O que seria da Terra sem nós, humanos?

Biologia · Energia e Aquecimento global · 2/08/2007 - 06h36 - 65 Comentários

O que aconteceria se um dia, de uma hora para a outra, o homem desaparecesse da face da Terra. Seria melhor para o planeta? Nós alteramos a química da atmosfera; interferimos no espaço natural construindo cidades, estradas; nos metemos no processo evolutivo, construindo espécies para nosso dispor – de vacas gigantes e gatos domésticos.

Este é o assunto de The world without us – O mundo sem nós – do jornalista americano Alan Weisman.

(O livro, em inglês, pode ser encontrado aqui.)

Sem manutenção, o Canal do Panamá ia para o espaço, alagado. O metrô de Nova York começaria a encher d’água na primeira tempestade, criando um rio subterrâneo. Em todas as cidades do mundo, incêndios iniciados se alastrariam com facilidade. Cidades não durariam muito.

Entre nossas principais heranças, deixaríamos plásticos para sempre nos oceanos, borracha de pneus às toneladas e lixo de usinas nucleares abundante, durante séculos ameaçando suas vizinhanças.

Também azulejos e louças sobreviveriam. Como alguns objetos metálicos. Tecidos e papéis iriam embora rápido.

Isto quer dizer que, no Louvre, em Paris, a Mona Lisa apodreceria pela umidade, queimaria acidentalmente, algo assim, em alguns anos. Mas os vasos sanitários continuariam intactos.

As baratas e tantas pragas com as quais convivemos teriam suas populações diminuídas se é que não se extinguiriam sem os dejetos humanos. Mas pereceriam também os cachorros e muitas espécies que criamos em fazendas. Para os passarinhos, não faríamos a menor diferença – suas populações permaneceriam razoavelmente estáveis.

Haveria espaço para crescimento populacional de outro mamífero de grande porte. Isto forçaria competição entre espécies candidatas. Weisman aposta noutro primata – babuínos, talvez. Mas podem ser elefantes. Com o passar dos anos, dos milênios, as forças evolutivas talvez lhes aumentem a inteligência e a capacidade de comunicação.

(A idéia do Planeta dos Macacos faz lá algum sentido científico.)

Esta espécie inteligente que talvez nos suceda, ou algum extra-terrestre que visite o planeta onde vivemos um dia, terá alguns sinais de nossa presença centenas de milênios à frente. Aço inoxidável, este metal de composição tão estranha e superfície tão polida que dá forma a estranhas ferramentas. Uma considerável quantidade de chumbo na atmosfera, vindo sabe-se lá de onde, sabe-se lá por quê.

Segundo o resenhista da revista britânica sp!ked, Weisman não propõe uma tese, apenas faz um exercício de imaginação após ter colhido informação com cientistas de todas as áreas. É uma aula do real impacto que temos. Não que seja particularmente ruim – isto é matéria de opinião. Conosco, morreriam várias espécies. E outras tantas ganhariam mais espaço. Sem nós, o mundo não seria particularmente melhor ou pior. Mas seria muito, muito diferente.

Esquecidos? Não de todo. Seríamos para sempre lembrados, universo afora, por toda transmissão de rádio e tevê que emitimos até nossa extinção e que permanecerão flutuando para todo o sempre.

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