+ Sobre Congonhas e o vôo da TAM
Um resumo do que vai na imprensa após a madrugada.
Entrevista ontem ao Jornal das 10 da GloboNews:
A falta do chamado grooving no Aeroporto de Congonhas, ranhuras transversais na pista que aumentam o atrito, pode ter contribuído para o acidente do vôo JJ 3054 da TAM, segundo avaliação do engenheiro aeronáutico Jorge Eduardo Leal Medeiros, professor doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
A falta do chamado grooving no Aeroporto de Congonhas, ranhuras transversais na pista que aumentam o atrito, pode ter contribuído para o acidente do vôo JJ 3054 da TAM, segundo avaliação do engenheiro aeronáutico Jorge Eduardo Leal Medeiros, professor doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. “>Para o especialista, a ausência das ranhuras em razão da chuva torna a pista menos segura. O grooving é importante porque a água penetra nessas ranhuras, evitam derrapagens e ajudam na drenagem de água, explica ele. ‘A Infraero poderia ter dado segurança a mais com o grooving na pista’, ressaltou ele. [...]
O especialista criticou a prioridade dada pela Infraero nas reformas de Congonhas. ‘Por que houve prioridade nas obras do terminal (de passageiros) em detrimento das obras de segurança? Essa inversão de prioridade é gritante’, questionou.
No Estadão:
Três pilotos ouvidos pelo Estado, que preferiram não se identificar, afirmaram que um dos reversos do avião da TAM estaria ‘pinado. O termo, eles explicam, significa que a peça teria um pino para travar o freios. Isso impediria que a aeronave tivesse os freios ativados inesperadamente, como ocorreu na decolagem do Focker 100, em 1996, provocando o acidente que matou 99 pessoas. No entanto, também teria impedido que os freios funcionassem no pouso.
O reverso é um dispositivo usado para desacelerar o avião durante os pousos. O Airbus A-320 da TAM estaria apenas com um deles funcionando corretamente. Os três pilotos – dois deles comandantes da Gol e um deles da TAM – disseram que essa informação foi dada por colegas. O Estado conversou com eles em hotéis da zona sul da cidade, onde se hospedam entre um vôo e outro.
Segundo um deles, que tem 21 anos de profissão, havia também problemas na pista de Congonhas, recém-inaugurada. Assim como já afirmaram vários especialistas, o comandante também percebeu que a pista estava funcionando sem as ranhuras transversais – chamadas de grooving – necessárias para o escoamento de água. Sem isso, o piso poderia empoçar e causar aquaplanagem. O comandante contou que já havia feito vários relatórios sobre o problema na nova pista.
‘Era um pista tão nova e já muito emborrachada’, completou o comandante. Ele explica que também informou em seus relatórios que a borracha solta dos pneus dos aviões estava deixando a pista mais escorregadia ainda.
Os pilotos não pareciam tão tranqüilos como os passageiros. ‘Todos sabem que a pista não poderia estar aberta com essa chuva. Ela não está pronta. Mas piloto não pode reclamar porque perde emprego’, diz um experiente piloto, com 33 mil horas de vôo no currículo, que preferiu não se identificar. ‘Se fosse eu, teria arremetido a aeronave. Não decolaria com esta chuva. Mas como muitos aviões aterrissaram sem problema, o piloto deve ter achado que seria seguro. Mas não é.’ Como muitos pilotos moram nas imediações de Congonhas, eles aguardavam em Guarulhos uma condução para seguirem para a região. E o comentário era a falta de segurança da pista de Congonhas.
Mais: dois acidentes na véspera.
E, na Folha, Eliane Catanhêde:
As circunstâncias eram todas desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, a reforma mal (em duplo sentido) terminou e, afinal das contas, não pode ser pura coincidência que o maior acidente da história acontecer exatamente em Congonhas, no dia seguinte à derrapagem de um pequeno avião da Pantanal. É o aeroporto mais congestionado do país, há décadas se sabe que é inviável e os relatórios oficiais já acendiam o sinal amarelo havia meses. Qualquer um sabe disso, no governo civil, na Aeronáutica, na Infraero, na Anac, nas companhias. Mas ficaram todos esperando ocorrer o pior. Ocorreu.
Resultado: em Brasília, o clima é de total empurra-empurra. O ministro da Defesa, Waldir Pires, estava justamente numa audiência com Lula para discutir o orçamento da Força Aérea, mas, como sempre, foi o último a saber do acidente. Já em casa, teve de voltar ao Planalto. A Aeronáutica diz que não tem nada a ver, porque desta vez o controle de tráfego aéreo não tem nenhuma responsabilidade. E joga a culpa na Infraero, que cuida da infra-estrutura dos aeroportos, e na Anac, a agência civil que substituiu o antigo DAC e que não tem força – talvez nem vontade – de enfrentar as companhias para de fato regulamentar o setor e definir a malha aérea brasileira.
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