mesma lingua original ancestral humana.

  • 9 Mr X // 18/August/2007 às 10:59

    Quanto a viagens, a pé, de aviao ou a cavalo, sempre podem ser interessantes, ou nao.

    Nunca fiz alpinismo mas acho, em teoria, até bacana. Sempre gostei de montanhas. E’ obvio que o sujeito nao vai escalar la por nenhuma razao pratica. Os sherpas evidentemente nao tinham nenhuma razao para escalar o troço. E dai?

  • 10 Zé Bush // 18/August/2007 às 11:26

    well…talvez Herzog seja o cineasta mais lúcido que já tenha exisitido.Tão lúcido que parece maluco. Prá mim é o cineasta da superação, do pé no chão , da ousadia pragmática e da paixão.
    Assistir Fitzcarraldo é ingressar num universo paralelo. Assistir Aguirre é sair de um buraco e entrar em outro. O rapaz tem o dom de criar um espelho mais lúcido da realidade nos seus filmes. Não tem firula nem trololó.
    Raspa tudo e o que sobra é humanidade crua e apaixonada.
    Só mesmo Herzog para aguentar a esquizofrenia de Klaus Kinski e resolver o problema da maneira mais sensata: sacando o revólver e apontando na testa de Kinski. Ou saindo na porrada em plena selva amazônica.
    E o que ele fala refere-se a civilização besteirol, essa mesmo recheada de símbolos,”conquistas” e artificialismo cultural.

  • 11 Dom Casmurro // 18/August/2007 às 12:07

    Eu diria que o Herzog alcançou aquilo que se pode chamar de “homem consciente”.
    “Eu sei como sou, não se muito bem o que esteja fazendo aqui, mas vou viver essa porra de vida da maneira que mais me agrada”.

  • 12 pedro direitoba // 18/August/2007 às 12:19

    Eu, como um bom direitoba arrependido, estranhei tanto essas declarações quanto o meu candidato à prefeitura de São Paulo (aliás, já temos um voto garantido de mais um discípulo e pelo visto estamos com a mesma popularidade do Cansei e com as mesmas chances da oposição). Viajar à pé para levar tiro não me parece um bom passeio. Talvez para quem já tenha experiência e acredite em corpo fechado. Pai Angola me segredou que quem tem corpo fechado às vezes abre outras portas da sensibilidade.

  • 13 josef mario // 18/August/2007 às 12:24

    Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
    Eu, josef mario, devo dizer que, enquanto intelectual das letras, compartilho, há mais de 30 anos, de preocupação idêntica à do companheiro herzog quanto a extinção das seis mil línguas vivas, ainda existentes. Tanto que, por volta de 1980, a convite do companheiro nyerere, presidente da tanzânia àquela época e que seguia uma rígida orientação maoísta em seu governo, fiquei cerca de um ano em dar es salaam (então capital da tanzânia), em um curso intensivo de swahili. Esta estadia foi gentilmente paga pelo povo brasileiro, através de generosas diárias em dólares, a mim repassadas pela extinta cacex do banco do brasil.
    Hoje em dia, eu, josef mario, pouco me lembro do swahili, porém, todas as palavras relacionadas à sacanagem e putaria, como não poderia deixar de ser, me permanecem vivas na memória. Transcreverei, abaixo, algumas destas palavras para abrilhantar, ainda mais, a cultura geral dos companheiros:
    - putas (namoradas dos direitões) = malaia
    - cadelas (minhas namoradas)=mbwa
    - vacas (minhas namoradas)=ng´ombe
    - burro (companheiro chesterton)= punda
    - veado (animal) e viado (pederasta e paneleiro)=paa
    - afro-descendentes= kima (o animal correspondente em português, eu, josef mario, em fase politicamente correta, não revelarei obviamente).
    Muito obrigado.

  • 14 Cúmplice de Emília // 18/August/2007 às 12:27

    Peço vênia ao mais admirado, invejado e venerado - mas não o mais amado - comentarista deste blog, o companheiro Josef Mario, para devolver a pergunta ao brilhante e glorioso cineasta: por que fazer cinema quando já temos a nossa vida com todas os dramas e comédias que ela implica?

  • 15 Fabio Negro // 18/August/2007 às 13:35

    Na verdade não é bem uma entrevista.
    É a seção “O que Aprendi”, em que alguém é convidado a responder… o que aprendeu! Digo, ao longo da vida.

    Por isso está dividido em parágrafos separados pelo espaço de uma linha.

    Mês passado o Elvis Costelo foi quem enscreveu a seção e também disse umas coisas maneiras.

    (e meteu o pau no Sting de uma forma que me levaria ao suicídio)

  • 16 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 13:47

    Sempre me interessei pelas diferenças de acento no falar do português de Portugal e do Brasil.

    As respostas às minhas indagações não eram convincentes. Mesmo no Instituto de Letras, que estudei antes de ingressar no Instituto de Física, alguns professores diziam que o português do Brasil era assim falado por causa da influência africana.

    Bom, a influência africana é maior na África, certo? Então por que o protuguês falado nas ex- colônias portuguesas da áfrica se aproxima bastante do português ibérico e difere do português falado na América?

    Outra questão que sempre me intrigou é: por que o estado mais desenvolvido da federação - São Paulo - é tão profuso em nominar seus sítios (lugares) com nomes indígenas (tupi)?

    Essas indagações ficaram em suspenso durante anos até que li uma publicação acadêmica de uma pesquisadora de uma universidade brasileira. Guardei essa publicação não sei onde e não consigo encontrá-la na net para referí-la.

    Pois bem, neste estudo a pesquisadora demonstra que a influência do Tupi foi determinante para o acento característico do falar brasileiro. A influência era tão grande que, em 1757 o tupi foi proibido por provisão real de Portugal.

    Aqui o tupi era a língua corrente, inclusive dos brancos. os filhos dos brancos só aprendiam o português quando iam à escola. Em casa falava-se tupi.

    Esta pesquisadora provou documentalmente essa grande influência. Há correspondências que relatam a necessidade de padres fluentes em tupi para servirem no Brasil.

    Na região onde hoje se situa o Estado de São Paulo a resistência à adoção do protuguês como língua corrente foi maior. Daí a profusão de termos em língua tupi para designar as cidades do interior e determinadas regiões da capital, até pelo contato maior dos paulistas com os indígenas por conta das entradas no interior e as Bandeiras.

    O estudo é muito bom e lamento não encontrá-lo. Se ocorrer, comprometo-me a postar o link em um open thread.

  • 17 Éd Lascar // 18/August/2007 às 13:51

    Herzog anda abusando do ácido, vê-se nitidamente!

    Mas, ainda assim, podemos considerar uma visão “romântica”, vai ver são os anos! Os anos, eu disse!

    :o)

  • 18 Zé Bush // 18/August/2007 às 14:05

    well,Cláudio…já ouvi falar desse estudo antropológico faz algum tempo.Mas é bastante revelador da formação do nosso dialeto brasileiro.
    A influencia africana restringiu-se a têrmos e palavras, quase sempre associados a vida doméstica ou a prática familiar.
    Mas a lingua indígena Tupi foi marcante na prosódia (a “maneira de falar”) e na articulação dos fonemas.
    Não é a toa que no Sul do país arrasta-se os “erres”, como poirta, meirda,toirta e outros exemplos. Pura influencia indígena, sem dúvida.
    Já os “esses” sibilantes carioca e paraense ,que mais parecem ‘x”, provêm do linguajar lusitano mesmo.

  • 19 H.Romeu P. Mané // 18/August/2007 às 14:25

    Claudio Melo…moro aqui em Mogi e como bom paulista socialista gostaria de que voce encontrasse esse estudo não para comprová-lo mas para que voce pudesse nos brindar com mais detalhes dessa “preciosidade” revelada agora!
    O TUPI na arvore genealógico/linguistica paulista! DEMAIS!

  • 20 H.Romeu P. Mané // 18/August/2007 às 14:27

    Ainda me aparece uns reticentes criticos de Herzog!
    ARGHHHHHH!
    Mas desse forno só podia sair mesmo e sempre o mesmo tipo de bolo!

  • 21 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 14:39

    Até o momento só tenho encontrado uma xaropada sobre integração de comunidades lusófonas. Algumas com forte conteúdo ideológico.

    O estudo dessa menina(professora/pesquisadora) é bom por isso. passa ao largo de questões ideológicas.

  • 22 H.Romeu P. Mané // 18/August/2007 às 15:14

    Herzog sempre me trouxe a figura do enigma a ser decifrado….a sua visão de mundo é ensurdecedora!
    Mas a opção pelos “States” é muito esquisita….

  • 23 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 15:21

    Vejam uma entrevista da lingüista Charlote Balges, no Jornal da UNICAMP, disponível em http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/ju333pg0607.pdf

    Não é o estudo que aludi, mas, vem em apoio ao que discorri.

    JU – O curioso é que o português sobreviveu
    apesar de o seu país de origem ser pequeno. Como
    a senhora analisa isso?
    Charlotte – São dois momentos. No primeiro,
    é quando o colonizador impõe sua língua
    de maneira violenta. No Brasil, até o século 18,
    não se falava português em certo lugares. Aqui
    em São Paulo, se falava a língua geral, que era um tupi mesclado com o português. Foi necessária
    uma política muito específica do governo
    português naquele momento para impor
    a sua língua. Em particular, isso culminou na
    expulsão dos jesuítas do Brasil; eles tinham
    um papel importante na relação com os índios
    e usavam a língua geral. Os portugueses que
    vinham para o Brasil acabavam, também,
    falando a língua geral. Isto poderia ameaçar
    inclusive a sobrevivência do português. Essa
    política do governo português era deliberada:
    impor o português.
    Num segundo momento, temos o caso da
    África. Na descolonização dos países, há uma
    variedade lingüística muito grande. Os países
    africanos tiveram de escolher as suas línguas
    oficiais. Em geral, acabaram optando
    pela língua do colonizador.

  • 24 Éd Lascar // 18/August/2007 às 15:30

    Ôuquêêi, I’ll step back ! Herzog fala coisas importantes, faz um cinema autoral forte - temas que eu não gosto, particularmente- mas com esta de ficar falando bem de viajar a pé ele parece alheio à realidade. Ele conhece a Amazônia, mas não o Brasil.

    Ia ser pilhado nos 5 primeiros quilômetros.

    Abs.

  • 25 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 15:38

    Outro bom estudo mas nem de longe tão completo quanto o que procuro.

    Mostra que a influência do tupi foi maior que a das línguas africanas e porque.

    http://www.filologia.org.br/revista/artigo/6(17)7-12.html

  • 26 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 15:56

    “”Aí, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do palácio às margens do Lago do Paranoá, observou uma Siriema que ciscava no palácio do Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri, lembrou a um assessor sobre as comemorações da Batalha do Humaitá, convocou o ministro do Itamaraty e o governador do Goiás, que visitava seu colega no palácio do Buriti, e, uma vez juntos, tomaram um suco de Maracujá, comentaram sobre as reformas do estádio do Maracanã e as recentes obras no vale do Anhangabaú, riram de um antigo comentário do Barão de Itararé sobre obras públicas, e, abrindo uma agenda de pele de Jacaré, passaram, a decidir sobre o carvão de Criciúma, os suínos de Chapecó e a safra de arroz de Unaí.” - Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e não se aperceberam disto. O embaraço maior, seria se tivessem que traduzir todas estas palavras para o chanceler francês que visitava o Brasil”.

    Disponível em http://www.zbi.vilabol.uol.com.br/Oidiomabrasileiro.html

  • 27 Dino // 18/August/2007 às 15:58

    Zé Bush, o chiado característico do falar carioca é mais especificamente lisboeta “alfacinha”, provavelmente oriundo da vinda da corte para o Rio, diferente do falar das outras regiões de Portugal.

  • 28 Dino // 18/August/2007 às 16:03

    Claudio Melo, eu jurava que FHC sentiria a aproximação de uma piroga por trás dele vinda do lago Paranoá… hahahaha

  • 29 Dom Casmurro // 18/August/2007 às 16:07

    ” Ora, quando os portugueses chegaram a este país trouxeram a língua deles, e pronto. Se não, até hoje estaríamos falando nhangatu, na base do “nós não sabe falar português”.
    Claudio Melo,
    Creio que o Millor Fernandes é entendido nesses assuntos de língua indígena.
    O textinho aí de cima é dele.

  • 30 Dino // 18/August/2007 às 16:13

    Seguindo o exemplo de nosso líder inconteste, irei enriquecer a cultura dos nossos comentaristas com um pouco de palavrões em russo:
    Sulka=cadela
    sulkiesin=filho da dita cuja
    blead=puta
    goluboi= bicha (tradução direta quer dizer azulzinho…).
    Rui=caral….
    gavno=merda
    pachol tí na rui= vai para o c….

  • 31 Dom Casmurro // 18/August/2007 às 16:23

    “Nhangatu era a língua falada pelo povo amazônico que habitavam também o Estado do Amapá, que trata-se de uma mistura do Tupi Guarani com Português, nos legando vários termos, até hoje comuns em nossa linguagem regional”.
    De uma correspondência do Desembargador Gilberto de Paula Pinheiro, do Amapá.
    Vamos fazer uma campanha pela volta do nhanguatu.

  • 32 Dom Casmurro // 18/August/2007 às 16:24

    correção: nhangatu

  • 33 proftel // 18/August/2007 às 16:32

    Andre Fucs:

    O hebraico foi preservado graças aos rabinos europeus (até onde sei).
    O interessante é o ressurgimento dele como língua utilizada no dia-a-dia.
    Grato pela lembrança,
    Atenciosamente.

  • 34 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 17:15

    Dom Casmurro,

    O texto do Millor expressa uma opinião, não além disso.

    É fato que os portugueses trouxeram a língua deles. Mas em determinado momento do processo de colonização havia duas línguas sendo faladas: o protuguês e o tupi. Há estudos que demonstram que o tupi era corrente por aqui. Se a coroa portuguesa não tivesse proibido é provável que nós fôssemos bilíngües, no mínimo, pois, sem proibição não há evidências de que a língua mais falada desaparecesse. No máximo seria incorporada.

    De todo modo trata-se de uma língua ágrafa - o tupi - assim como todas as línguas da antigüidade, inclusive o venerado grego. Sim, o grego já foi uma língua ágrafa, sem forma escrita e sem estrutura gramatical.

    Tenho uma edição belíssima da Odisséia - que adoro - em cujo prefácio o Prof. Jaime Bruna como os homéridas transmitiam oralmente o conhecimento e como esse conhecimento nos chegou até os dias hodiernos. (Vou pegar minha filha).

  • 35 abstrato // 18/August/2007 às 17:29

    tenho nada a comentar…a entrevista com esse sujeito nao me interra…passo…proximo post!

  • 36 abstrato // 18/August/2007 às 17:30

    “interessa”

  • 37 Zé Bush // 18/August/2007 às 18:40

    well….a decisão da coroa portuguesa de impor a língua portuguesa e proibir o tupi foi mais que sensata.
    Tenho quase certeza que, se não fosse por isso, o Brasil não seria o que é hoje.
    Com as dezenas de insurreições que houveram na época colonial, é quase certo acreditar que línguas diferentes serviriam como mais combustível para separatismos e diferenças regionais.

  • 38 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 19:58

    Os Estados Unidos eram, no século XVIII, mutio ligados à França, tanto que a independência americana teve participação do marquês de La Fayette e de vários iluministas franceses.

    Declarada a independência em 1776, uma das primeiras reuniões do que viria a ser o parlamento dos Estados Unidos foi para decidir qual idioma seria adotada pelo novo país: O francês ou o inglês. O inglês venceu por um voto apenas.

  • 39 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 19:58

    mutio=muito

  • 40 Dino // 18/August/2007 às 20:38

    Como o vlad ganha dinheiro…

    No hospital, o médico está assinando a alta do paciente. Vai assinando e falando:

    - A partir de hoje, nada de mulheres, nada de uísque nem de vinhos importados. Nada de restaurantes caros, nada de carro novo, nada de viagens de férias…

    - Até eu ficar totalmente curado, doutor?

    - Não, não. É só até você terminar de pagar o que me deve.

  • 41 Dino // 18/August/2007 às 20:40

    — Doutor, bem que o senhor me disse que em menos de dois meses eu estaria andando a pé por aí. É o que eu estou fazendo. Pra pagar a sua conta, tive de vender os meus dois carros e as bicicletas dos meninos.

  • 42 Dino // 18/August/2007 às 20:41

    O dono do hospital encontra o cirurgião-chefe.

    — Temos que operar imediatamente o paciente do 325.

    — O que ele tem?

    — Muito dinheiro.

  • 43 Theo // 18/August/2007 às 21:16

    Cláudio Melo,

    Muito bom seus post sobre as líguas faladas no Brasil e suas influencias no nosso portugues.

    O que eu sei é que entre assistir ao RTPi e o RAI, eu não sei pq, mas eu entendo o RAI, e o meu italiano não passa de “ma que bella ragazza, capiche!”

  • 44 H.Romeu P. Mané // 18/August/2007 às 21:33

    Nunca um post do PD e os comentários oriundos dele foram, para mim, tão ilustrativos e informativos…..NOTA DEZ aos comentadores!

  • 45 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 21:57

    Theo,

    Obrigado.

    Abraço.

  • 46 Cláudio Melo // 18/August/2007 às 22:00

    Na Itália as diferenças na pronúncia são bem mais evidentes a depender da região.

    Há dialetos por lá, coisa que não há no português falado no brasil.

  • 47 pedro direitoba // 18/August/2007 às 22:02

    Prezados senhores desse blog, tenho que fazer uma declaração: nunca vi tanta semelhança entre duas pessoas. Acabo de vir do desenho animado do Homer Simpson e me lembrei do Chesterton. Incrível, como são tão parecidos.

  • 48 Ana Pulg // 18/August/2007 às 23:38

    Morei numa rua na serra gaúcha (colonização italiana) que se chamava Av. Itália. Durante a 2ª Guerra passou a ser chamada de Av. Brasil, devido a proibição de elementos estrangeiros em nosso país. As escolas italianas e alemães foram fechadas e os colonos proibidos de falar nestas línguas. Muitos viviam em comunidades tão isoladas que acabavam não tendo necessidade de aprender o português, só foram aprender porque se viram obrigados.
    Quando nasci minha rua já tinha voltado a se chamar Av. Itália. Acredito que só na terceira geração a língua pátria dos imigrantes ficou para trás.
    Esse é mais um cadinho desse imenso Brasil.

  • 49 Andre Fucs // 19/August/2007 às 2:47

    Proftel,

    Não apenas europeus. O Hebraico era utilizado pelo religiosos de outras regiões também, inlcuindo Yemem, Irã, Marrocos, etc. É simples de entender porque. O hebraico é ensinado às crianças para que elas possam compreender a Torah, etc. Reflexo disso ainda é visto claramente em Israel onde alguns religiosos recusam-se a utilizar o hebraico como língua mundana. As crianças dessas famílias costumam falar Yiddish(ou outra língua) e hebraico bíblico tendo uma certa dificuldade em utilizar o hebraico moderno falado em Israel.

    Outra coisa curiosa nesse aspecto é descobrir que a Coroa portuguesa insistia em colocar tradutores de hebraico em suas naus expedicionárias.

  • 50 proftel // 19/August/2007 às 9:37

    Andre Fucs:

    Olha, muito obrigado pelo esclarecimento.
    Você há de convir que na maioria dos livros essa informação não é encontrada. Sou Geógrafo de formação e atualmente Técnico em Hardware.
    Na faculdade em Geopolítica estudamos o caso do Estado de Israel, quando demos uma pincelada sobre as línguas faladas no Oriente Médio a informação na maioria dos livros que encontramos era essa: “o hebraico foi preservado graças aos rabinos europeus e ressurgiu com a criação do Estado de Israel”.
    É por essas e outras que escrevi em outro lugar por aí que os comentários daqui são mais informativos que muito jornal.
    Infelizmente o comentário que se seguiu a essa observação não foi nada lisongeiro.
    Novamente, obrigado pelo esclarecimento.
    Atenciosamente.

  • 51 Dom Casmurro // 19/August/2007 às 10:26

    Claudio Melo,

    Eu também não concordo com as idéias do Millor.
    Os gregos, no tempo de Platão e Aristóteles, já diziam que se torna muito fácil argumentar, quando não se defende nenhum ponte de vista.
    O Millor segue muito por essa estratégia.
    Eu, por convicção pessoal, acredito em um ponto de vista que seria um “bom senso universal.”
    Não sou muito entendido em línguas, mas do pouco que sei, noto inclusive algumas semelhanças entre o tupi e o latim. Ambos partem de um radical para formar toda uma “família” de palavras. Exemplo, o radical “ita” (pedra), o qual forma uma infinidade de outras palavras. Pelo que noto, o tupi sempre segue essa “lógica”, ao contrário do “ilógico” inglês.

  • 52 Dom Casmurro // 19/August/2007 às 10:31

    Dino,

    Não só o Vlad ganha dinheiro assim mesmo como você falou.
    Muitos colegas dele seguem pelo mesmo esquema.

  • 53 proftel // 19/August/2007 às 20:29

    Ó eu trocando “j” pelo “g” aí em cima de novo!
    chaise!

  • 54 Vlad Chesterton // 19/August/2007 às 22:30

    dino, boas piadas, mas hoje a clínica particular é ínfima.

  • 55 Cláudio Melo // 20/August/2007 às 15:34

    O médico deixou de ser um profissional liberal.

  • 56 Vlad Chesterton // 20/August/2007 às 22:35

    mas eu gosto de moto 2 tempos por causa do cheiro do óleo, queimo av gas que tem bastante chumbo, e vou comprar um jipe a diesel bem velho e desregulado, para subir morro acima a trocentos por hora, abrindo buraco na estrada e espantando os passarinhos.

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