EUA e Rússia disputam poder sobre mísseis

EUA · Europa · Rússia · 3/07/2007 - 11h45 - 59 Comentários

O problema do escudo anti-mísseis que os norte-americanos querem erguer na Europa é que ele ameaça os russos. O sistema, essencialmente, é composto por outros mísseis que são disparados para destruir as ogivas inimigas. A intenção dos EUA era de posicioná-los na Polônia e na República Checa.

A Rússia não os quer. Afinal, serão mísseis apontados para ela. Parece razoável.

Vladimir Putin passou dois dias passeando com George W. Bush, numa das casas da família do presidente. Ele sugere um escudo anti-mísseis construído no Arzebaijão e outro na própria Rússia. Protegeria Moscou, EUA e também Europa.

Aí, quem não quer são os EUA. Afinal, não teria controle sobre este sistema. É igualmente razoável.

Daí o dilema diplomático. A Rússia de Putin e, aparentemente, a Rússia pós-Putin, é controlada pela FSB, ex-KGB. É uma casta fechada que gosta da idéia de uma Rússia com poderes imperiais. A bagunça (e fraqueza) dos anos Yeltsin se foi, já. A Rússia de Putin não é apenas relevante no cenário internacional. Ela é decisiva.

Veja-se a questão do Irã. EUA e União Européia agiram 100% integrados para pressionar os iranianos a abrir mão de seu projeto de armas nucleares. Foram solenemente ignorados. Por que um país pode simplesmente ignorar todo o peso de EUA e Europa ao mesmo tempo? Porque conta com o apoio de Rússia e China. Enquanto tiver ambos a seu lado, não há o que os outros possam fazer.

Em parte, a posição estrategicamente fraca é responsabilidade dos EUA. Ao invadir o Iraque, além de piorar sua situação no Oriente Médio, comprometeu suas Forças Armadas a tal ponto que não tem como ameaçar ninguém militarmente. Mas o resultado é que, para que as coisas aconteçam no mundo, não basta mais a vontade dos EUA. Ou de EUA e Europa.

Rússia e China contam, são decisivos. As conversas com a Rússia mal começaram. Não é mais a União Soviética, seu poder tem características diferentes. Mas é poderosa pacas. E estas conversas não são apenas a respeito do escudo de mísseis. Vão muito além.

O conjunto de forças que vai intervir na geopolítica mundial nas próximas décadas está sendo traçado.

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