Todos os gays do presidente

EUA · Sexualidade · 18/10/2006 - 00h01 - 187 Comentários

Há um mês, o deputado federal republicano Mark Foley viu-se obrigado a renunciar, depois que emails seus para rapazes que trabalham na Câmara foram divulgados. Rapazes, entenda-se, pajens, que trabalham no Congresso felizes da vida vindos de tudo quanto é parte dos EUA. Freqüentemente, é seu primeiro trabalho na vida. Todos menores de idade.

Dia 7 de novembro acontecem eleições para Câmara e um terço do Senado. O baque do escândalo Foley foi grande e periga custar aos republicanos sua maioria nas duas Casas. Não apenas pelo escândalo envolver menores de idade mas também por envolver um deputado gay.

O partido rachou. Uns estão começando uma caça às bruxas:

Ela é chamada de ‘a lista’. Supostamente, estão lá os nomes de duas dúzias de republicanos gays ou republicanas lésbicas. Inclui uma senadora, quatro deputados, nove chefes de gabinete e dois assessores presidenciais. Esta ‘máfia de veludo’, dizem fontes, ajudaram a esconder o apetite do deputado Mark Foley por pajens do Congresso. É seu modo de proteger os seus.

O termo correto é homofobia: há gente no Partido Republicano que confundiu pedofilia com homossexualismo, coisas de todo distintas e não relacionadas. Mas na comunidade homossexual há quem queira partir para o ataque.

Acontece assim: uma das bandeiras mais fortes do governo George W. Bush é a de ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O fato de um escândalo gay no Congresso ter surgido empurra o tipo de eleitor conservador que acha esta proibição importante para candidatos democratas. Os republicanos são, portanto, inimigos políticos dos gays. Nem todos os gays pensam assim – mas a maioria não gosta de Bush. Compreensível.

Michael Rogers é um destes ativistas gays. Seu passatempo é divulgar a opção sexual de gays republicanos que votam contra gays no Congresso. Tira do armário, a prática que, lá, chamam de outing. Hoje mesmo, já divulgou em seu blog que dirá o nome de um senador.

A turma está apavorada. De um lado, um movimento intra-partidário que os culpa pelo que prevêem ser uma derrota eleitoral; do outro, ativistas à esquerda que querem romper, na marra, o que chamam de hipocrisia. Pode custar-lhes seus mandatos.

Rogers tem um outro nome na manga, uma pessoa importante – muito importante – no governo Bush que, ele diz, tem provas de que é lésbica.

A fogueira está sendo alimentada.

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