Cinco capas da Playboy

Mídia · Sexo · 2/07/2007 - 01h17 - 51 Comentários

Outro dia, no blog do Inagaki, encontrei suas cinco edições favoritas da Playboy. É uma corrente iniciada há pouco na blogosfera tupinambá. Não pretendia contribuir para ela, mas aquelas memórias fizeram buscar a escadinha, subir à estante, trazer a pilha abaixo. São muitos anos, muitas edições.

Gosto de revistas, principalmente de algumas; a Playboy brasileira é uma delas. É uma revista que vende a fantasia. O carro que você quer ter, as roupas, as idéias, os coquetéis que quer preparar – as mulheres. É a fórmula que permite uma pausa no dia-a-dia, no noticiário, para algum prazer ensimesmado.

Escolher as cinco melhores capas é um pouco como escolher as cinco músicas, os cinco livros. Dizem mais a respeito de seus momentos de vida, do que aquelas moças despertaram sobre suas fantasias, desejos ou esperanças. Em ordem:

Agosto de 2004 – Mel Lisboa está nua pela casa. A luz é de sol da manhã. Perante a estante, ela apóia-se na escada – não olha os livros. Algo chama sua atenção no outro lado e ela vira o rosto. Mel usa óculos, nesta foto, e traz o cabelo amarrado num rabo de cavalo. Está seriíssima daquele jeito que elas só conseguem quando jovens. Os seios são miúdos e os bicos estão relaxados; a barriga sobressai-se apenas um quê. Os pêlos, cortou-os num vê, estão aparados rente e lá está uma tatuagem de fada a dois dedos de distância.

O Dapi, que assinava na época uma resenha mensal da revista, destacou a juventude da moça. Um certo frescor; carisma. Mel é a namorada nova que acorda um dia e passeia pela casa nua. Você abre os olhos e apenas observa. Ela é a mostra de que o tempo passa. Foi um período em que a revista andou caidinha, mas está lá essa pequena preciosidade entre as edições.

Março de 1989 – Sílvia Rossi tinha longos cabelos cacheados. Apoiada numa árvore, sorri largo, mostra os dentes. Seios grandes em curva, bicudos – uns bicos grossos e ouriçados. Veste um jeans surrado que está aberto. A marca do biquíni acusa o fio-dental que se usava. Seus pêlos estão à mostra; negros, revoltos.

Não foi uma edição que comprei pela moça da capa – comprei-a porque estavam lá fotos das capas do ano anterior, todas elas. Sílvia foi a primeira mulher nua que vi e achei-a bonita de graça. Não porque era famosa, porque esteve num filme ou novela; foi, de certa forma, a descoberta de que uma mulher pode ser bonita, charmosa, instigante, pode despertar desejo, por ela, pelo que é. Linda, que era.

Fevereiro de 1987 – Com um sobretudo preto, Maitê Proença se curva. Seus cabelos estão molhados, ela veste um chapéu de feltro. Expõe-se. Era magra, a Maitê que estava na Manchete com Dona Beija. Sorri de olhos fechados. Seios grandes com bicos miúdos, pêlos altos, castanho-claros. Foi uma edição especial esgotada – Maitê devia ser a mulher mais bonita do Brasil, naquele tempo. Minha primeira Playboy.

Abril de 1989 – Ana Lima era morena que só, cabelos negros, olhos muito azuis. Na minha favorita está deitada na cama com um baby-doll branco, o short tão folgado que expõe-lhe a vulva – negra, farta embora raspada nos lados – e até permite que se adivinhe os lábios. Ela era de uma beleza agressiva. Se Sílvia Rossi tinha algo de onírico, Ana Lima era carne.

A Playboy que nunca foi – Minha quinta Playboy é aquela que nunca houve. Muitas candidatas passaram por aqui. Carla Marins, em 92; Flávia Monteiro, em 2005; Flávia Alessandra, 2006; Isabela Garcia, 1988; Mayara Magri, 1986; Luma de Oliveira e Luciana Vendramini, as de 1987. As auréolas de Cristiana Oliveira; o barbeador de Adriane Galisteu. Mas houve uma, ali entre 1988 e 1995, que faltou.

Malu Mader.

(Percorrendo as edições, me observando por elas, constatando a busca por um certo sorriso, um certo frescor, um tom de cabelo – uma graça –, compreendi Marina a meu lado. Faz todo sentido. Ora, pois: Playboy também educa, nos refina o gosto.)

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