Hoje a Índia faz 60 anos
A história da relação entre Índia e o Império Britânico é fascinante – talvez a mais fascinante da história do imperialismo. J-P. Albert Struck comenta sobre como esta relação produziu a Índia de hoje:
As verdadeiras comemorações de independência estão reservadas, normalmente, para os primeiros anos, quando ainda existe euforia. Para os mais distantes existe a intenção de homenagear aqueles que tiveram papel relevante no processo e estão nos últimos anos de vida. Com 60 anos sobra a reflexão. 1947 marcou o fim de dois séculos de presença britânica no subcontinente. Presença, claro, nefasta na moderna visão democrática, mas que no final foi benéfica para o país – ou países, pois depois de independente, o antigo domínio britânico foi se fragmentando com os anos e deu origem ao Paquistão, Sri Lanka (antigo Ceilão) e Bangladesh (Paquistão Oriental).
A fragmentação subseqüente mostrou que a idéia de um país de pobres almas que caiu na teia de uma nação imperialista é bastante exagerada. Antes dos britânicos, a idéia da Índia como unidade política simplesmente não existia. Era uma ordem mais ou menos parecida com a feudal: marajás e rajás aqui e ali, reinos acolá, etc. Um mosaico impressionante de pequenos países. Para dar alguma homogeneidade, os britânicos usaram violência, mas na maioria dos casos, tornaram os pequenos reinos e principados Estados tributários ou clientes da Grã-Bretanha. Foi assim que conseguiram manter – como Lênin admirava, mas enganado quanto à forma – o domínio sobre 400 milhões de pessoas (à época da independência) com não mais que alguns milhares de funcionários e soldados. E era uma administração tocada com eficiência.
Enquanto isso, na Slate, Fred Kaplan faz um paralelo interessante:
Quem acredita que o exército dos EUA pode simplesmente sair do Iraque sem o risco de deslanchar horror ainda maior do que o corrente, quem acha que a partição religiosa ou étnica do país é uma solução, deveria voltar seus olhos para o verão de 1947, quando o Império Britânico deixou a Índia para que esta concluísse seu ‘encontro com o destino’ (segundo as palavras de Jawaharlal Nehru). O resultado foi uma monstruosa onda de limpeza étnica, com 12 milhões de pessoas transferidas de lugar e quase um milhão, mortas. O conflito não se resolveu até hoje. [...]
Os muçulmanos exigiam um Estado independente. Na pressa de sair logo, os britânicos concordaram. Eles negociaram a criação do Paquistão, desenharam fronteiras com descuido e, sem que pudessem evitar, criaram mais problemas do que resolveram.
No dia 15 de agosto, quando os britânicos saíram, milhões de hindus em terras muçulmanas e muçulmanos em terras hindus – além de incontáveis sikhs em ambas – foram maltratados, estuprados ou assassinados. Muitos juntaram seus pertences e migraram mas, sem proteção, foram massacrados no caminho. O Exército Indiano, criado pelo Império Britânico, também se dividia internamente em linhas religiosas e, como sugere a resenha de um livro recente, ‘muitos dos soldados acabaram por juntar-se aos seus co-religiosos em ondas de assassinato, levando a violência da partição ao limiar do genocídio.
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Me lembra Angola e Moçambique:
Durante os anos de dominação portuguesa não existia fome por lá. Sairam os lusos e o pau comeu. Até Cuba meteu o bedelho na história.
Índia? Hoje pode até estar no caminho certo mas a milhares e milhares de quilômetros do objetivo. Os inglêses foram péssimos - aliás todos os países que na época mantinha colônias foram péssimos - mas na maioria deles a saida dos colonialistas desencadeou genocídios e guerras sendo que algumas persistem até hoje.
Serão preciso mais uns 200 anos para que as “independencias” possam ser avaliadas.
Grandes Impréior Coloniais. Ea Rodésia que virou zim..guiriguidum (qualquer coisa) e metade da população passa fome?
Como disse o chefe Seattle: “Para nós é um grande mistério que o Grande Espírito tenha dado tanto poder ao homem branco.”
China e Índia foram dominadas pela Inglaterra, um pequeno país de homens brancos.
Que ” forças malignas” (relembrando Maiakovski) levaram os homens brancos a tão distantes e tão antigos países?
Países antigos e de extraordinária cultura, porém de fraca tradição guerreira.
Foram dominados politicamente, mas culturalmente mantiveram-se fortes e, inclusive, influenciaram mais aos dominadores do que foram influenciados.
A Inglaterra nunca mais foi a mesma após ter convivido comm os indianos e chineses.
De qualquer forma, tudo é um grande mistério!
Desculpe Pedro Dória, mas tudo de mal que aconteceu no pós saida da Grã Bretanha…um dia haveria de acontecer!
Para o bem e para o mal….
Uma perguntinha rápida, de quem desde já se admite como ignarnte sobre este assunto: Ok, depois da saída dos ingleses o pau comeu, mortes, violência, etc …
Mas e antes da chegada dos ingleses, já havia toda esta violência por lá, ou se vivia em relativa harmonia, mesmo sendo a Índia “uma ordem mais ou menos parecida com a feudal” ?
Neste caso, exatamente no que a presença inglesa teria sido “benéfica” para a Índia, como diz o sr. Struck ?
A Índia é diferente de tudo que pode imaginar um reles ocidental.
Uma sociedade milenar de castas com variados credos.
Gastei muito tempo lendo sobre a Índia no passado e até hoje é difícil concatenar o que diz o noticiário com o que realmente ocorre por lá.
a midia esquerdiotante quer vender a imagem de que antes do homem branco o mundo era o paraiso na terra.
A presença da Inglaterra foi benefica porque propiciou um idioma comum e internacional (o ingles, ja que falam zilhoes de idiomas), a estrutura ferroviaria (que é usada ainda hoje), etc. E foi malefica porque todo colonialismo trata de impor estruturas para as quais os povos de la podem nao estar preparados, e muitas vezes o tiro sai pela culatra.
O Theodore Darlymple tem um artigo interessante sobre o colonialismo (e pos-colonialismo) na Africa e seus atuais problemas:
http://www.city-journal.org/html/13_2_oh_to_be.html
estive dias calado por amor ao dinheiro.
não que alguém tenha notado, mas eta bloguezinho legal.
independente do que aconteça no Iraque, acho quer a raça estadunidense do norte deve se retirar imediatamente, se possível deixando aqueles que não puderem caminhar sozinhos.
nenhum jogo de hipóteses acerca do Iraque me leva a pensar que uma nação. assim como uma pessoa, não possa ter autonomia para seguir seu destino, e como diz o Mané, seja ele para o bem ou para o mal.
Raça admirável e desprezível.
Assim como no país brasil temos essa auréa subdesenvolvida, que queiram ou não, espelha o somatório de nossas qualidades individuais, será q os americanos do norte tbm tem a alma dominadora e expansionista, cheia de ardilosas maneiras de ter, ter, ter e mais ter?
não seriam semelhantes nossas impotências como cidadãos? eles perante a guerra e nós perante a corrupção?
no fim somos tudo farinha do mesmo saco mesmo. não conseguimos fazer nossos desejos tornarem-se ações a nível governamental e aparentemente, eles também.
E’ ilustrativo tambem observar as diferenças entre India e Paquistao, que adquiriram a independencia ao mesmo tempo e tiveram uma historia totalmente em comum.
Hoje a India, apesar de seus problemas, é uma democracia, esta’ em fase de alta industrializaçao e compete com a China como potencia emergente, enquanto o Paquistao é uma ditadura militar, é um poço de analfabetismo e esta a beira da guerra civil.
Qual a diferença? O Isla.
p.s. Se bem que na India tem uns 15% de muçulmanos, enquanto no Paquistao quase nao tem hindus… Ué! Os muçulmanos nao queriam se separar? Porque nao vao para o Paquistao?
auréa = aura, putz
Mas claro que o problema nao é so’ o Isla. O tribalismo na Africa, por exemplo, é a causa das dezenas de guerras civis que pipocam por la. No Iraque é a mesma coisa, as pessoas tem fidelidade a seu cla, a sua familia, a seu grupo étnico ou religioso (xiita ou curdo ou sunita), mas nao à Naçao, um conceito ainda mal compreendido por eles.
Sei la, acho que o Iraque é um pepino maior que a India.
Xiitas querem limpar o pais de sunitas. Sunitas sonham em voltar a ter o poder, ou ao menos criar tal caos que impeça o pais de virar xiita. Iranianos e sauditas colaboram para o caos, cada um armando e financiando seus grupos. Kurdos estao na deles, sonhando com a independencia, mas sabendo que a Turquia nao vai nunca aceitar um Curdistao independente.
Essa fé é muito interessante.
Política e religião juntas não pode dar certo.
Deixem que se matem.
Metem o bedelho pq são mercados, pq tem lá as suas riquezas, pq poderiam servir para algum grande interesse.
Não se metem pq são pessoas q vivem lá.
Ou pela sua ascendência.
fazendo um off-tópic aqui:
PD, vc não vai comentar sobre a guerra que seus patrões lançaram contra os blogueiros independentes? Ou vc deixou de ser um, portanto não liga mais?
É egraçado ler a esquerda anti direita colonialista descendo o pau na Inglaterra, França, Bélgica e outras nações colonialistas do séc. XIX.
Esquecem os colonialistas do séc. XX que sob a bandeira de aluguel da esquerda instituiram a tal de URSS e estenderam seu domínios de Vladivostok a Berlim.
A exIugoslávia até hoje tem cólicas étnicas por conta das etrepulias de Tito (que manteve a paz por lá na base da porrada).
Esquecem até o arremedo de esquerda (pior que o original) do bolivarismo que agora sustenta aquela fazenda de cana falida no Caribe e que alguns chamam de Cuba (que diga a nossa polícia federal que lembrou os tempos de operação condor).
Engraçado que os mesmo que agora acusam os EUA de estarem sacaneando a China não percebem que a China quer mesmo é ser os EUA do séc. XXI. Aliás o sonho de qualquer nação é ser um dia o que os EUA são hoje e danem-se os que estiverem em outros países.
Burrice é perdoável mas hipocrisia não.
thiago: havia aqui um longo comentário, mas aí o tirei. Explico o porquê: sou empregado de O Estado de S. Paulo. Não tenho a isenção necessária para fazer a análise que vc me pede.
Dei uma entrevista recentemente sobre a relação entre blogs e imprensa. Acho que o mais honesto é remeter ao que eu disse antes desta briga começar.
PD:
Lá vem o papo de “imprensa imparcial e confiável”. Querer isso da imprensa é como exigir fidelidade das putas: Uma contradição em termos…
Não está em discussão o maldito, simplista e infundado dueto esq x dir nacional e mundial.
Está em questão alguém chutar sua porta, amarrar vc na mesa e assassinar sua família na sua frente.
Está em questão se vc acha certo ou errado que bandidos façam isso.
Ressalte-se que ele não perguntaram o que vc achava disso.
Alguns ainda riem do seu desespero.
E te deixam vivo para vc saber que eles existem.
Li o “longo comentário” do Pedro Doria, não tinha nada demais, até gostei das colocações dele sobre a trajetória do Estadão.
Tinha mais coisa, acho que poderia dar muito falatório por aqui…
ganhou pontos, PD.
Mas que eu queria ler esse “longo comentário”… ah, como queria.
Ja que o PD nao pode falar do assunto, alguem poderia posta-lo no open thread? Estou meio por fora e gostaria de maiores informacoes.
Mr X,
Vc culpa o Islã pelo fato de o paquistão viver hoje numa ditadura militar e atrasada.
Vc eleva a india pelo fato de ser uma democracia mas tmb atrasada, ela vc sabe, só está no BRIC por causa da imensidão populacional.
Agora me explica o Bangladesh, lá é uma democracia, tmb é atrasada, mas tem em sua maioria 88% de muçulmanos.
Não acho que o islã seja uma problema naquela região.
Além do mais no paquistão, só está mantida ditadura, graças ao EUA, que morrem de medo de fanáticos tomarem o poder e resolverem utilizar as famosas agivas nucleares.
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A verdade - que muitos não querem ver - é que algum país s ou grupo de países tem que necessariamente mandar nos outros!!!
É natural, é humano. Prédios tem síndicos, cidades tem prefeitos, estados tem governadores, países tem presidentes e nações tem uma nação mais forte que manda ou domina as demais. Não fossem os britânicos na Índia teriam sido alemães, belgas ou portugueses..
Esta arenga de “independência”, auto determinação e os cambau servem mesmo é para discurso na ONU porque na prática mesmo todos sabem - muitos não admitem - como é.
São ciclos históricos e nada mais.
O Império Britânico acabou, veio os EUA e sabe-se lá quem virá depois. Domínio militar? econômico? político? Tudo junto? Tá na hora da verdade gente. Tirem as lentes côr de rosa. Nós somos humanos, vivemos em bandos de pessoas, cidades ou nações. Bandos, sejam compostos pelo que forem, precisam de líderes. Amados ou não, competentes ou não.
Morreu gente aos zilhões. Culpa de esquerda (sim, acreditem, a esquerda tambem mata gente apesar de nunca admitirem) culpa da direita, do neoliberalismo , dos capitalistas, dos crentes (seja lá em que deus for). Vai morrer mais ainda e por causas ainda mais fúteis.
Índia faz 60 anos? parabens!! e cumprimentos ao Império Britânico porque afinal de contas a Índia nasceu porque eles estiveram lá…
E assim, Gandhi foi assassinado (30/8/1948) porque com sua pregação pacifista, de aceitação do martírio, atrapalhou os comunistas que pretendiam uma revolução nos moldes da que estava acontecendo na China, onde Mao Tse-tung se aproximava do poder.
O Ocidente elevou Gandhi ao posto de grande herói, enaltecendo sua bondade, humildade, coerência, etc, mas o que ele fez, de forma inocente, foi evitar a revolta popular sob lideranças comunistas.
Alicate:
Tú tá querendo briga com os da esquerda.
Para eles Ghandi era comuna.
Diante de seu comentário, reverencio Ghandi com respeito e admiração. Ghandi anti-comunista - perfeito!!!!
Esquerda? Isso não existe mais. Sobrou a choradeira, o ‘‘me dá um dinheiro aí’’, a mão estendida do pedinte, os preguiçosos, os demagogos.
Soou a trombeta do horror…. Salve-se quem puder!!!!! Quem tiver competência sobrevive e bem. Quem não tiver, vai se danar.
Gandhi não era nem uma coisa nem outra. Era um crente na bondade humana. Coitado.
Negócio o seguinte, como não sou empregado do Estadão posso comentar. Acho que o Estadão combinou com os blogueiros esta rusaga para esquentar a torcida, como a Radio globo faz na segunda -feira antes do domingo de Fla-Flu. Um repórter diz que o jogador tal quer comer a irmã do fulano, outro diz que o árbitro tá comprado, chama véia de puta. Tudo armado para aumentar a audiência. Eu não caio nessa não.
Aqui ó procês tudo, vão tomá no (O)…..
http://www.youtube.com/watch?v=vTA26q7zlE4&eurl=http%3A%2F%2Fblogdoalon%2Eblogspot%2Ecom%2F
Duas visões igualmente centradas no mesmo umbigo ocidental. Como se os ingleses tivessem feito um favor aos indianos ao acabar com os pequenos reinados. Como se todos devessem repetir o famigerado Estado-nação
POR QUE TODOS FAZEM ISTO EM TOCAR DE NADA
NAO VAI FAZER ELES FICAREM MAIS RICOS DO QUE HOJE OU VAI