Guerra aberta?
A questão a respeito de mulheres muçulmanas que se vestem com o niqab – um tipo de roupa na qual quase todo o rosto é coberto – anda nas manchetes. Jack Straw, um político britânico importante, disse que está perturbado pelo número de eleitoras que vestem o niqab para encontrá-lo. Ele disse que seu hábito é pedir que mostrem o rosto. Tony Blair concordou no último 17 de outubro, quando chamou o hábito de esconder o rosto de ‘uma marca de separação que deixa desconfortáveis’ aqueles fora da comunidade. O premiê também apoiou uma prefeitura que demitiu uma professora que se recusou a remover seu véu enquanto trabalhava. José Manuel Barroso, o presidente da UE, explicou que é uma questão de bom senso compreender que uma professora que quer se comunicar não pode ’se apresentar aos alunos com o rosto coberto’.
Ao que parece, os líderes britânicos e o Islã britânico cada vez mais desconfiam um do outro. Do lado muçulmano, há uma percepção de que os políticos querem faturar batendo no Islã. ‘Parece que desistiram do voto muçulmano e que estão apelando para o sentimento anti-muçulmano do eleitorado’, disse um líder proeminente do Islã. O governo, por outro lado, sugere que esperava dos amigos muçulmanos que providenciassem paz e moderação mas que a promessa não vem rendendo.
A experiência nos EUA, no Reino Unido e em outros países que sofreram ataques de extremistas muçulmanos sugere que a sociedades no ocidente são fortes o bastante para manter paz doméstica e coesão social mesmo nas piores condições. Mas isto parte do pressuposto de que todas as ‘pessoas decentes’ trabalham contra o extremismo, seja ele violento ou apenas retórico. O que acontece quando não dá mais para pressupor isto?
Da Austrália à Europa aos EUA, comunidades muçulmanas locais e governos têm entrado em conflito com cada vez maior freqüência. Não acontecia antes do 11 de Setembro, mas isto mudou. Não há briga declarada, como chama a atenção a Economist, mas o desentendimento está maior. Se houver rompimento formal, sabe-se lá como pode terminar.
Ainda sobre o assunto:
- A Igreja, o homossexualismo
e Roma, cidade aberta Enquanto o estranhíssimo e nada claro caso do padre Júlio Lancelotti se desenrola por aqui, pesca isto de uma reportagem... - Chávez em campanha aberta Que ninguém negue a Hugo Chávez um mérito: ele tenta. E tenta muito, luta tantas lutas quanto são possíveis lutar...
- A Guerra ao Terror está sendo vencida? Fareed Zakaria, editor de política externa da Newsweek e fera quando o tema é Islã, faz uma provocação: o terror...
- E quem afinal está certo na
Guerra Civil Espanhola? Boa a discussão aí abaixo esta a respeito da Guerra Civil Espanhola. E como é polarizado este tempo em que... - As diferenças do mundo Para entender o Islã: Quase nenhum muçulmano abre o Coorão e o lê para buscar os comandos de Deus para...



Briga ou guerra?
Infelizmente isto vai acabar numa declaração formal de guerra, porque não sei se já passamos o ponto da não-volta.
Dizem que ninguém ganha com guerra e isto é uma enorme mentira.
Além da óbvia indústria bélica, as cúpulas da maioria dos países também ganha.
Isso é bem verdade. As comunidades islâmicas estão cada vez mais herméticas na Europa, e o que assusta mais é fato de que elas se fecham não apenas em relação aos “brancos”, por assim dizer, mas também em relação às demais comunidades minoritárias (hindus, africanos cristãos, vietnamitas etc). Por outro lado, os europeus que se consideram no direito de serem europeus, isto é, os brancos, também estão cada vez mais fechados e pendendo para a direita. Outro dia fui fazer um exame médico obrigatório e o doutor ficou uma hora comigo na sala explicando com análises históricas e geográficas por que ele considera que o maior perigo do mundo hoje é o islã. E dizia: “Só que se eu sair por aí falando isso, vão me chamar de fascista”. É claro que, como eu precisava do atestado, não chamei ele de fascista, mas posso dizer que a coisa está assustadora…
facismo é ofensa que qualquer um tira do bolso na hora que os argumentos racionais acabam. Os maometanos e demais imigrantes deveriam simplesmente adotar o estilo de vida do país que os recebe. Ponto.
Chesterton,
Não sabia que você andava nu pelas ruas de carregando seu arco e flecha. :-)
e desde quando indio de arco e flecha anda na rua?
de qualquer modo, tua gracinha tem sentido, pois o branco veio as Americas para colonizar a terra e os povos silvicolas, os muçulmanos querem colonizar os EUA e a Inglaterra? Se sim, creio que devem ser a todo custo impedidos.
É o resultado da combinação perfeita dos ignorantes e extremistas xiitas existentes em todos os cantos do planeta……..ô raça.
Fala sério!
É, vivemos um descompasso. De um lado, a passos largos, o mundo se globaliza e prega a livre circulação de bens, serviços, pessoas e moedas. De outro algumas culturas se voltam para seus dogmas, princípios e regras em interpretações errôneas que trazem intolerância extremista. Vivemos um período de transição e não conseguimos antever a acomodação que se dará. E tem muita gente que não ajuda, que estimula preconceitos e ódios, do lado ocidental também. De forma geral acredito no princípio de tirar lenha das fogueiras. A iniciativa deve ser de quem se acha mais evoluído, no meu entender. É um xadrez difícil de jogar. Não vejo os governos americanos e israelenses jogando bem ultimamente, pra falar do meu lado.
Entretanto, a grande mudança está um pouco mais a oeste do oriente médio. A China passará a ser a potência que definirá muitas questões internacionais, sejam econômicas, geopolíticas como também, acredito, nas influências culturais. E lá a coisa não está tão feia não. O povo está mais feliz com o processo de abertura da ditadura comunista e seus novos direitos à propriedade. O progresso que acontece por aquelas bandas é inacreditável.
desculpem-me… a leste do oriente médio.
O Chesterton, velho e bom Chesterton nu! Cruzes cristãs do meu ateismo, poupem-me !
Farinha pouca meu pirão primeiro.
Pax,
Sem dúvida existe a “livre” circulação de bens, serviços e capitais (entre aspas porque o protecionismo dos ricos não dá tanta liberdade assim) .
Mas livre circulação de pessoas não existe. Veja só o muro do Bush e a cerca em Melila. Não que consigam barrar o afluxo de pessoas num mundo que cada vez mais concentra renda.
E nunca como antes, os países ricos estão tendo que conviver com os povos das antigas colônias que atravessam de toda forma, legal ou ilegalmente. Natural que acirre contradições e essas, infelizmente, tendem a se tornar cada vez maiores.
Alba, você tem razão, mas os mercados comuns, por princípio, pregam a livre circulação de pessoas também. Vide União Européia. É o tal descompasso que falei. Segundo um dos artigos que o Chesterton, velho e bom Chesterton nos brinda no post abaixo, hoje somos 6,55 bilhões de pessoas. Em 2042 seremos 9 bilhões. É uma equação difícil de resolver, ou seja, como sermos globais e impedirmos a livre circulação de pessoas. É um paradoxo dos nossos tempos.
bom, quem rejeitou a Alca foram os países abaixo do Rio Grande, querem o que agora? Estão arrependidos?
O processo da Alca sofre de dois males:
1 - a incompetência sul-americana e seus governos e políticas internacionais de merda.
2 - a influência americana que, pra defender seu pedaço, atrapalha tudo que pode.
Chest,
Não se trata de arrependimento. A Alca, tal como era formulada, era danosa aos nossos interesses. E só acredito em bons governos se esses governos defendem os interesses nacionais.
Os EUA, de maneira geral, elegem presidentes que defendem os seus interesses, não importa muito a cor ideológica. Perfeito - do ponto de vista deles, claro.
Agora, essa formação de blocos econômicos empenhados em conquistar mais mercados a custos cada vez menores é perfeitamente legítima do ponto de vista das empresas, que fracionam sua produção por países pobres para desfrutar dos salários mais baixos, pouca fiscalização ambiental e outras mamatas.
Só que tem preço, como tudo na vida. E o empobrecimento leva multidões à imigração, cada vez mais numerosas. Até o Brasil, que era tradicionalmente país de imigração, está se transformando em país repulsor. Estamos abrindo mão de mão de obra, muitas vezes qualificada, o que é grave para um país que precisa crescer e não cresce de verdade há 20 anos. Difícil, né?
E Pax, de resto, você tem toda razão, mas essa circulação de pessoas só funciona dentro da própria Europa e nem inclui os membros do leste europeu admitidos recentemente…
“mão de mão de obra” doeu. Sorry. :(
Então que se construa um muro no Mexico paralelo ao dos EUA e não se fala mais nisso.
Alba, pequeno alerta ao teu comentário. Há empresas abrindo instalações em outros países não só pela mão de obra mais barata não, caso clássico da Nike. É pelo mercado mesmo. Só na China são 1,2 bilhão de pessoas que passam a consumir cada vez mais. É mercado a dar com pau. Não é só venal o interesse em fracionar instalações. É colocar lujinha onde tem cliente mesmo.
Pois é, Pax,
Tem isso também. O que nos leva à questão brasileira - quando o nosso mercado vai crescer de verdade, e não só através de bolsas esmola que incentivam pouco o consumo e não resolvem a questão estrutural?
E o crescimento espantoso da China também tem um custo ambiental pesadíssimo. Outro paradoxo.
Hoje estou falante demais, mas não resisto a colar uma máxima de Franklin Roosevelt, citada pelo Elio Gaspari, na Folha hoje:
“O teste do progresso não está no aumento da abundância daqueles que têm muito, mas em prover o suficiente para quem tem muito pouco”.
quem é que determina o que é “suficiente”? Eu quero minha Ferrari, vou fundar o MSF, Movimento Sem Ferrari.
Aí a questão dos direitos negativos e positivos. Uma sociedade só cresce se os negativos são mais importantes que os positivos.
Pai Francisco de volta na área. Desculpem-me Alba e Pax, mas até agora não consegui entender aonde estão os paradoxos que vocês citam. O que vocês indicaram são impeditivo a uma tendência (no caso da limitação imigração impedindo a total GLobalização) e consequência desenvolvimentista (custo ambiental do crescimento econômico).
sobre mulheres musulmanas :
em paris tem muitas, cada vez mais, sempre mais jovens, cobertas com o hijab branco ou de cores escuras…se integraram na paisagem urbana, nao andam so em grupo, nao dao medo, circulam normalmente..( ha uma lei q proibe uso do véu nas escolas e repartiçoes publicas) vem sobretudo do maghreb - tunisia, argélia, marrocos…
em londres sao cobertas de preto da cabeça aos pés, inclusives luvas e sempre em grupos ! tou sempre la ( merci eurostar) e vejo cada vez mais mulheres “cobertas” …nao
somente em bairros etnicos mas na cidade toda ! tipo fazendo compras em kensington, limousine com chofer e tal, aqueles vultos negros ! vem do pakistan, da somalia, da indonesia e do golfe…quando estou em tooting brodway e que numa loja so tem eu de “normal”, da uma vaga sensaçao de insegurança…
pela primeira vez vi uns flyers colados nos muros da cidade ” it is it great britain?”
Chest, geralmente concordo contigo mas acho a sua simplificação perniciosa. Não se trata de adaptar-se totalmente mas estabelecer relações saudáveis e produtivas para a sociedade que acolhe certo grupo. Acho viável que os muçulmanos observem sua religião e vivam como queiram desde que isto não (1) ponha em risco o resto da sociedade e (2) imponha um peso no resto da sociedade. E aí é que existe o problema. Pessoalmente eu não ponho ênfase alguma nas características nacionais superficiais (a meu ver um ranço do nacionalismo do século XIX), mas sim nas instituições que protegem o indivíduo e o avanço da sociedade (vide o arcabouço político-legal dos EUA que permite a absorção de vários grupos que pouco se misturam mas respeitam os valores da Constituição).
você não pode usar as liberdades de um país com o intuito de acabar com estas liberdades. A coisa chegou num tal ponto que só atitudes drásticas, uma firme tomada de posição dará jeito.
Muçulmanos creem que a mulher sem a burka seja “carne desnuda”.
http://www.alittlemoretotheright.com/blog/?p=1378
e tem esta figura
http://www.coxandforkum.com/
você não pode deixar que pessoas usem a liberdade de um país para minar a liberdade deste mesmo país A coisa está em tal ponto que só a tomada de uma firme posição poderia dar jeito
http://www.coxandforkum.com/
Pai Francisco, paradoxo no sentido lógico (recorri ao meu Houaiss) “é raciocínio aparentemente bem fundamentado e coerente, embora esconda contradições decorrentes de uma análise insatisfatória de sua estrutura interna”.
Se você ler o texto acima do The Economist verás alguns paradoxos. O que me referi é o paradoxo da globalização, uma transformação interessante e desenvolvimentista do nosso mundo contemporâneo, motivada principalmente pelos avanços tecnológicos em energia, transportes e em especial pelas comunicações, que nos deixa mais perto, mais capazes e mais produtivos. Só que, no mundo real, junto à uma enorme contradição cultural e religiosa explosiva das pessoas, comunidades e sociedades que compõe esse tabuleiro. Estamos vivendo um mundo que nos impele à convivência ao mesmo tempo que voltamos nossos narizes pra diferenças que nos impedem de viver em paz.
Espero ter esclarecido. É uma lógica minha questionável sim. Aceito qualquer contra-argumentação.
o problema dos islamitas, uma civilização atrasada e anacrônica, é a “carne desnuda”.
http://www.alittlemoretotheright.com/blog/?p=1378
“caracteristicas nacionais superficiais” sao o primeiro indicio de que a sociedade ta mudando…ainda mais em pequenos paises europeus… tao proximos, tao radicalmente diferentes…cujas instituiçoes protegem sim o individuo, todos eles …mas o sistema de “proteçao” social custa caro e alguns governos nao querem mais tentar “integrar” comunidades que “impoe um peso no resto da sociedade”…o nacionalismo do 19éme ta no revival sim ! alguns partidos politicos falam de “preferencia nacional”…a direita rançosa francesa, por exemplo…que arrisca vencer proximas presidenciais
Pax, não acho que há paradoxo nenhum, sÃo fenômenos distintos, mas não vamos discutir por isso. Entendo que você veja como difícil a reconciliação de GLobalização com a manutenção de diferenças locais. Agora eu acho que você se referia anteriormente a dificuladade de reconciliar o livre fluxo de alguns insumos e a existência de barreiras para outros.
Confetti, acho que você me interpretou mal. A proteção do indivíduo ao qual eu me refiro não é o Social Welfare State que muitos governos europeus pregam, mas a proteção aos direitos do indivíduo.
Chest, essa linha de raciocínio desse idiota na Austrália é antiga e lasatimável. Meu ponto é que você tem até o direito de pensar assim e como grupo, exigir que os membros (voluntários) adotem posturas que representem modéstia dentro das suas normas e concepções. Por isso que eu acho que o problema não é a burka ou outra observância qualquer, mas o respeito aos valores e integridade da sociedade “at large” que claramenete falta aqui.
Pai Francisco,
Acho que talvez tenha fica pouco claro o que escrevi, mas referia-se sim, à economia. Os países ricos beneficiam-se mais das novas tecnologias até porque são eles mesmos que mais investem em alta tecnologia, o que agrega valor à sua produção. Até aí, nada de novo.
O problema é que, também por conta das novas tecnologias, muitas matérias-primas passam a ser descartáveis, porque podem ser substituídas por material sintético. Isso cria um dilema, porque há países, principalmente os africanos - que só dispõem de, justamente, matérias-primas e mão de obra desqualificada - que também já não é tão necessária. Nesses termos, é inevitável que haja multidões desesperadas por garantir a simples sobrevivência, não?
Daí, imagino que esteja chegando para os países ricos, o momento de implementar políticas que diminuam essa disparidade, até para tentar preservar o seu estilo de vida.
Agora, claro que isso não está em contradição com o que disse o Pax. E a Confetti também deu testemunho de como as coisas estão correndo na Europa, onde essa convivência está se tornando cada vez maior.
A questão ambiental é um paradoxo porque o crescimento econômico depende também de recursos não renováveis, que tem têm sido tão explorados na China que ameaçam um colapso, não só lá, mas nos países exportadores.
O Elias e eu falávamos sobre o caso do gusa e da bauxita no Brasil, lá no post do Schwarzenegger. É um exemplo.
Desculpem pelo post grandão, mas agora vou lá justificar meu voto. Beijos e volto depois..
pai fran , quando disse que o “sistema de proteçao” custa cada vez mais caro, tava falando também dos direitos humanos ! tipo, construir mesquitas inclui defender o direito do musulmano de praticar sua religiao…criar lei pra voto do estrangeiro inclui direito civico igualmente…
tem custado “carissimo” essa mudança da sociedade europeia
Ok Confetti. Alba, um pouco de teoria econômica vai bem (sem ofensa, please). Um conceito básico é “oferta e demanda” o que levaria o preço dos produtos não-renováveis a subir a medida que sua escassez aumenta estimulando a descoberta/uso de laternativas. Quanto ao resto das idéias confesso que não entendi o ponto que você está querendo fazer (a miséria na ?frica é culpa de quem?).
a europa é decadente e reacionaria com seus valores culturais (frança bem mais q inglaterra, belgica bem mais q alemanha) ! em consequencia é dificil assimilar todas as diferenças das novas comunidades e garantir a integridade “at large” de cada um…alguns paises nao conseguem aceitar que ja sao globalisados, mestiços et multi culturais…suiça, alguns escandinavos estao se trancando à 7 chaves querendo perenisar o petit comité…
a italia admitiu q se nao integrar imigrantes, em algumas decadas vai ser um pais de velhos…
por outro lado, muitos nao querem a entrada da turquia na comunidade….musulmanos e de natalidade altissima…
Pai Francisco,
Realmente não acho que eu tenha esquecido a muito básica lei da oferta e procura (também sem ofensa, plís).
Ocorre que o ritmo em que esses recursos têm sido utilizados num volume muito maior que qualquer pesquisa, que também demanda tempo, pode igualar. E isso é motivo de preocupação. Da mesma forma, se os recursos se tornam escassos, temos mais uma razão para guerras, ou não?
E se já há hostilidade agora, em razão das diferenças culturais, seria prudente imaginar um quadro mais acirrado no futuro.
Quanto a de quem é a culpa da miséria da ?frica, poderíamos sim, discutir, sem livrar a cara dos governos corruptos africanos, que fique claro, mas acho que importa agora pensar alternativas políticas e econômicas…
Tony Blair tem razão quando fala em desconforto com as mulheres muçulmanas cobertas. A grande celeuma entre as duas culturas não se refere a terrorismo, mas ao fato de que as mulheres muçulmanas são inacessíveis. Isso impede uma real integração entre as culturas, porque o ocidental tem sempre que tomar cuidado para não se envolver demais com elas. Uma cultura que proíbe suas mulheres às demais não consegue de fato conviver em total harmonia em uma sociedade plural.
Olá pessoal!!!!Voltando a questao dos costumes….nao seria interessante pensar “pequeno”,pelo menos uma vez ou outra????Exemplo:Como é que a gente se sentiria se chegasse em nossa casa,sem avisar aquele “primo”,palperrimo,desdentado,5 filhos,cachorro e o gato….3 horas da manha….alegando que veio trazer a mulher para fazer “inzame” de gravidez.Só que dai ele fica 1,2,3……dias,semanas…..mas como se nao bastasse,ele trouxe seu “costumes”,fuma na sala,cospe no chao,acorda 4 e meia da manha pra ouvir seu programa preferido de radio.Resolve fazer sua comida,pq a comida da cidade grande nao é boa,etc…..E ai???Como vc resolve essa situaçao???Se com o “primo”,ja vai ser dificil resolver a questao…imagine com uma pessoa que vc nem se quer sabe de onde veio,que pensa,que pretende….Posso estar errado,mas eu acho que quando vc está na “casa”dos outros,voce tem que se adapitar as regras delas e nao levar a suas.
Abraço a todos.
Posso citar um exemplo pratico”;Aqui na cidade de Gulf Shores - Alabama,por exemplo eu costumo dizer que tem mais “Pernambucano”do que brasileiro,depois vem os mexicanos,depois brasileiros e depois americanos.Na realidade parece uma Colonia Pernambucana.E quando uma amiga estava pra vir, tambem(pernambucana) eu falei que (pelo menos aqui)âno restaurante vc ainda estava comendo a garçonete ja trazia a conta…ela achou que era mentira,era exagero da minha parte.Nao deu outra…quando fomos ao restaurante….ela ficou abismada.Cinco minutos depois..olha a “contaaaaaaaaaa”.Eu perguntei pra ela:”E ai????Vc acredita agora????”Tudo é uma questao de costume,se vc nao se sentir bem,volta pra casa.
Odeio ter que concordar, mas o Chesterton tem razão, os muçulmanos deveriam se adequar ao país onde vivem e não querer impor as suas vontades aos nativos. Já imaginou uma brasileira circulando em Teerã, vestida como de costume no Brasil? O que aconteceria com ela?
Desculpem, mas mais uma vez não consegui resistir a colar um texto. E colo porque é restrito a assinantes, senão teria colocado o link. Achei muito interessante, até porque confronta o que eu mesma havia lido.
Brasil X Índia
O sonhado Primeiro Mundo
GILSON SCHWARTZ
ESPECIAL PARA A FOLHA
Os ideais de cooperação Sul-Sul parecem um tanto arranhados ao final do primeiro governo Lula: do lado de cá, Bolívia e Venezuela e às vezes até Argentina andaram dando de ombros para a mobilização brasileira em favor da formação de um bloco regional.
Do lado de lá, China, Índia e Rússia pareciam num dado momento oferecer outra perspectiva de integração, resumida na sigla “Bric”, mas nos últimos meses esse ícone também perdeu prestígio e o Brasil foi um dos primeiros a ser colocado de lado.
Bricabraque
Aparentemente, voltou a imperar um clima de todos contra todos na luta muitas vezes ombro a ombro das economias em desenvolvimento ou “emergentes” para chegar primeiro ao Primeiro Mundo. A Índia, que no passado serviu até de referência para a parte pobre do Brasil (o economista Edmar Bacha cunhou a célebre “Belíndia”), agora parece muito mais preparada e adiantada na corrida por espaços na globalização.
Há uma diferença crucial no contraponto entre Brasil e Índia mas também diante de China e Rússia: só eles têm bombas atômicas e freqüentam os círculos mais avançados das mais avançadas tecnologias. Índia, China e Rússia representam ainda a passagem de mais um ciclo numa história já milenar de projetos imperiais.
O Brasil é pós-colonial, uma criança, muito mais ignorante e despreparada, militar e tecnologicamente. No entanto há um certo exagero retórico tanto no agrupamento dessas economias grandes e emergentes quanto na sua contraposição excessivamente caricatural.
O cenário de inserção dessas economias no ciclo mundial de crescimento econômico, apesar das vantagens competitivas às vezes extremas de China ou Índia, depende na maior parte do tempo do desempenho das economias centrais.
No ciclo mais recente, houve uma relativa estabilização, especialmente depois das crises financeiras asiática e russa do final dos anos 90 do século passado. Desde então, a reciclagem financeira, monetária e cambial ocorreu tanto na ?sia quanto na América Latina.
Em 2006, pelo terceiro ano seguido, todas as 32 grandes economias emergentes monitoradas pela revista “Economist” tiveram crescimento do PIB. O Brasil cresceu menos e investiu menos mas também recebeu investimento direto estrangeiro e estatal em setores considerados estratégicos.
Mas é cedo para dizer qual o modelo vitorioso, o capitalismo asiático ou a liberalização macunaímica.
Espírito cordial
As estratégias imperiais e milenares dos asiáticos são mantidas a ferro e fogo, com níveis de violência do Estado, repressão de minorias e intolerância étnica interna numa ordem de grandeza incomparável ao “homem cordial” brasileiro (mesmo levando em conta o crescimento recente do crime organizado e de certas máfias paraestatais e semipúblicas).
O espírito mais pragmático ou flexível e até a hospitalidade brasileira têm sido cada vez mais elevados à condição de fatores de competitividade e confiabilidade. Aos trancos e barrancos, o sistema jurídico e a transparência nas políticas públicas apenas aumentaram desde os já remotos anos 80, em que o FMI praticamente obrigou o governo militar a colocar as finanças públicas em ordem e prestar contas dos vários orçamentos.
Apesar dos pesares, o sistema administrativo e político brasileiro está léguas à frente, em governança, transparência, regulação e democratização, em relação aos similares ou arremedos chinês, russo e mesmo indiano.
A miséria extrema ou a simples existência de populações gigantescas ainda condena boa parte da competitividade dessas economias a uma convivência com baixa qualidade de vida. O PIB pode crescer mais rapidamente que o brasileiro, mas nada garante que o PIB seja o melhor indicador de sucesso, felicidade ou sustentabilidade política.
Brasil e Índia, América e ?sia, Ocidente e Oriente: essas oposições insistem em reaparecer sem que se possa dizer com clareza, neste momento, quem de fato está chegando mais rapidamente ao Primeiro Mundo.
Afinal, Wall Street e a City londrina estão presentes com vigor tanto em Mumbai quanto em Pequim ou São Paulo. Para todos os efeitos, partes estratégicas de todos os países emergentes já estão interligadas na rede financeira que atravessa o capitalismo global.
Concordo com o Chest quanto aos muçulmanos.
Vá uma brasileira andar de mini-saia numa rua saudita, ou um biquini maneiro numa piscina também saudita, pra ver o que acontece…
Agora, quanto à Alca, o Chester tá doido!
Quem travou a Alca foi o governo norte-americano, criando dificuldades para a exportação de produtos fabricados no Brasil, siderúrgicos principalmente.
Só quem aceitou a Alca foram países cujas pautas de exportação não foram afetadas pelas absurdas exigências norte-americanas, que consistem no seguinte: os EUA podem exportar o que quiserem pra você, mas você só pode exportar pros EUA aquilo que não prejudicar a indústria dos EUA.
Eles não querem permitir o ingresso de produtos siderúrgicos brasileiros, porque os similares norte-americanos são menos competitivos. Diz o governo americano que, se ele liberar a importação de produtos siderúrgicos brasileiros, isto vai gerar desemprego nos EUA (entenderam, “neo-libs” tupinambás?).
Basicamente são questões como essa que estão travando a Alca.
Claro que países latino-americanos que não têm siderurgia, ou têm só pra uso interno, não se sentem afetados por isso.
Aí aceitam a Alca, do jeito que ela foi originalmente embalada pelos EUA. Não porque são “avançados”, mas porque são “atrasados” demais.
Por outro laodo, sem o Brasil, a Alca é pouco mais que uma piada…
(Odeio ter que concordar, mas o Chesterton tem razão, os muçulmanos deveriam se adequar ao país onde vivem e não querer impor as suas vontades aos nativos. Já imaginou uma brasileira circulando em Teerã, vestida como de costume no Brasil? O que aconteceria com ela?
Comentário de HaHaHA ? 29/10/2006 @ 5:08 pm)
Pois é!!!!Aqui tem alguns brasileiros que tentaram trazer os “costumes”,mas o vizinho faz questao de ser “cordial”:Liga pro 911 e a policia chega rapidinho.
Alba, esse é um dos piores textos que eu já li. Desculpe-me se pareço agressivo mas eu acho um absurdo um cara escrever um textro sem pensar um momento no leitor. Veja bem: qual o ponto que o seu Gilson quer fazer? Que não se sabe ao certo que país está avançando mais rapidamenete em termos econômicos ou sociais? Precisa ser tão prolixo e divagar envolvendo té ao mito do Brasileiro cordial? O cara não apresentou nenhum dado relevante (talvez a menção da maior transparência e melhor governança no Brasil em contraponto a maior população de China e Índia tenha algum valor para quem nunca abriu um jornal) e não fez nenhuma análise que prestasse. Ele poderia falar dos fatores que estão possibilitando o crescimento da China e da Índia em muito maior grau que o do Brasil (e.g. inserção de maior mão de obra, menor “base”de PIB, investimento em infraestrutura) e poderia falar também da política monetária e fiscal do Brasil como entrave ao nosso crescimento (gasto público alto e equivocado, burocracia, etc.). Daí ele poderia tentar concluir algo sobre o desenvolvimento dos países do BRIC ou não. Mas, não, o cara tem síndrome de dedo nervoso e sai apertando tecla do computador sem a menor consideração pelo tempo do leitor.
Pai Francisco,
Colei o texto exatamente porque me surpreendeu e achei que poderia alimentar o debate. Também acho estranho o autor elencar como virtude a tal “cordialidade brasileira”.
Afinal, imagino que compromissos comerciais passam por critérios menos etéreos, com o perdão da rima involuntária.
E ainda espero um estudo sério comparando o desempenho das economias emergentes, porque pelo que eu sei, repressivas ou não em termos de liberdades individuais e tal, a China e a Índia estão dando de lavada..
E claro, como sempre digo, burka pra mim é impensável, além de fedida..:)
E, Elias, concordo, claro! ;-)
Mais ou menos Elias. Na via contrária você deveria, então, querer que uma muçulmana ou uma adventista coloque um fio dental e vá pra praia em Ipanema? Que um judeu praticante coma feijoada aos sábados?
Acho que o bom senso, a tolerância e o respeito devem prevalecer. Se as mulheres cobrem seus pescoços por lá, qual é mesmo o problema delas fazerem o mesmo por cá? Se judeu não come porco, porque obrigá-lo à isso? Desde que não ofenda o país receptor não vejo problema algum em permitir seus cultos e costumes. Uma brasileira de mini saia em na Arábia Saudita não ia dar certo por ofender os costumes de lá mas o contrário não me parece verdadeiro não.
Não me sinto, pra ser provocativo contigo, nem um pouco incomodado em ver judeus ortodoxos andando de preto e chapéu com suas costeletas (peyas?) no posto 6 em Copa nem na Oscar Freire em SP.
Pax,
Você tocou justamente no tema do post. O incômodo (no mínimo) e a xenofobia (no máximo). Precisamos ter cuidado. Aprender a conviver passou a ser, pelo menos como entendo, mais do que essencial.
E, como alguém disse, vivemos tempos interessantes. (Plís, alguém lembra quem foi?)
(Precisamos ter cuidado.Aprender a conviver passou a ser, pelo menos como entendo, mais do que essencial.
Comentário de Alba ? 29/10/2006 @ 6:15 pm)
Pois é Prfa. Alba,sábias palavras!!!Estamos vivendo num mundo onde a Razao é cega e a Loucura acompanha.Ou será o contrario??
Bem….é melhor refletir sobre suas palavras.
os judeus de quipás não tem o costume de se explodir em shopping centers, já as mulheres de burka….
O rosto coberto cria um problema de identificação. É fácil uma pessoa se passar por outra. Até um homem poderia se passar por mulher debaixo de uma burka.
Daí é natural que governantes combatam esta prática, principalmente depois dos atentados terroristas.
A intolerância crescente em relação aos muçulmanos é conseqüência do terrorismo, e não um radicalismo crescente em ambas culturas.
Valeu Alba, paz e amor. Chest e Liliane: Interessante a discussão. Acho que o ponto é a assimetria que os muçulmanos impõem. Exigem respeito mas não respeitam. Exemplos: cristãos e judeus não são lá muito bem tratados em países árabes , mas árabes (muçulmanos) exigem respeito em países Europeus; charge anti-maomé não se pode mas charge antisemita deve-se; Papa menciona (veja bem somente menciona e não subscreve) que há opiniões que ligam o Islã a violência e é massacrado mas o assassinato de freiras e padres que se seguiram ao fato deve ser entendido como uma reação normal a uma agressão de sua santidade. Parece piada! Os exemplos, evidentemente não param aí. Devemos respeitar todas as crenças, mas CHEGA de abaixarmos a cabeça para ameaças de terroristas!
E aí a volta ao meu paradoxo. Um mundo que se globaliza e tende a nos aproximar versus um mundo de intolerância que tende a nos separar.
O terrorismo é um mal que veio pra ficar e o espírito belicoso que vem de todos os lados só o alimenta. De forma geral não acho que existem inocentes nem mocinhos nessa história do moderno bang bang do médio oriente, dos cristãos e judeus contra o islâmicos. A solução, como disse lá em cima, é um xadrez difícil de jogar.
Sinceramente, prefiro apostar minhas fichas em achar caminhos de convivência pacífica. Não acredito que vermos todo povo muçulmano como terrorista explosivo seja esse caminho.
Chesterton, velho, bom, teimoso, rabujento e inteligente Chesterton: não precisa me dizer que sou utópico e patético, agradeço antecipadamente sua prestimosa futura intervenção:-).
Pois é Pai Francisco, enquanto você escrevia teu comentário eu o meu. Saca só o abismo entre as opiniões. Ainda bem que temos a diversidade.
Discussão interessante. :c)
Por outro lado, gostaria de lembrar que comunidades islãmicas respeitando costumes totalmente diversos das ambiências ocidentais é coisa que existe desde o início do século passado. Afinal, por volta de 1929, Churchill comentava que o Império Britânico era a maior “nação muçulmana do mundo” e que os dignátários da futura classe dirigente do Iraque (todo mundo aqui sabe que o Iraque foi inventado pelos ingleses logo depois da 1a GM) poderia ser recrutda nas grandes comunidades muçulmanas residentes na Grã-Bretanha e que já conheciam os métodos ocidentais sem ter perdido suas características próprias. Ora, suponho que, na época, os islãmicos residentes em Londres não andassem de terno risca-de-giz ou tailleurs de algodão sea-island. É lógico que ninguém, em sã consciência (quer, dizer, ninguém but o Chest, né?) irá exigir q comunidades nacionais minoritárias passem a adotar, à força, os costumes locais. Afinal, defendemos ou não a democracia? O que a comunidade deve é respeitar a lei local. Isso eles fazem pois, que eu saiba não existe nenhuma guerra civil entre cristãos e islãmicos, nem na Austrália nem em lugar nenhum. Os recalcitrantes devem ser devidamente encanados. Ou não?
Essas exortações de sheiks e outras autoridades sempre aconteceram. Ninguém em sã consciência (quer, dizer, ninguém but o Chest, né?) acredita que, antes de 11 SET, as pregações girassem em torno da melhor maneira de fazer quibe… E ninguém fora dessas comunidades dava bola pra isso pq o alcance das exortações não ia além dos limites da comunidade. O alcance das discussões sobre como o fiel deve ou não vestir-se era problema intracomunitário, e olhe lá. Só que essas tolices têm sido amplificadas pelo radicalismo fundametalista e pela paranóia ocidental.
A Alba nunca teria de usar uma burka. Na maioria das nações islãmicas atualmente, o traje adotado não é mto diferente do ocidental. A única coisa que não é admitida é que mulheres em público saiam sem véu nos cabelos. Em lugares como a Síria, Líbia e Egito, mulheres jovens não cobrem o rosto, a não ser que estiverem falando com um religioso ou na mesquita. As mulheres mais velhas, principalmente viúvas, adotam um traje escuro longo de peça única, semelhante ao chador iraniano. Mas basta prestar atenção no material de TV pra ver q as mulheres não cobrem o rosto, e a maioria das jovens usa calça comprida, desde que não mto justa e com alguma cobertura que caia até a metade da coxa (as universitárias sírias usavam calça comprida com uma camiseta enorme, de manga comprida, por cima). Tradicionalmente, as mulheres islãmicas seguem formas diferentes de vestir, conforme a interpretação de um código baseado no Qur?an (mas que não está escrito lá). A questão de cobrir o corpo é sempre um ponto forte, mas ninguém consegue dizer quanto, embora todos concordem que o corpo deve ser coberto (os fundamentalistas acham que os homens tamb devem usar um tipo de vestido). O fato é que quanto mais radical for o grupo considerado, mais se exigirá dessas coisas - haja vista a tal burka que a Alba tanto teme.
O que é preciso entender (e não consigo entender como gente informada como os que circulam aqui não perceba) é que o mundo islãmico não é um bloco, não segue as mesmas regras em todos os lugares e interpreta o Qur?an conforme a voga da situação política local. O Elias usou um exemplo ruim, o da Arábia Saudita, no qual a “observância” às regras deve-se à ocupação do poder, desde o início de século XX, de uma elite wahabita chefiada por uma família chamada Saud. Os wahabitas s?o uma seita que nunca chegou a esconder seus objetivos de hegemonia, desde que surgiram, no século XVIII. A tolerância dos sunitas admitiu o proselitismo desse grupo. Esses Sauds deram o próprio nome ao país nos anos 30. Contavam com a simpatia disfarçada dos sahibs britânicos, mas deram-lhes uma solene banana e entregaram as concessões de petróleo aos sahibs americanos, e desde então são unha e carne com eles.
Assim, acho que não deveríamos sair exigindo o extermínio cultural dos islãmicos cada vez que um religioso fale uma besteira, como foi o caso desse sheik australiano. Nesse ponto, acho que seria interessante a leitura de Churchill, que, embora tenha pisado muito na bola, tinha consciência de que os britânicos deveriam pensar em políticas que levassem em consideração os sentimentos islãmicos. Justo ao contrário do q se vê hoje.
Pax, o abismo vem do fato que a sua opinião se baseia pouco em fatos e muito em pensamento positivo. Eu também adoraria acreditar que o diálogo e a vontade de conviver pacificamente resolvessem tudo, mas após inúmeras tentativas (Oslo e Camp David 2) o aumento da violência palestina e do terror árabe subsequente me faz concluir que para uma grande parte dos árabes e muçulmanos negociação é sinal de fraqueza e qualquer paz é somente uma trégua temporária no caminho da dominação mundial do jugo maometano.
Pax política internacional não se faz na base da paz e amor e canções do John Lennon. Os incentivos são econômicos e/ou militares, e só.
Bitt, você traz alguns pontos interessantes. Mas para podermos analisar o fenômeno temos de nos ater as semelhanças, ou pelo menos a tendência da maioria. Quão significativa você acha que a minoria árabe que: não acha que Israel seja o Satã, não culpe o Ocidente pelas mazelas de seus países, respeitem minorias (eg. homessexuais).
é evidente que existe uma classe esclarecida que estudou nos EUA ou na Inglaterra, mas ela é inexpressiva ou manipuladora de modo que a massa árabe seja identificada com o tal “movimento de resistência” que nada mas é do que cobertura para o ideal de subjugação dos infiéis.
Bemvindo, bitt!
A burka me aterroriza, principalmente pelas questões práticas. Já pensou num país tropical aquele monte de pano?
Aliás, sempre achei que nos romances do século 19 as mocinhas desmaiavam um bocado não só por conta dos suspenses na trama, mas principalmente, por ter que suportar o espartilho nesse clima tropical…Surepreende-me que não haja registros de serial killers femininas no século 19. :-))
De resto, claro, concordo com o ponto de vista do bitt. O mundo muçulmano é mais vasto e multiforme do que cabe na visão corrente (e tão direcionada)…
E o Lula se reelegeu. O que dizem disso?
Pai Francisco, você provavelmente quer dizer pensamento mágico, excelente tradução de wishfull thinking, coisa de crianças. Como o pax ?e meio lesado, se aplica a ele.
mais 4 anos de 4 fingers, ou ele cai antes? Vai ter que fazer alianças até com o AC Magalhães.
É Chesterton, wishful thinking era mesmo o termo.
Alba uma pequena informação historica para voce, as mulheres paulistanas usavam algo semelhante a burka entre o seculo XVI E XVIII, tanto que eram referidas como “tapadas” pelo resto do Brasil colonial.
E no interior do nordeste é muito comum o uso de um lenço na cabeça pelas mulheres, pelo menos era comum ate a decada de 70.
Quanto ao assunto: aqui em Brasilia já é praticamente normal ver mulheres com o hadji (se me lembro bem da grafia), embora ainda não tenha visto nenhuma com burka, o interesante é que algumas delas estão usando muito coloridos e transparentes.
As vezes eu tenho que conversar com mulheres mulçunamas e isto me dá um certo receio de ser mal intepretado pelo marido ou parente masculino ( nunca sei se devo entregar o dinheiro em suas mãos ou se devo deixar em cima do balção).
Na minha opinião pessoal acho que existe muitas diferenças fundamentais entre visões de mundo, e para eles é muito dificil entender o fato que realmente existe separação entre Fé e estado.
Ahh..hoje estou com muita preguiça para pensar e escrever..qualquer dia escrevo alguma coisa lá no meu blog.
Pai Francisco e Chesterton, acredito que vocês não sejam tão ignorantes assim. O movimento Paz e Amor derrubou presidente e acabou com a guerra do Vietnam. Juntem uns trocados e dêem um pulo em Washington pra ver o monumento aos 57 mil americanos mortos por lá. Eu fiquei chocado ao ver o nome de cada um escrito no muro. É duro. Agora se vocês acham que valentia vai resolver a questão muçulmana eu só posso lamentar a opinião.
Vocês me lembram da música do Caymmi chamada João Valentão…
“João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção e nem pensa na vida”
depois que os norte-americanos sairam do Vietna, os vietcongs mataram entre 2 e 3 milhoes de sul-vietnamitas. Hoje, tentam se incluir no mundo. Pax, você tem um parafuso a menos.
Pai Francisco, bom ter um debatedor ponderado aqui. :c]
Bom, eu diria que, desde os anos 70, a política n.americana para a região, se não era perfeita, pelo mns apontava uma saída. Jimmy Carter praticamente arrastou Begin e Sadat para a mesa de negociações, e a conversa catastrofista de Nasser foi jogada no baú, e hoje em dia ninguém considera o Egito como problema na região. Por sinal, os sucessivos governos autoritários do país têm usado mto inteligentemente uma política populista, com certa distribuição de riqueza, alguma tolerãncia às reivindicações da sociedade urbana e muito pau, para manter isolados os fundamentalistas. A política para a Líbia enquadrou o Gadhafi. Reagan aplicou o pau, Bush-pai falou grosso mas mediu a agressividade e Clinton acenou com a possibilidade de negociar, desde que a Líbia parasse de apoiar radicais. Ninguém mais fala na Líbia. Com a Jordânia, a mesma coisa - desde os anos 70 é o país mais moderado da região. Muitos analistas que ficam entre os dois extremos do espectro (digo, Chomsky e Friedman, ou Ali Kamel e Emir Sader, pra ficar mais perto) acham (e eu concordo) que os americanos responderam mal ao 11 SET, ao considerarem que a guerra ao terrorismo poderia ser política internacional. Ou a gente ouvia falar de terrorismo nos anos 90, como política global? De jeito nenhum. Então, acho que, dentre outras considerações, acho que vituperar contra as características culturais da sociedade islãmica é bobagem grossa. Até pq pessoas bem formadas e informadas como vc e o Elias certamente não acreditam que tais características façam qq diferença no que tange ao jogo político e estratégico internacional. Tais coisas servem apenas de espantalho para ambos os lados aprofundarem suas posições de confrontação.
É preciso, antes de mais nada, considerar que a própria inâmica política dessas sociedades levará a transformações. Recomendo alguma leitura sobre a Turquia e sobre a Síria, de longe os regimes políticos mais próximos daquilo sobre o qual estamos falando. Eles têm defeitos: Por certo, mas as vzs tenho a impressão q algumas pessoas pretendem que o mundo islãmico se transforme numa cópia defeituosa da Europa Ocidental de uma hora pra outra. Isso não vai acontecer, a não ser à força, e deve estar ficando claro que mesmo a aplicação de força tem limites.
Alba, parte dos islãmicos tamb gostam de mulheres com pouca roupa. Os bares, em Damasco, Alepo, Acra, e por aí vai, onde se pratica a dança dos véus, das espadas, das velas (essa é um barato) mostram isso. E as mulheres q as praticam estão no topo da hierarquia local das celebridades. Claro que são celebridades diferentes das daqui - têm mais cérebro e são infinitamente mais sensuais.
Sobre o Lula? Eu estou feliz. :c))
You may say I am a dreamer. Que bonito Pax. As flores vencendo o canhão! Se vc analisar friamente os EUA “perderam”a guerra por uma série de motivos mas o fracasso da campanha (a janela estratégica era bem menor) e a falta de vontade do agressor (por pressões domésticas) é uma situação bem diferente do que se vê aí. Por favor capriche mais nas analogias.
Bitt. Tava indo bem até falar que ficou feliz com o Lula e , antes disso, colocar Turquia e Síria no mesmo saco. Nada com nada.
Agora, se para você o Egito é ponto pacífico, para mim está bem longe disso. A Irmandade Islâmica é a mesma oposição (ou como eles se auto-intitulam “resistência) que domina o cenário popular nos aliados dos EUA. A situação é muito difícil e eu concordo com você que a resposta pós-9/11 pode ter sido equivocada. Também acho que a aplicação de força tem seus limites. Agora só para citar seus exemplos, Jordânia (Setembro Negro) e Egito não medem força em reprimir a influênca de agentes terroristas em seus territórios. Muitos entendem que estes agentes são instrumentos de influência na região vindo de forças que pretendem ser a potência regional (e.g. Irã) ou aumentar sua sobrevida (Síria). Nós não vamos resolver o problema nesse blog, mas você há de convir que a repressão e o uso de força produz resultados relevantes no curto prazo e que devem ser seguidos de incentivos econômicos no médio prazo e o preenchimento do vácuo de poder com forças moderadas. Tudo o que os EUA tentaram fazer mas não conseguiram. Conclusão: Boa estratégia , fraca execução.
Pai Chico, faço minhas suas palavras.
As maravilhosas estratégias apoiadas pelo Pai Francisco estão produzindo um Irã mais forte que nunca e um Hezbolá idem. Um Iraque Vietnam like e uma volta dos talebãs ao Afeganistão. Grande estrategista. É, prefiro ser dreamer e pensar um pouco mais antes de dar bofetões. Bush vai perder força junto com seu partido republicano. Olmert idem. E as flores ainda serão postas nos túmulos de muitos valentões.
Que bonito um caso rábico de amor !
pai Chico, o Pax já foi sequestrado, por isso age assim.
Bitt, eu só repudio a burka por um problema eminentemente pessoal. Brincadeira, num deu pra entender? :( :(
Pax, além de filósofo, vc está se mostrando humorista! :c))
Bem, numa coisa, Pai Chicaõ e eu concordamos - não vamos resolver nada aqui. E nem se resolverá fora, também.
Pai Chicão, vc conhece a realidade sócio-política das nações árabes modernas? Não coloco Turquia e Síria no mesmo saco - indiquei como dois exemplos de nações islâmicas nas quais uma dinâmica interna fez o estado teocrático dar lugar a um Estado laico, em graus diferentes - inclusive pq o processo, na Turquia, começou com o colapso do império otomano, logo após a 1a GM.
Ocorre-lhe, certamente que o processo político em países que mto recentemtne conseguem fórmulas que instituam um governo não-teocrático implica em problemas que estão fora de nossa compreensão. Um processo eleitoral como no Ocidente não poderia ser implantado, simplesmente. Na Síria, o Partido Baath só consegue equilibrar-se no poder por três motivos: 1- a elite burocrática-militar é cristã (a maioria é originária do Alepo); 2- o regime de dos Assad apresenta-se como interlocutor eficiente de virtualmente todos os regimes islâmicos, inclusive os mais radicais - não é à toa que os n.americanos estão considerando dialogar com eles sobre a questão libanesa; politicamente, o baathismo implantou um regime socialista bastante eficiente. Falar em “ditadura” para um regime islãmico é bobagem. A lógica é diversa. O sistema funciona tendo por base alianças capilares baseadas na troca de favor (algo tipo “eu o apoio na sua região e vc me apoia no governo”) e de prebendas. O respeito pelo governante, entre a população, vem da capacidade do líder maior (seja califa, príncipe ou presidente) em prover-lhe diretamente as necessidades. Na Arábia Saudita, o rei mantem-se no poder porq literalmente sustenta uma aristocracia de mais ou mns seis mil nobres e suas famílias, a um custo calculado entre 6 e 8 bilhões de dólares por ano; essa aristocracia, por sua vez, provém as necessidades de seus clientes, atéchegar lá embaixo. Na Líbia é mais ou mns a mm coisa: Gadhaffi mantem-se no poder graças ao apoio da aristocracia que ele colocou perto de si, no aparelho de estado e nas forças armadas. Na Síria, os Assad profissionalizaram as forças armadas, e atualmente dão treinamento militar aos iranianos; na Líbia, a Força Aérea é profissional (boa parte dos pilotos são treinados na Itália), a Marinha e o exército, mais ou mns; na Arábia Saudita, nem isso, tanto é que os níveis de aprestamento da Força Aérea Sauidita são baixíssimos, apesar do excelente armamento q eles compram. Um príncipe de 22 anos, feito tenente-coronel da FAeSau não conseguia entender pq devia sentar-se na posição de WSO de um F15 - o cockpit de trás - e não na posição de piloto, ocupada por um instrutor n.americano; na Líbia, parte dos postos ainda é dada como prebenda, coisa que só diminuiu depois q os instrutores soviéticos e alemães-orientais convenceram Gadhaffi que um surdo não poderia comandar uma companhia de tanques, como acontecia na época do rei Idris.
Na Turquia, Kemal “pai dos turcos” tomou providências semelhantes, quando assumiu o comando do exército e recusou o título de “emir”, expulsando os “comandantes religiosos”, antes da Primeira GM e aceitou os instrutores alemães.
Pois é. Eu até posso aceitar o argumento de que um regime ocidental poderia ser melhor para esses caras do que o que eles têm. O que eu gostaria de saber é como deveria ser feita a implantação, em sua opinião. À força? Os islãmicos deveriam ser proibidos de seguir suas tradições? Ou por alguma espécie de evangelização (pq se for, os americanos fariam melhor se enviassem pro Iraque pastores evangélicos e evangelistas católicos, em vez da 82 Div Aerotransportada e os Marines).
Qto a sua opinião sobre minha satisfação com o resultado da eleição, bem… Não posso fazer nada. Sugiro q vc ponha luto, amanhã. :c)
…..
………
Bitt,
Eu também fiquei feliz. Nem tanto pela reeleição do Lula, mas mais pela não eleição da farsa do Alckmin.
Talvez alguns ainda achem que o velho coronelismo, que tá nem aí pro povão, seja o melhor modelo. Eu não. Até acho que essas pessoas têm integridade nas suas convicções de dar porrada em mais fracos. É um estilo, uma postura que não se muda. Uma hora o cipó volta.
Só espero que o PT e o Lula tenham aprendido um pouco com as cagadas stalinistas do Zé Dirceu e tentem roubar um pouco menos. Até acho que os roubos pessoais são muito menores que a banda da lá. Mas acredito que não, são mais 4 anos de Zé Dirceu. Pelo menos melhor que 4 anos de Toninho Malvadeza e Garotinho e a louca bipolar do Arthur Virgílio.
Pax e Bitt,
Aqui em Belém, a petista Ana Júlia pôs fim a 12 anos de reinado tucano. Derrotou Almir Gabriel com aproximadamente 10 pontos percentuais de diferença (o que dá cerca de 300 mil votos).
Ana é a primeira mulher a ser eleita para o Executivo paraense. Até aqui, era a primeira mulher paraense eleita para o Senado.
Dizem que ela e Lula só não venceram nos municípios de Anajás e Trairão.
Agora, como disse o Pax, é evitar as babaquices feitas pelo PT nacional (leia-se paulista) no primeiro mandato do Lula.
Onde está escrito “Aqui em Belém…”, leia-se “Aqui no Pará…”, evidentemente.
Quanto à burca do Bitt, ele que me perdôe, mas não dá pra encarar…
Há um mês, mais ou menos, tive que reunir com duas senhoras que me apareceram vestidas com essa roupa ridícula. Não sei como elas agüentavam aquilo, no calor infernal que faz em Belém nesta época do ano.
De minha parte, acho que ficou evidente o desconforto. Gosto de conversar com as pessoas olhando nos olhos, “lendo” o rosto delas.
Não me agrada nada conversar com uma pessoa encapuzada, como se fosse um marginal que não quer ser identificado.
É tudo simprezinho :
Pode uma ocidental andar por Teerã vestindo uma saia à altura dos joelhos ??
Pode uma ocidental andar por Teerã vestindo uma justa calça jeans e um “top”??
Claro que não. Seria apedrejada pois Alá foi transformado em um velho pervertido.
Se as “nossas”mulheres não podem ser assim em Teerã, as mulheres “deles” que não nos afrontem com burkas e niqabs.
Aliás isso é emblemático. Hoje em dia ninguém pode reclamar nem de kibe na Europa que os inteligentes líderes religiosos muçulmanos açulam seus cães fanáticos.
E não me venham com esta estória de que burkas e afins são “culturais” porque senão dvemos considerar o canibalismo uma questão “cultural” tambem …
Elias, então vc mora em Belém? Parabéns! Tem um dos melhores centros de pesquisa cientifica do país, o MPEG. Vale à pena visitar o campus deles.
Concordo qto a burka. É mesmo ridícula para além de totalmente antifuncional. Agora, não entendo qual é o problema… Eu não me coloco como contra ou a favor de roupa alguma. Tenho um colega africano (nigeriano) que insiste em andar com sandálias alpercata ou descalço… nas calçadaas de BHz. Vou fazer o quê? O que eu digo é que não tenho nada com o fato das mulheres lá usarem essa roupa - é problema deles.
E quanto à insistência tola de certas pessoas aqui com relação ao “usar mini-saia em Teerã”, só pergunto o seguinte: as mulheres aqui andam nuas em público? Os homens andam nus em público? O que acontece se alguém, com calor, tirar a roupa toda no meio da av. Paulista? O problema é que, para a cultura islãmica, expor o corpo de determinada forma (usando mini-saia, por exemplo), é o mesmo q estar nu. Isso é coisa da cultura cristalizada na tradição, e não muda de uma hora pra outra, e as próprias pessoas resistem. Será q é tão difícil entender isso?
O que ofende, na cultura islãmica, é o radicalismo. Como o radicalismo de certos “ocidentais” tamb é ofensivo. Ou, em certas situações, enfadonho.
bitt :
Insistência tola é a forma como alguns comentários são interpretados. Sem extremos meu colega, sem extremos. Ninguém falou em ficar nú em público, pois isso não é do nosso hábito mas o é em algumas áreas nudistas.
Meu (mal interpretado) comentário reduzia-se apenas em caracterizar que : Os muçulmanos insistem em manter seus traços culturais em Londres, Ipanema, Miami ou Berlim mas não permitiriam que nós mantivessemos nossos hábitos nas terras deles.
Meu objetivo foi simplesmente estabelecer uma equânimidade (eta palavra dificê!!) de tratamentos. Como pode um muçulmano exigir que sua mulher use burka em Londres se a espôsa de um ocidental não pode sair de mini saia em Teerã ??? Claro, se uma ocidental de mini saia não for apedrejada até a morte em Teera, então que as muçulmanas usem burkas em Londre.
O argumento de que pode ser mais erótico uma face que um belo par de pernas não vale. No conceito muçulmano, a mulher como um todo é ameaçadora e até nojenta para os homens e quanto mais escondida ficar, melhor.
Sobre as burkas…
Eu não tenho direito de entrar em um Banco usando uma “touca ninja” (daquelas usadas por policiais, que cobrem todo o rosto) pelos simples fato de não poder ser identificado.
Muitos prédios (vide Telemar aqui no RJ) tem identificação visual na entrada. E aí? Como ficaria?????? Elas teriam o direito de entrar sem identificação????? Poderiam entrar em um banco com o rosto coberto???
É tudo muito bonito aqui no brógui falar de direitos… …viva a utopia!!!!!
Enquanto isso sequer posso entrar numa repartição pública de short, camiseta e sandálias havainas…
…mas aquela besta australiana pode falar que minha mulher “é carne fácil para gato atacar”…
…assim como violência, tolerância também tem limites. Ghandi não era violento, muito menos tolerante!
[]s
…Ahhh e explodir os budas de Bamian pode, mas fazer uma caricatura de maomé??? ixxxxxx… dá uma confusão…
[]s
Não sei se tenho opinião formada a respeito desse tema.
Por um lado cada um tem o direito de se vestir como quiser, de acordo com a sua cultura… por outro, talvez a burka seja mais que uma expressão cultural: uma forma de opressão e submissão dos direitos femininos. Mas como definir os parâmetros?
Em tempo: mulheres ocidentais de mini-saia em Teerã? Pois eu, pessoalmente, acho um absurdo não poder andar nu na rua quando assim o desejar. E aí?
…nada que venha dos infiéis presta, apenas sua democrática liberdade de religião…
[]s
Hoje, em todos os lugares do mundo, os símbolos religiosos de qualquer religião estão aparecendo nas ruas muito mais que há uma década.
Hoje há mais homens e meninos de kipá que há 15 anos, mais mulheres de véu que há 15 anos, e mais crucifixos e outros (Jesus é fiel, Deus é Fiel) pendurados nos pescoços que há 15 anos. Em qualquer parte do mundo. Nas ruas de São Paulo, nos aeroportos, nas capitais européias, etc. Não sei como está a situação nos Estados Unidos.
Mas a minha amiga que está vivendo com um não judeu tirou a estrela de Davi do pescoço. E ele tirou o crucifixo do pescoço.
Ou seja, se continuassem afirmando suas identidades religiosas de modo ostensivo, a convivência talvez fosse prejudicada. Há quem critique isso como uma mortal assimilação e perda de identidade e de cultura. O assunto é de ordem coletiva ou individual? Até que ponto renunciar a um símbolo é renunciar a si mesmo? Ou a seu grupo? E as conseqüências de um possível banimento do grupo? A aceitação pelo outro grupo não éstá garantida. Vamos arriscar perder o que temos, contrariar nossa tribo?
A questão é: como manter identidades culturais e religiosas sem o uso de símbolos, modos de viver e de paradigmas morais e éticos?
Como seria a semi-assimilação? Uma assimilação na aparência mas mas não no interior. Geralmente uma coisa está ligada a outra. Símbolo e essência. Cascas e contéudos.
Grande dificuldade do momento e da globalização.
Um dos mais bem sucedidos casos foi o movimento do judaísmo americano que uniu vestimentos ocidentais a um modo de ser judeu, para receber os asquenazki na década de 50.
Os muçulmanos talvez precisem de uma liderança assim, que aponte caminhos que levam os muçulmanos a abdicarem de certos costumes (roupas?) para que possam se preservar mais.
Algo que indique como mudar para permanecer.
Só que nessa nossa época, os movimentos de afirmação de identidades cresce. Como culpá-los? Todos estamos fazendo isso. Cristãos, muçulmanos e judeus, budistas, ateus, etc. A volta do uso das bandeiras, tabu na Alemanha pós-guerra, foi comemorado na última copa do mundo.
A auto-afirmação de identidades é usada como contraponto ao mundo caótico de pessoas solitárias, sem vínculos, perdidade, pessoas desenraizadas, que vivem no mundo moderno de Fausto, suicidas, bêbadas, drogadas, enfim, sem inserção em nenhum grupo. Sem referência, sem parâmetro.
Nesta área, qualquer tentativa de reduzir a identidade alheia à força terá o efeito contrário, de aumentar a necessidade de afirmação. Ainda que seja às custas da própria vida. Acredito eu que seja esse o recado dos homens-bomba. Morrer, para eles, é menos dramático e doloroso que não ter suas identidades reconhecidas.
Enfim, adoro esse assunto.
Quem escreveu magistralmente sobre isso foi Martin Buber. Eu e tu. Alteridade.
O PCC é um exemplo de que sucesso de afirmação de identidades. Nós, pequenos burgueses, passamos indiferentes a eles quanto tempo? Mas agora que se organizaram, se afirmam, mandam recados, não temos mais como ignorá-los. Agora têm rosto, voz e atitude (ainda que criminosa, mas não foi a nossa indiferença criminosa também?), e ainda que não queiramos, somos obrigados a vê-los e a nos dar conta de sua existência.
Tudo muito biológico. A existência luta para continuar existindo. E quando é eficiente, consegue e sobrevive.
O grupo têm força. O indivíduo, sozinho, não tem nada.
Walid :
Por aqui se diz que o mesmo pau que bate em Chico bate em Francisco.
O que penso é simples :
Mulheres podem usar burkas montadas em elefantes cor de rosa na Trafalgar Square que não me incomodo, desde que seja assegurado a uma mulher em Teerã sair à rua de saia curta ou com a roupa que quiser.
Os muçulmanos estão muito sencíveis. Um desenhozinho, umas palavras do papa e pronto: lá vem os liderecos açulando seus cãezinhos amestrados. Divercidade cultural eles não aceitam, não querem nem permitem.
Se ofende à cultura muçulmana um belo par de pernas, ofende à cultura ocidental uma mulher sufocada por burkas.
Quanto a ser ou não símbolos de grupos ou sinais religiosos, creio não ser essa a idéia. Kipás, Crucifixos, Turbantes ou camisetas de futebal devem e podem ser usados EM TODO O MUNDO, Londres, Teerã, Ipanema ou Timbuktu.
Só véu e burka que não podem? Estranho…
Na Itália se você for fazer de turismo de minissaia e de alcinha de laçinho você não vai conhecer Igreja nenhuma…
Então, josué, pra encurtar essa discussão, que - concordamos nesse ponto, é meio fora de própósito: caso os(as) ocidentais puderem vestir-se como bem entenderem, desde que dentro de certos princípios, em Teerã ou Cabul (pq em Damasco, Acra ou no Cairo, as mulheres ocidentais podem usar o que bem quiserem), vc aceita o modelito básico hashemitha me São Paulo (não é burka - basicamente é veu no cabelo e ombros cobertos)?
basta mostrar a cara, para uma foto, no mais, passa pelo rx para ver se não tem bomba por baixo da burka. Na Suecia, as islamitas queriam fazer foto para passaporte de burka….
Resolveria o problema das feias!
Taí, foto de burka pras barangas!
E’ simples, os imigrantes islamicos estao na Europa para melhorar de vida, nao para repetir modelos fracassados, a sociedade tradicional islamica seguida ao pe da letra so gera pobreza e a burka nem é um simbolo religioso, é apenas um simbolo de poder do homem sobre a mulher (foi criado, pasmem, porque antes a mulher nao podia nem sair de casa - tendo que sair, os sujeitos inventaram um jeito dela ao menos nao ser vista por mais ninguem).
Em resumo: chega de politicagem correta, quem quer usar burka que volte para o Burkistao.
Bem lembrado: não é símbolo religioso. Há necessidade de uma liderança religiosa muçulmana prá explicar isso prá eles…
Mas enfim, quem define o que é ou não símbolo religioso? Um incenso queimado na frente de um Buda causa arrepios em judeus religiosos (idolatria) e um oração de um católico ajoelhado aos pés de uma escultura de Maria causa calafrios em um cristão prostestante, e assim por diante…De fora do grupo, nada é símbolo religioso…
Mas eu concordo que burka é exagero. Assim como as argolas nos pescoços de uma africanas. Mas se as próprias mulheres querem usar a burka, como fazer? Acho que a essa altura são como passarinhos criados em gaiolas. Obrigá-los a sair em nome da ecologia vai somente expô-los a um mundo para o qual ainda não estão preparados. Não sei qual é a solução, há quem diga: corta a cabeça que o pé não mexe. Mas à força, não sei se seria produtivo. Ou se somente geraria um vontade ainda maior de usar burka. Sabe como é, proiba seu filho de usar brinco e ele faz um piercing no mamilo…A vida não é tão 2+2=4…às vezes dá certo, ás vezes não dá…
E olha que no mamilo dói…!
Extremismos :
Pensem :
Fábrica de chouriço em Israel.
Currascaria em N. Delhi.
Loja de langerie em Teerã
Módulo policial em favela.
Mc Donalds em Cuba
Um butecão daqueles em Bagdá
Burka em Londres
Mini saia em Teerã
E mais todas as possibilidades que voces podem imaginar.
Diversidade cultural é isso ai. O resto é retórica barata e argumentação falaciosa.
Pai Francisco, meu nobre debatedor, aqui vai uma pra você: Draco Dormiens Nunquam Titillandus. (Nunca catuque um dragão adormecido)
Desde o “sucesso” de 1983 com umas centenas de marines pelos ares, com a retumbante volta em 2001, em 9/11, a galera do lado de lá adorou o modelito de ser pavio de pólvora que nos é mais incômodo que os véus e as burkas do post anterior. Essa ameaça é mais real que a atômica neste exato momento, assim como as Automatic Kalashinikov modelito 1947. Quanto mais se dilacera o rato, mais aparecem outros pra apertarem o botãozinho mágico que os levará pras 70 virgens.
Filosófico? Sim. Simplista? Sim. Mas mais do que isso, é uma questão de postura. Meu nick vem daí. Tenho falado que as disciplinas estratégica e doutrinária militares precisam de uma profunda revisão nesses nossos tempos infelizes de terrorismo. Qual a solução? Se eu soubesse estava já sentado em cima de uma boa grana e descansando em alguma ilha particular por aí com um helicóptero biturbinado me esperando para o caso de dar vontade de tomar um chopp com amigos em algum boteco do Rio, São Paulo ou POA. Só acredito piamente que não é na valentia infanto-juvenil tendo o tio Sam como herói infalível e protetor. Melhor colocar o dragão pra dormir de novo.
Putz, punhei no post errado, mas deixa pra lá.
mhgonçalves
Obrigada pela informação. Só posso dizer que agradeço aos fados não ter nascido paulista durante a colônia. Viuge!!!
“Extremismos:
Pensem :
Fábrica de chouriço em Israel.” (Josué)
Josué, saiba que Israel fabrica excelentes chouriços… bovinos. Aliás, aqui no Brasil também não falta embutidos bovinos da mais alta qualidade.
Mas em Israel, algumas cidades privilegiadas — como Tel Aviv, por exemplo — dispõem de restaurantes que fazem sucesso porque vendem a mais genuína feijoada brasileira.
Daquelas completas, mesmo, no mais puro estilo Stanislaw Ponte Preta, que dizia que a feijoada só estará completa se não faltar nem mesmo ambulância na porta…
A meu pensar, um país só deve ser considerado civilizado se suas principais cidades dispuserem de pelo menos meia dúzia de restaurantes servindo a autêntica feijoada brasileira.
Israel está chegando lá. Aos poucos, a civilização chega ao Oriente Médio.
Elias, :)
Alba é cinéfila, Elias epicurista. Caldeirão cultural é isso .
Alba não aguento mais. Suportei até onde foi possível. O monstro da saudade dilacera minhas entranhas e corroe minha alma portanto responda : Onde anda minha deusa Oh Bia !!?? Quando ela descerá do olimpo da distância e ausência ??
Josué,
Elias epicurista? Sei não se ele concordaria com isso..;-)
A Bia tá em Lisboa com os pais. Logo depois, volta pro Brasil, viva!
Mas me disse que estará de volta à França pra empacotar as coisas por esses dias. Entonces, é só esperar um pouquinho..
Sou estudante,e tenho um trabalho de escola para fazer e gostaria que me ajudassem .Preciso saber sobre os costumes da mulheres mulçumanas ,e seus relacionamentos familiares.? verdade que os homens podem casar-se com mais de uma mulher? Como se administra isto?
Muito obrigada pela ajuda . Abraços NILSA
Aguardo resposta com urgência o trabalho é para eu apresentar dia12/11/2006.