Reverso, manetes, Congonhas e o piloto da TAM

Brasil · 29/07/2007 - 00h01 - 115 Comentários

Palavras à edição distribuída no sábado da Veja:

Um erro humano está na origem do pior acidente aéreo da história da aviação brasileira. As informações já obtidas por meio da análise das caixas-pretas do Airbus A320 da TAM – que no último dia 17 se chocou contra um prédio da companhia, causando a morte de 199 pessoas – indicam que o avião, ao pousar, não conseguiu desacelerar o suficiente por causa de um erro do comandante do vôo. Essas informações, ainda mantidas em sigilo pela comissão da Aeronáutica que investiga o acidente, mostram que uma das duas alavancas que regulam o funcionamento das turbinas, chamadas de manetes, estava fora de posição quando o avião tocou a pista principal do Aeroporto de Congonhas.

Segundo apurou a revista, a posição dos manetes na aterrissagem é uma com ambos os reversos do Airbus A320 funcionando mas, quando há defeito, é outra. Se a informação estiver correta, houve erro humano. Ainda segundo a Veja, não houve aquaplanagem. O avião não derrapou por conta de falta de atrito.

Outros dois incidentes semelhantes já ocorreram na história dos A320. Nos casos anteriores, o pouso foi feito em aeroportos de pistas longas, com tempo o suficiente para corrigir o erro.

A Aeronáutica não confirma que a reportagem está correta.

Muitos dos prezados leitores criticaram o primeiro post a respeito do acidente. Ao culpar o governo pelo acidente antes de qualquer investigação, diziam, eu estava sendo injusto.

Mesmo que a reportagem de Veja não se confirme, estes leitores estavam corretos. A eles, devo desculpas.

Ainda assim, há uma crise aérea que se estende há quase um ano. Havia um Ministro da Defesa incapaz de exercer autoridade. Havia obras menos importantes em aeroportos sendo tocadas quando obras mais importantes seguiam ignoradas. A autoridade aérea brasileira cedia aos interesses das empresas aéreas sem jamais impor os interesses do povo. A ministra cujo trabalho é garantir que viagens pelo Brasil sejam agradáveis informa ao distinto público que, perante o inconveniente, melhor ‘relaxar e gozar’.

Após o acidente, o governo sumiu, congelou-se por uma semana. Um de seus principais assessores foi flagrado num gesto de escárnio. Os responsáveis pela regulação do tráfego aéreo mais desregulado da história deste país não esperaram 200 cadáveres sequer esfriarem para aceitar comendas do puxa-saquismo oficial que impregna a nação. Todos comendadores, agora. Na posse do novo ministro, provas de um governo tranqüilo e sorridente.

Riem de quê?

A crítica dos primeiros posts deste Weblog estava, ao que parece, incorreta. Mas a raiva contra o governo estava plena de fundamentos.

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