Tony Blair, EUA, Israel e Palestina

EUA · Europa · Israel e Palestina · Rússia · 5/07/2007 - 00h09 - 44 Comentários

Faltavam poucos dias para a renúncia do premiê quando um deputado britânico perguntou a Tony Blair qual seria a prioridade de sua missão no Oriente Médio. “Será por em efeito aquilo que é consensual na comunidade internacional”, respondeu-lhe o então primeiro-ministro. “A única maneira de trazer paz e estabilidade para a região é a solução de dois Estados, quer dizer, um cenário no qual Israel esteja seguro e uma Palestina viável, não apenas porque tem território mas também porque tem instituições.”

A resposta é bonita. Só há um problema: Blair pode até achar que esta é sua missão, mas em Washington os planos são outros.

Tornar viável a solução de dois Estados é o trabalho de Condoleezza Rice. As autoridades norte-americanas ouvidas por David Blair, colunista do jornal britânico Daily Telegraph, dizem que a missão de Blair é ir lá e estabilizar a economia sob comando da Autoridade Palestina. Só isso. Demonstraram, aliás, alguma surpresa com as idéias do ex-premiê britânico a respeito de sua missão.

Desautorizado?

O governo dos EUA mandou alguém responder ao discurso de Tony Blair. Para que fosse tudo o mais discreto possível, pinçaram o vice-porta-voz do Departamento de Estado. “É claro que gostaríamos de ter um enviado especial que pudesse erguer as instituições da Autoridade Palestina”, disse Tom Casey. “Mas, da maneira como vemos, ninguém imagina este indivíduo como um negociador que possa falar em nome do Quarteto com israelenses e palestinos.”

Desautorizado pelo quarto escalão.

O Quarteto: EUA, União Européia, Rússia e ONU.

Pouco antes de ver o amigo Tony Blair deixar o cargo de primeiro-ministro britânico, o presidente George W. Bush deixou claro que nunca considerou Blair seu poodle.

Pois é.

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