Os erros de Bush, Iraque e o pós-eleições nos EUA

EUA · Iraque · 10/08/2007 - 06h43 - 86 Comentários

Michael Ignatieff foi acadêmico – professor em Harvard – e é político – deputado do Partido Liberal canadense:

O filósofo Isaiah Berlin disse certa vez que o problema de acadêmicos e comentaristas é que, perante novas idéias, eles se encantam mais com a originalidade de tais idéias do que com se representam ou não a verdade. Políticos também vivem em função de idéias, mas eles não podem se dar ao luxo de lidar com idéias que sejam apenas originais ou interessantes. Eles têm de trabalhar com o pequeno número de idéias que representam a verdade ou, pior, com o ainda menor número de idéias que representam a verdade e são aplicáveis à vida real. Na vida acadêmica, idéias falsas são apenas falsas e idéias inúteis podem ser divertidas de lidar em discussões. Na vida política, idéias falsas arruínam vidas de milhões e idéias inúteis desperdiçam recursos preciosos. A responsabilidade de um intelectual perante suas idéias é levá-las até o fim de suas conseqüências. A responsabilidade de um político é dominar estas conseqüências e impedir que causem mal. [...]

A grande qualidade que um político deve ter é noção da realidade. ‘O que chamam de sapiência do estadista’, escreveu Berlin a respeito de figuras como Roosevelt e Churchill, ‘é compreensão, não conhecimento. Uma certa familiaridade com fatos relevantes que os permite saber o que se encaixa com o quê; o que pode ser feito em determinadas circunstâncias; que meios funcionarão para dadas situações e quão longe dá para ir, mesmo que sejam capazes de explicar como sabem ou mesmo o que sabem.’ Políticos não podem se fechar em casulos, num mundo ideal que imaginaram. Eles não podem confundir o mundo como ele é com o mundo como gostariam que fosse. Eles devem ver o Iraque – ou qualquer outro canto – como de fato é.

Invadir o Iraque foi uma idéia. Espalhar democracia pelo Oriente Médio a partir desta invasão foi uma idéia ousada. Partindo-se do princípio de que foi uma idéia honesta – discutível – e que houve boas intenções, ainda assim não funcionaria – como não funcionou.

Enquanto o presidente George W. Bush vive em seu mundo de fantasias fingindo que a decisão de invadir o Iraque fazia sentido ou que ainda há solução, o próximo presidente dos EUA tem duas opções pela frente, segue o raciocínio de Ignatieff. Ficar ou sair. Ficar representará mais norte-americanos mortos. Sair representará mais iraquianos mortos. Isto dá uma pista de qual será o caminho seguido por um chefe de Estado dos EUA.

Neste momento, com o país em frangalhos, o que é melhor para o Oriente Médio? Ignatieff não arrisca sua opinião. Mas, decididamente, não é uma decisão fácil ou mesmo elementar. Consertar o mundo depois que o atual presidente norte-americano o quebrou vai ser trabalho para muitas gerações.

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