O segundo Holocausto

Islã · Israel e Palestina · Judaísmo · 13/07/2007 - 19h26 - 201 Comentários

Benny Morris é um dos chamados novos historiadores de Israel. São aqueles que foram buscar também o lado palestino da história. Com o tempo, principalmente a partir da Segunda Intifada, foi ficando mais conservador.

Ainda assim, enquanto Hugo Chávez decide passear pelo Irã, não custa ler uns trechos deste seu artigo.

O segundo holocausto será bastante diferente do primeiro. Numa radiante manhã, daqui a cinco ou dez anos, talvez durante uma crise regional, talvez sem qualquer motivo aparente, um dia ou um ano ou cinco anos após o Irã ter obtido a Bomba, os mulás de Qom se reunirão numa sessão secreta, sob um retrato do Ayatollah Khomeini com olhar severo, e darão a luz verde ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, então no seu segundo ou terceiro mandato.As ordens serão dadas e mísseis Shihab III e IV serão lançados contra Tel Aviv, Bersheva, Haifa e Jerusalém e provavelmente contra alvos militares, incluindo meia dúzia de bases aéreas israelitas e (alegadas) bases de mísseis nucleares. Alguns dos Shihab terão ogivas nucleares. Outros serão meros engodos, carregados com agentes químicos e biológicos, ou simplesmente com jornais velhos, destinados a confundir as bateiras antimísseis israelitas.

Para um país com o tamanho e a forma de Israel (20 mil quilômetros quadrados alongados), provavelmente quatro ou cinco ataques serão suficientes. Adeus Israel. Um milhão ou mais de israelitas nas áreas metropolitanas de Jerusalém, Tel Aviv e Haifa morrerá imediatamente. Milhões sofrerão os graves efeitos da radiação. Israel tem cerca de sete milhões de habitantes. Nenhum iraniano irá ver ou tocar um único israelita. Tudo será bastante impessoal.

Agora, às ressalvas.

Há duas teorias para explicar a ascenção da linha dura, no Irã. Uma, do colunista Tom Friedman, do New York Times, é de que quando o preço do petróleo sobe, os regimes de países que vivem do dinheiro petrolífero ficam mais autoritários. Afinal, têm dinheiro, não precisam viver dos favores de ninguém. Veja-se Rússia, Venezuela e Irã. Pode ser.

Outro argumento é que Mahmoud Ahmadinejad foi eleito presidente do Irã em resposta a um governo norte-americano que tinha decidido ameaçar seu país abertamente de invasão. O linha dura defende; o progressista é frouxo. Igualmente coerente. Mais provável é que as teorias sejam complementares.

Fato é que Ahmadinejad não representa todo o Irã e, se a oposição ao governo não é mais evidente, é porque ele prende à moda das ditaduras. O Irã é um país sofisticado e o regime dos aiatolás, ao mesmo tempo que busca e consegue aumentar sua influência na região, também sente-se acuado. Novas tecnologias de comunicação ampliam, internamente, a percepção de como o mundo é lá fora. E a população urbana iraniana não é como a população árabe. Os iranianos são bem educados e a renda é melhor distribuída. Há classe média. Manter uma ditadura num país com classe média vasta e bem educada é mais difícil do que, como é comum no mundo árabe, fazê-lo num país de classe média minguada e parca educação.

Ainda assim, um Irã nuclear oferece este perigo. Basta, de fato, um dia, uma decisão, um momento, um clique.

Aí acaba.

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