O que pensa Alvin Toffler

Gente · História · Mundo · Mídia · 13/08/2007 - 06h58 - 79 Comentários

‘Sabe aquela história de que não há almoço grátis?’, pergunta Alvin Toffler. ‘Mudou tudo, a economia está cheia de coisas de graça’, ele diz. Aos 78 anos, o primeiro futurista do mundo está cansado. Chegou a São Paulo faz um dia e torna à casa, em Los Angeles, nesta noite.

‘Minha mulher não pôde vir, quero voltar logo.’ Toffler sorri. ‘Sinto saudades.’ O cansaço é acusado pela postura relaxada na cadeira, quase jogado, pelas pálpebras que caem com insistência, por uma pequena veia que estourou no olho direito.

Mas aí o velho professor lembra do que falava. Ganha ritmo, se empolga com suas idéias mais recentes. Quer se fazer compreender. ‘Se você vai a um caixa automático e saca dinheiro, um serviço é prestado e ninguém recebe por ele.’ Antes, todo serviço exigia um empregado para fazê-lo. Mas quem mede a pressão com um aparelhinho, em casa, não paga a visita do médico. Software livre, fotos digitais que não carecem de revelação, há uma miríade de funções que não geram mais pagamentos. No entanto, geram valor: o dinheiro na mão, a tranqüilidade de que a pressão vai bem ou a foto da filha soprando a vela de aniversário.

O professor Toffler é um homem alto e extremamente bem-humorado. Ele esteve rapidamente no Brasil há duas semanas e, no meio da agenda, incluiu uma visita ao Estadão. O resultado de uma conversa – mais um bate-papo – de duas horas e meia saiu publicado hoje, no Link.

Em determinado momento, perguntei se ele acreditava que grandes empresas de mídia ainda existiriam no futuro. ‘Enquanto houver anunciantes querendo atingir um público grande, haverá grandes empresas de mídia’, ele respondeu.

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