Avanço xiita

Irã · Israel e Palestina · Oriente Médio · 24/07/2006 - 16h48 - 77 Comentários

O governo Bush pensava em política como a relação entre indivíduos e Estados e não percebeu que no Oriente Médio a política é vista como o balanço de poder entre comunidades. Ao invés de ver a queda de Saddam como a oportunidade para criar uma democracia liberal, a maioria dos iraquianos a viu como a chance de reparar a injusta distribuição de poder entre as comunidades do país. Ao libertar e dar poder à maioria xiita, o governo Bush ajudou a lançar um revival xiita que mudará o balanço sectário no Iraque e no Oriente Médio anos porvir.

Não há nenhum pan-xiismo ou mesmo uma liderança unificada que agregue a comunidade, mas os xiitas dividem uma mesma visão religiosa. [...] Só o tamanho da população, hoje, já faz deles um eleitorado poderoso. São 90% dos iranianos, 70% dos que vivem na região do Golfo Pérsico, aproximadamente 50% no arco entre Líbano e Paquistão – 140 milh?es de pessoas. Há muito marginalizados do poder, agora querem mais direitos e influência política. Os eventos recentes no Iraque mobilizaram os xiitas árabe-sauditas (10% da população). [...] Os xiitas do Líbano (aproximadamente 45%) seguem o mesmo caminho, assim como os xiitas de Bahrain (75%).

A análise de Vali Nasr, na revista Foreign Affairs, é particularmente importante neste momento. O Hezbolá é xiita, evidentemente, patrocinado por Irã e Síria. Irã tem o governo controlado pelo clero xiita, Síria é uma ditadura laica não muito diferente daquela de Saddam Hussein. Mas uma diferença salta aos olhos neste contexto: não só a minoria xiita é próxima ao governo como o país foi um dos raros, no mundo árabe, que apoiou o Irã em sua guerra contra o Iraque.

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