O futuro da Coréia do Norte

Coreia do Norte · 16/10/2006 - 00h01 - 49 Comentários

Robert Kaplan, editor da excelente Atlantic Monthly, escreve um igualmente excelente artigo sobre a Coréia do Norte para o Aliás do Estadão. Para quem quer entender o inacreditável Kim Jong Il, vale cada linha. Trecho:

Demonstrar bravura com mísseis é sinal de fraqueza. Contrariamente à percepção popular, Kim não perde o sono preocupado com o que os americanos podem fazer contra ele. Sua preocupação é com a China. Ele sabe que os chineses sempre tiveram mais interesse na sua geografia - com saídas adicionais para o mar, próximo à Rússia - do que na sobrevivência a longo prazo do seu regime. Um dos principais objetivos de Kim ao mostrar agressivamente a capacidade bélica do seu país, é compelir os EUA a negociarem diretamente com ele, fazendo com que seu Estado enfraquecido pareça mais forte. E quanto mais forte Pyongyang aparentar, melhor se sairá nas negociações cruciais com Pequim. Para a consternação de Kim, porém, a resposta americana aos seus testes com mísseis foi de indiferença. Os pilotos das diversas esquadrilhas de caças foram avisados para não beberem muito nos dias de folga, pois poderiam ser convocadas, mas não passou disso.

A extinção da Coréia do Norte pode se prolongar. Robert Collins, suboficial aposentado e agora especialista na área civil do exército americano na Coréia do Sul, delineou as sete fases do colapso da Coréia do Norte: 1. Esgotamento dos recursos; 2. Fracasso na manutenção da infra-estrutura do país; 3. Ascensão dos feudos independentes controlados informalmente por ‘apparatchiks’ de partidos locais ou senhores da guerra, juntamente com uma corrupção generalizada para enredar o governo falido; 4. Tentativa de supressão desses feudos pelo regime de Kim; 5. Resistência enérgica contra o governo central; 6. Fragmentação do regime; 7. Formação de uma nova liderança nacional.

A Coréia do Norte provavelmente atingiu a fase 4 em meados da década de 90, mas foi salva pelos subsídios recebidos da China e da Coréia do Sul e também dos auxílios para combate à fome dos EUA. Voltou à fase 3.

Diferentemente do que aconteceu no Afeganistão e no Iraque, os EUA não têm controle sobre a possibilidade de uma guerra envolvendo a Coréia do Norte. Mesmo que jamais decidam se meter militarmente por ali, ainda assim é bem possível que a guerra venha.

E, aí, é bom que estejam preparados.

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