A Guerra ao Terror está sendo vencida?

EUA · Islã · Oriente Médio · Terror · 6/07/2007 - 03h02 - 79 Comentários

Fareed Zakaria, editor de política externa da Newsweek e fera quando o tema é Islã, faz uma provocação: o terror está perdendo a guerra.

Na Indonésia, o líder do grupo que explodiu a boate em Bali (2002) foi preso. A liderança do Abu Sayyaf, braço da al-Qaeda nas Filipinas, foi morta e o grupo – mais de 2.000 guerrilheiros há seis anos – não passa de cento e poucos. No Egito e na Arábia Saudita as células terroristas foram desmanteladas. Quem sobrou está se escondendo pelos cantos.

O Terror não consegue mais distribuir dinheiro com facilidade pelo mundo.

Os principais líderes da al-Qaeda ainda têm abrigo na fronteira Afeganistão-Paquistão. Mas os Talibãs não são benquistos. Quando conquistam uma vila, matam gente, se metem na vida dos outros, são totalitários.

No Iraque, a al-Qaeda transformou-se num grupo sunita radical envolvida numa guerra com xiitas e com laços cada vez mais incertos com outros sunitas.

Ele continua seu argumento:

A divisão entre sunitas e xiitas – que também está presente no Líbano – é apenas uma das divisões do Islã. Dentro deste universo estão xiitas e sunitas, persas e árabes, gente do Sudeste Asiático e do Oriente Médio e, mais importante, moderados e radicais. O confronto entre Hamas e Fatah, na Palestina, é o exemplo mais vívido desta última.Assim como as divisões dentro do mundo comunista terminaram por torná-lo menos ameaçador, as variedades do Islã impedem que ele se torne um inimigo único e monolítico.O Islã seria ainda menos perigoso se os líderes ocidentais reconhecessem isto e trabalhassem para enfatizar estas distinções. Ao invés de falar de um movimento único e global que joga no mesmo saco separatistas chechenos na Rússia, militantes pró-Paquistão na Índia, senhores da guerra xiitas no Líbano e jihadistas sunitas no Egito, deveríamos enfatizar que todos estes grupos são muito diferentes, têm objetivos distintos, são amigos e inimigos entre si. Isto deixa óbvio que não representam o Islã. Isto os descreve como aquilo que realmente são: gangues locais de foras da lei cujo objetivo é chamar atenção pelo niilismo e pela barbárie.

Para Zakaria, a Guerra ao Terror está sendo vencida. O problema é que quem está no governo dos EUA não pode dizer isso – ficaria sem missão; e quem está na oposição também não pode: perde seu argumento de que é preciso substituir o comando.

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