Se há liberdade por aí (2)

América Latina · EUA · História · 10/08/2006 - 11h30 - 247 Comentários

Vivemos num tempo em que os discursos estão dados e congelados, não se transformam, são uma repetição de frases e respostas prontas para os argumentos opostos. A direita o faz, a esquerda também.

Houve um bom debate, a partir da entrevista de Jon Lee Anderson, dois posts abaixo. Muitos à esquerda persistem em defender o regime cubano. Mas aquilo é uma ditadura liderada pelo homem que está há mais tempo no poder em todo o mundo. Nenhum homem tem este direito – por mais justo que seja. E Fidel não é justo, Fidel é um ególatra. Todo ditador o é. O povo de Cuba não tem liberdade.

A direita, por outro lado, insiste em dizer que embora coisas como educação, por exemplo, sejam bacanas, nada tem a ver com real liberdade; quem está à direita faria bem em reler seu Thomas Jefferson. É bom antídoto, clareia conceitos:

Se uma nação espera ser ignorante e livre, ela espera ser o que nunca foi e nunca será. Ilumine as pessoas todas e a tirania e a opressão do corpo e da mente desaparecerão como os demônios perante a luz da manhã.

A direita concorda que ter teto é legal e que comida é bom, mas que estes não são direitos de nascença, o grande direito que temos ao nascer é a liberdade. À mais bela Declaração de Independência jamais escrita:

Temos estas verdades por evidentes em si, a de que todos os homens são criados iguais; a de que seu Criador lhes garantiu direitos inerentes e inalienáves; que entre estes estão a vida, a liberdade e as condições para encontrar a felicidade; que para garantir estes direitos, governos são instituídos por homens.

Se você não tem a garantia de casa ou de comida ou de educação, você tem negadas as condições de buscar a própria felicidade.

Governos são instituídos para garantir estas condições básicas.

E desviando da discussão um quê, mas persistindo em Jefferson, não custa lembrar-lhe um último trecho de discurso:

E mesmo que a nuvem da barbárie e do despotismo tornem a obscurecer a ciência e as bibliotecas da Europa, este país persistirá no intuito de preservar e restaurar a luz e a liberdade. Em resumo, as chamas acesas no Quatro de Julho, em 1776, espalharam-se por partes demais do globo para que se apaguem pelas intenções frágeis do despotismo.

Alas – é século 21, Jefferson cai esquecido, e o despotismo dedicado a obscurecer a ciência não vem da Europa. Mas, não, a chama do 4 de julho de 1776 não se apagou, há quem resista em partes do mundo.

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