Guerra aberta?

Europa · Islã · 28/10/2006 - 23h24 - 109 Comentários

A questão a respeito de mulheres muçulmanas que se vestem com o niqab – um tipo de roupa na qual quase todo o rosto é coberto – anda nas manchetes. Jack Straw, um político britânico importante, disse que está perturbado pelo número de eleitoras que vestem o niqab para encontrá-lo. Ele disse que seu hábito é pedir que mostrem o rosto. Tony Blair concordou no último 17 de outubro, quando chamou o hábito de esconder o rosto de ‘uma marca de separação que deixa desconfortáveis’ aqueles fora da comunidade. O premiê também apoiou uma prefeitura que demitiu uma professora que se recusou a remover seu véu enquanto trabalhava. José Manuel Barroso, o presidente da UE, explicou que é uma questão de bom senso compreender que uma professora que quer se comunicar não pode ’se apresentar aos alunos com o rosto coberto’.

Ao que parece, os líderes britânicos e o Islã britânico cada vez mais desconfiam um do outro. Do lado muçulmano, há uma percepção de que os políticos querem faturar batendo no Islã. ‘Parece que desistiram do voto muçulmano e que estão apelando para o sentimento anti-muçulmano do eleitorado’, disse um líder proeminente do Islã. O governo, por outro lado, sugere que esperava dos amigos muçulmanos que providenciassem paz e moderação mas que a promessa não vem rendendo.

A experiência nos EUA, no Reino Unido e em outros países que sofreram ataques de extremistas muçulmanos sugere que a sociedades no ocidente são fortes o bastante para manter paz doméstica e coesão social mesmo nas piores condições. Mas isto parte do pressuposto de que todas as ‘pessoas decentes’ trabalham contra o extremismo, seja ele violento ou apenas retórico. O que acontece quando não dá mais para pressupor isto?

Da Austrália à Europa aos EUA, comunidades muçulmanas locais e governos têm entrado em conflito com cada vez maior freqüência. Não acontecia antes do 11 de Setembro, mas isto mudou. Não há briga declarada, como chama a atenção a Economist, mas o desentendimento está maior. Se houver rompimento formal, sabe-se lá como pode terminar.

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