Solução para o terrorismo islâmico?

Europa · Islã · Oriente Médio · Terror · 1/07/2007 - 10h44 - 145 Comentários

Não era Saddam Hussein. Tampouco é o Irã. O perigo de fundo, estratégico, que ameaça o coração de nossa sociedade, é outro e requer um novo enfoque. Ele será combatido com a polícia e, em alguns cantos, com o exército. Mas não bastam. Será preciso fechar acesso aos campos onde treinam os criminosos e isto só se faz combatendo a pobreza, ampliando a escolaridade, implantando cidadania. Ainda assim, não basta. O combate se dá com uma política de alianças, isolando-os ao invés de nos isolarmos com políticas intransigentes que demonizem muçulmanos. Não bastará. É preciso melhorar nossa inteligência, conhecê-los bem, saber o que dizem nas mesquitas às sextas-feiras, contar com analistas que assistam suas tevês e leiam seus sites. Precisamos detectar os perigos com antecedência para impedir atentados e desarticular suas redes.

E tudo será insuficiente.

Precisaremos desmontar seu discurso anti-semita e anti-ocidental. A questão palestina não pode esperar um minuto mais, veremos agora se Tony Blair de fato vale o que dizem. E, no entanto, não será suficiente, tal é a profundidade do conflito no qual estamos metidos. Teremos de criar um novo consenso social e político, saber integrar os imigrantes muçulmanos nas sociedades européias, quiçá integrar a Turquia à UE. E mais: este combate deverá ser travado com a lei, com o Estado de direito, sem lançar mão de atalhos ou exceções, proibindo limbos judiciais e evitando qualquer relaxamento nas garantias e exigências com respeito aos direitos humanos. Não podemos entregar o núcleo ético que os terroristas querem destruir.

Mesmo assim, continuará faltando algo: no final, são os próprios muçulmanos que têm a chave para a solução deste problema que criamos todos, eles e nós.

De Lluís Bassets, do El País.

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