Osama e Adolf

História · Ideologias · Israel e Palestina · 31/01/2007 - 16h00 - 139 Comentários

Imagine que seis horas após os ataques de Onze de Setembro às torres gêmeas e ao Pentágono terroristas tivessem levado a cabo uma segunda onda de ataques aos EUA matando mais 3.000 pessoas. Imagine que mais seis horas depois viesse uma terceira onda. Agora imagine que estes ataques de seis em seis horas continuassem por quatro anos até que 20 milhões de norte-americanos morressem. É mais ou menos o que a União Soviética sofreu durante a Segunda Guerra e, ao pensar sobre estes números, podemos ter uma idéia melhor de qual o tamanho do sofrimento dos EUA nesta guerra contra o terrorismo.

David Bell, diretor da revista New Republic, pergunta se não há uma reação exacerbada por parte de seu país aos ataques de Onze de Setembro.

É verdade que, se olhamos apenas para os objetivos de nossos inimigos, é difícil ver indícios de reagimos exacerbadamente. Aqueles que nos atacaram em 2001 são fanáticos cheios de ódio que não querem nada menos do que destruir nosso país. Mas desejo não é capacidade e, apesar de os extremistas islâmicos poderem fazer muito mal ao mundo, não quer dizer que tenham a mínima chance de ameaçar a existência dos EUA.

Muitos norte-americanos, principalmente à direita, não fazem esta distinção. Para eles, o inimigo ‘islamo-fascista’ herdou não apenas os ódios implacáveis de Adolf Hitler mas também sua capacidade de destruição. O autor conservador Norman Podhoretz chegou ao ponto de dizer que estamos lutando a Quarta Guerra Mundial (a Terceira, ele diz, foi a Guerra Fria).

Não é desrespeito às vítimas do Onze de Setembro, ou mesmo aos homens e mulheres de nossas Forças Armadas, dizer que, pelo padrão das guerras passadas, a guerra contra o terrorismo infligiu um custo humano muito baixo aos EUA. Como assassinato em massa, os ataques são indescritíveis. Mas em comparação a outros assaltos a alvos civis, de Hiroshima para baixo, eles foram pequenos.

Bell não nega que há um inimigo ou que ele deva ser combatido. Apenas sugere que, não, os EUA não estão sob qualquer ameaça.

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