Como era estar lá

Israel e Palestina · Oriente Médio · 28/07/2006 - 15h51 - 294 Comentários

De início, a festa não parou. Quem é de Beirute gosta de dizer (verdade ou não) que não deixaram de sair e festejar durante toda a Guerra Civil. Não era cool buscar abrigo quando havia um bombardeio. Nós ‘não devíamos nos preocupar. Todas as boates têm geradores próprios.’ Naquela noite, continuamos a gravar (e a beber muito) na festa de abertura do Sky Bar, agora em novo local, uma boate numa cobertura com vista para o Mediterrâneo. Gente endinheirada de Beirute – todos, parecia, eram jovens, sensuais e incrivelmente bonitos – bebia Red Bull com vodka e se mexia (se é que não dançava) conforme os jatos israelenses sobrevoavam ameaçadoramente baixos. Não fossem os caças, pareceria que estávamos em Los Angeles ou em South Beach, Flórida.

A turma falava um inglês perfeito. Muitos eram libaneses-americanos que haviam retornado para o país de seus pais ou então eram recém migrados da América ou Reino Unido que haviam deixado o lugar durante a Guerra Civil e tinham acabado de retornar. Conheci e conversei com Ramsay Short, o jovem editor da recém-lançada Time Out Beirut e ele contava vantagem a respeito da recente Edição Especial Sexo que trazia na capa as pernas nuas de uma mulher, a calcinha abaixada até os tornozelos. Esta edição – provocadora para dizer o mínimo num país em grande parte islâmico – saiu sem qualquer censura ou mesmo grande reclamação. Ramsay estava feliz com isto. Assim como estava feliz com o fato de que sua cidade tinha sua própria edição deste guia urbano e jovial. ‘Só 15 cidades no mundo têm a Time Out’, ele me disse, ‘e Beirute é uma delas!’ Ele sequer via os aviões. Mais tarde fomos parar na Barbar, uma boate que fica até alta madrugada, onde ele já parecia mais pensativo. Mesmo naquele momento, antes dos primeiros bombardeios, acho que ele já sabia o que estava por vir.

Qualquer pretensão de que ‘a festa nunca pára em Beirute’ já tinha se ido na manhã seguinte quando o aeroporto foi atingido por aquele que seria apenas o primeiro de muitos ataques.

Anthony Bourdain, chef de cozinha e escritor best-seller, estava em Beirute gravando um especial de tevê quando os bombardeios começaram.

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