Onde está bin Laden?

Ásia Central · 24/07/2007 - 05h28 - 13 Comentários

Não é possível pensar o Afeganistão sem pensar, simultaneamente, no Paquistão. O país, criado para abrigar a população muçulmana da Índia, tem uma política interna profundamente corrupta, golpista, e uma estrutura de forças difícil de compreender.

Uma destas forças é a ISI, o serviço secreto. O Estado – o governo, entenda-se – pode até estar disposto a esquecer da Caxemira, aquele naco de terra até hoje disputado com os indianos. A ISI jamais o fará.

Abdul Sattar Murad é governador de Capisa, uma pequena província afegã, próxima da capital, Cabul. Trecho de uma entrevista:

Por que parte da ISI tem interesse em desestabilizar o Afeganistão?

Desde o início, a ISI tem este projeto de um governo ortodoxo para o Afeganistão. O objetivo é usá-lo para recrutar soldados e formar um exército de fiéis que possam lutar na Caxemira. Seu objetivo com o Talibã no poder era este e um grupo dentro da ISI continua com este plano. A eles, um Afeganistão fortes, estável, em desenvolvimento, não interessa.

Mas os EUA consideram o presidente Perve Musharraf um aliado. Cooperam com ele.

Este grupo dento da ISI não está sob controle de Musharraf. O próprio presidente é um alvo deles. [...]

Por que, depois de seis anos, os EUA não conseguiram capturar Osama bin Laden e seus principais assessores?

Porque o Paquistão não oferece o apoio máximo. As altas esferas do governo cooperam, mas este grupo da ISI, que sabe onde está a al-Qaeda, não auxilia a inteligência norte-americana. Dentro do Afeganistão, também há pouca ajuda. Os líderes regionais que lutaram contra o Talibã estão ressentidos e isto criou uma distância entre eles e o governo central. Isto não ajuda em nada com o objetivo de encontrar a al-Qaeda. Estes líderes podem ajudar a encontrar o [líder talibã] mulá Omar e bin Laden, se ele estiver em solo afegão. Mas a não ser que uma política de aproximação venha, isto não vai acontecer.

Você quer dizer que há gente importante no Afeganistão que sabe onde está a al-Qaeda mas não coopera?

Sim. Muitos, no atual governo, principalmente ministros, vêem os líderes regionais que lutaram contra o Talibã e contra os soviéticos como senhores da guerra. Eles não diferem entre bons e maus senhores da guerra. Vêem todos da mesma forma. Os senhores da guerra, por sua vez, sentem-se ameaçados. Aí não cooperam. Se cooperarem, ninguém da al-Qaeda será encontrado.

Três dias após esta entrevista ter sido concedita, o presidente Hamid Karzai ordenou a demissão de Murad.

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