Sexo nas bancas

Mídia · Sexo · 16/07/2007 - 15h17 - 39 Comentários

A Playboy de junho valia por todo sexo nas banca deste julho. A bandeirinha Ana Paula na Playboy, a paniquete Gabriela Monteiro na Sexy, Karina Bacchi ou Ticiane Pinheiro na Vip, ou ainda Graziele Massafera na Um não valem a mocinha Paula Aguiar, que sequer a capa mereceu naquela (que ficará mítica) Playboy de junho de 2007. Santiago P. Fusco acertou, no mês passado, quando disse:

Não, Paulinha não estrelou nenhum filme ou novela. Nem mesmo, que eu saiba, namorou algum pagodeiro ou jogador de futebol. Nem sequer o conterrâneo Guga é citado em sua folha corrida. Mas o que sabe a nossa tola cultura da celebridade dos arcanos profundos do desejo? Ora, quem tem tesão em currículo é gerente de RH.

Mas, oxalá perdoe, este mês não tem Santiago. Volto, pois, eu às moças do mês e ao sexo nas bancas – e assim será até que o mestre decida por criar seu próprio blog.

O Edson Aran toca bacana a Playboy estes tempos. A bandeirinha, além das fotos sempre perfeitas de J. R. Duran, vem acompanhada de texto de Ruy Castro. Aí, para quem tem Ivan Lessa, já é covardia. Mas nem Duran, nem Ruy Castro, fazem com que ela seja – assim – um mulherão. Se ganha da moça Gabriela Monteiro, na Sexy, é por um único quesito: o corte pubiano. A mocinha do Pânico usa um naquele estilo listra estreita. Mas que corpaço ela tem. E que lábios. Ambos. Farta em tudo – mas para que tanta fartura? Um quê burocráticas as masculinas do mês corrente.

(Aliás: a Playboy deste mês vazou pra Internet antes mesmo de chegar às bancas.)

O respiro que vale ter está na Vip. Não na capa, compreenda-se, mas no ensaio com as estrelas do cinema nacional. Aqui cabe, em respeito ao companheiro blogueiro Daniel Galera, não fazer quaisquer comentários a respeito de uma delas, a companheira blogueira Tainá Müller. A gente respira fundo, trata de lembrar o décimo mandamento, segue em frente.

Hermilla Guedes (O céu de Suely), com um paninho transparente só cobrindo-lhe os seios bicudos. É exoticamente gata. Rosanne Mulholland (A concepção) escondendo o corpo com um casaco de pele e fazendo aquela carinha de quem quer, lábios úmidos, entreabertos. Essas coisas, a PETA não vê. O casaco tinha que sumir, pobres bichinhos.

Originalmente, o Sexo nas bancas tratava não só das moças mas também do ato. Tem uma reportagem que chama atenção na TPM do mês: “A caretice dos swings”. A tese é de que quem faz troca de casal é, no fundo, careta à beça. E a repórter vai aos clubes, assiste ao que pode, conversa com quem dá, e acaba se convencendo de que é isso mesmo.

Contar sobre um clube de swing foi aquilo que decidi evitar quando estava entretido com minha série de reportagens sobre sexo que terminaram no livro aí ao lado. Quando, por fim, meus editores me convenceram, fui inseguro. Eu tinha, à época, a mesma impressão. Que o swing é algo meio decadente – não pelo sexo, mas por um certo espírito pequeno burguês. Meio cafona.

As trepadas nos clubes são, muitas vezes, inspiradas por uma estética de filme pornô. Suingueiros transam para que os outros vejam fazendo caras e bocas e barulhos e gemidos que talvez não fizessem em casa, sem platéia. Ainda assim, entorpecido pelo espetáculo, fiquei com medo de tirar conclusões rápido demais. A reportagem é a única do livro que é puramente descritiva. Tem o que vi e rigorosamente nada além.

Com o passar do tempo, conhecendo gente, ouvindo histórias, entendendo as pessoas, percebi que era preconceito meu.

Sempre, em todas as culturas humanas, houve espaço maior ou menor para um bacanal. E, sempre, foi preciso gerenciar o turbilhão de emoções e medos que sexo em grupo envolve. Com estranhos é fácil. Com gente com quem se desenvolveu amor, carinho, amizade é ousado pra cacete. Para a maioria de nós, vai para a caixa das fantasias e é melhor que fique assim.

Quem gosta de sexo em grupo tem um comportamento sexual que ainda é visto como tabu. Mesmo que a turma moderninha goste de fazer eventuais incursões ao zoológico, permanece tabu. Um casal não pode dizer que faz sexo com outros como o sujeito que, hoje, pode sair do armário e dizer que é gay.

Suingueiros não são têm rigorosamente nada de caretas. Têm, sim, uma obsessão por se fazerem compreender e tentam ‘limpar’ suas práticas. Um dia, talvez consigam. Ainda está longe. Quem acha sujo, sempre achará. Quem acha estranho, mudará com o tempo e perceberá que faz parte das muitas matizes e preferências da sexualidade humana.

Mas caretas? Não são. Divertem-se de uma forma para lá de heterodoxa. A vontade de chamá-los de caretas nasce de quem – e este já foi meu caso – não quer admitir que, caretas, somos nós.

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