Adolescentes e a possibilidade do sexo

Sexo · 3/07/2007 - 19h24 - 75 Comentários

O congresso peruano tem planos de baixar a idade de consentimento no país para 14 anos. Quer dizer: a partir daí, é opção do indivíduo transar ou não.

Nenhum garoto em sã consciência dispensaria as atenções de Debra LaFave ou Pamela Turner. (Nos últimos anos, escrevi sobre as professorinhas dos EUA para o NoMínimo e para a Playboy.)

O mesmo vale para as moças: sabem o que querem. Algumas optam por postergar a iniciação. Outras estão ávidas. A questão é se a lei tem direito ou não de se intrometer nesta decisão.

Vanessa, do (in)confidência mineira, conta como a discussão está se encaminhando no Peru. Marcus Pessoa, o Velho do Farol, comenta:

Pra quem não sabe, o Brasil, ao contrário do que imagina o senso comum, também tem uma age of consent de 14 anos, e não 18. Existe uma certa dubiedade na interpretação do crime de “corrupção de menores”, mas o crime de “sedução” foi retirado do código penal. Sedução era quando um homem mais velho usava de malícia (sic) com uma menina para convencê-la a transar com ele…

Alguém duvida que jovens de 14 anos querem transar?

O argumento de que pessoas mais velhas podem pressionar psicologicamente por um consentimento é inócuo, porque essa pressão também é feita por pessoas da mesma idade. O que mais tem por aí são meninos fazendo falsas promessas a meninas para levá-las para a cama. Sexo sempre envolve algum tipo de relação de poder, e é irreal achar que os jovens estarão protegidos disso proibindo-os de escolher seus parceiros.

Chego à mesma conclusão que ele mas seguindo um raciocínio diferente. Não acho que sexo sempre envolva algum tipo de relação de poder. É justamente o que se deve evitar. O melhor sexo é aquele entre duas (ou mais) pessoas que sabem exatamente o que querem e estão dispostas a cooperar para alcançar seus objetivos comuns. O neoliberalismo, espera-se, não chega à cama.

A questão é que sexo ruim existe e faz parte da existência. Experiências ruins existem. Aprendemos a fazer boas escolhas, ganhamos esperteza e destreza perante as coisas da vida, vivendo. Mudamos de idéia, nos surpreendemos às vezes, nos decepcionamos outras. Ninguém deve ser responsabilizado pelas nossas más escolhas.

Então chega-se ao ponto: aos 14 anos se é esperto o suficiente para tomar estas decisões? É obviamente uma questão cultural. Nos anos 50, a praxe era levar os rapazes de 14 para a zona e ninguém achava nada demais. Até a virada para o século 20, meninas casavam-se habitualmente aos 12, 13, 14. A idade de consentimento subiu. Infantilizamos adolescentes.

Se há desejo sexual aos 13, 14 ou 15 é porque os corpos já estão maduros e as mentes preparadas para aprender como agir neste mundo complexo e fascinante que é o da sexualidade.

Tão complexo que, em alguns, dá medo. Envolve sensações muito intensas. Sensações que, nas mulheres, são tão evidentes que perturbam, intimidam, um certo tipo de homem. É este medo que censura, que proíbe, que – este sim –, causa traumas.

É graças a experiências ruins que nos deleitamos com e valorizamos as boas. Elas não devem e não podem ser evitadas.

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