Amanhã é dia de Chávez

Venezuela · 2/12/2006 - 00h01 - 144 Comentários

Amanhã tem eleições na Venezuela. Diz a Economist:

Mr. [Manuel] Rosales não conseguiu trazer para si o descontentamento com crime, desemprego e corrupção. Os venezuelanos que votam em Mr. Chávez lhe dão crédito pela economia exuberante e por suas misiones. Apesar de seu poder se estender por todo o país, tal é a fé dos eleitores nele que eles tendem a culpar outros, como governadores ou prefeitos, pelos males do país.

Até há uns meses, a oposição estava indecisa se participaria ou não das eleições, já que muitos duvidavam que ela podia ser limpa. Uma minoria ainda acredita que Mr. Chávez só vence se por fraude. Muitos venezuelanos não confiam na autoridade eleitoral dominada pelo governo. Mas há um esforço da oposição para acalmar estes críticos. Os assessores de Mr. Rosales garantem que serão capazes de detectar qualquer tentativa de manipular os votos.

Há muito tempo que a oposição venezuelana não conseguia se unir ao redor de um único nome e Rosales, governador de centro-esquerda do estado de Zulia, conseguiu o feito.

Ainda assim, com o país crescendo a 9% ao ano, é difícil que Chávez perca o pleito. Rosales está trabalhando com foco na próxima eleição.

As Misiones resumem o programa social do governo venezuelano. Há missões para alfabetização de adultos, para levar educação básica a crianças, para incluir a maior quantidade de gente em sistemas de saúde, moradia – tudo que envolve uma grande mobilização que atenda às necessidades básicas.

O nome não é acidente. Misiones é o nome genérico para as grandes Missões Jesuítas que preencheram a América espanhola entre os séculos 17 e 18, protegendo índios da escravização. Tratavam de cercá-los em aldeias onde eram educados e trabalhavam coletivamente.

São polêmicas, hoje em dia. Seus críticos as vêem como paternalistas, como forças de aculturação dos povos nativos. Alguns chegam a dizer que os jesuítas os escravizavam e queriam, isto sim, o monopólio da escravidão. Aí é um pouco forçado, já que as missões não produziam dinheiro como as fazendas com mão de obra negra.

As missões, até serem derrubadas em guerras, salvaram muita gente. Mas são, como toda obra jesuíta neste período da história, politicamente incorretíssimas. É de todo curioso que Chávez lance mão de sua memória.

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