Terceira China
O Clarín preparou para seus leitores um guia de exportação para a China. É coisa rudimentar, apenas para dar uma pincelada inicial, mas traça um perfil curioso. De certa forma, lembra um bocado o Brasil:
O vertiginoso ritmo de desenvolvimento chinês se reflete na velocidade com que novas tecnologias substituem as antigas antes que elas tenham se estabelecido. A China apenas começava a distribuir suas linhas de telefonia fixa quando irromperam os celulares. Muitos consumidores não esperaram ter um telefone fixo e passaram diretamente para os celulares.
Mas também é um bocado diferente:
Em termos de geografia econômica, a China não é um país mas três: por um lado, as metrópoles prósperas de Beijing, Guangzhou e Xangai; por outro, as zonas rurais atrasadas; por último, a ‘terceira China’ de cidades médias como Xi’na, Nanquim e Wuhan. As grandes aglomerações são o mercado por excelência das corporações multinacionais. Ali é difícil competir. Melhor lançar o olhar sobre a ‘terceira China’, onde existem excelentes oportunidades não exploradas.
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Devo confessar que a cada vez que leio sobre a china tenho a impressão que estou lendo sobre uma nova bolha. Digo isso porque tenho dúvidas de que aquele país vá realmente alcançar o status de uma potência econômica moderna. Meu chute é que a china assim como o Brasil irá enfrentar um entrave socio-cultural.
Aqui em Israel minha namorada que atualmente está fazendo o PhD dela em economia diverte-se em sempre lembrar da aposta que fizemos.
Se em vinte anos a china não for mais uma potência ganho um simbólico beijo no rosto. Nem um dólar, nem um yuan, muito menos um euro. O beijo no rosto é uma commodity de razoável liquidez porém sofre menos com as desvalorizaç?es e sazonalidades da vida. :-)
Bem pessoal, eu me sinto a vontade em falar sobre a China porque atuo como importador de produtos de lá para o Brasil há 6 anos. Já estive lá várias vezes e visitei, tanto as grandes metropóles como as zonas rurais e também a terceira China.
A meu ver a China será uma grande potência mundial, a não ser que ocorra algo de muito extraordinário, nos próximos anos. Onde estão os segredos visíveis da China? Pelas minhas observaç?es: Primeiramente, na baixa burocracia, as coisas por lá são extremamente simples. Enquanto aqui no Brasil as empresas se afundam em papéis, formulários, leis, impostos e demais itens que comp?e o custo Brasil as empresas chinesas voam no mercado. O segundo item que torna a China impressionante é a forma de comercialização: enquanto aqui no Brasil cada empresa tem sua estrutura particular de vendas, na China as empresas se reunem em torno de uma outra empresa, frequentemente denominada de Group, e esta empresa é a responsável pela comercialização em todo o mundo. Esta empresa comercializadora é uma feroz pesquisadora de novos mercados.
Mas o mais impressionante não é nada disso: o mais impressionante é a rapidez com que a China se adapta às mudanças mundiais. Na última viagem feita àquele país, em abril deste ano, foi incrível o que a gente viu por lá: o povo se ocidentalizou rapidamente, absorveu o modo de vida do ocidente com uma rapidez incrível e isto faz com que eles saibam exatamente quais são as necessidades dos outros países. Esta rapidez de adaptação é, a meu ver, o fato mais impressionante da China.
Bem interessantes os comentários tanto do Andre como do Zeca. Andre, espero que vc perca o beijo… ;c)
Gostaria de lembrar um terceiro aspecto, que parece sempre esquecido, qdo se fala em China: p Império do Meio AINDA é uma economia de planejamento centralizado. A divisão em “três países”é interessante, visto que o “primeiro” (eu diria o “terceiro”, mas tudo bem…) absorveu, de modo controlado, o capitalismo; o “segundo” são dados como “atrasados”, mas como explicam alguns analistas pouco lidos por aqui, na verdade é o país “socialista”, no qual não existe disperdício, a produção é planejada de modo a permitir certa transferência de recursos para as áreas industrializadas da “terceira China”. A produção de grãos chinesa, me parece, é da ordem de 250 milh?es de toneladas, e existe uma agricultura bastante produtiva, que mistura técnicas modernas (importadas principalmente da ex-URSS) com práticas tradicionais. Ali é “difícil competir” porq a “competição” (leia-se expropriação e redistribuição de meios de produção e criação de um mercado livre) implicaria na inviabilização da centralização. A “terceira China” é a que a economia industrial continua rodando em moldes de economia planejada, e produz bens para um mercado que ainda está no regime socialista. A “terceira China” mantém uma economia industrial cuja expansão é rigidamente planejada e controlada, e cuja produção tem mercado cativo, no interior das “duas Chinas” socialistas. O excedente - inclusive de mão-de-obra - é transferido para a “primeira China”, na qual complementa os investimentos estrangeiros. Segundo esses analistas a que me refiro (inclusive Toni Negri e Perry Anderson, geralmente ignorados pela imprensa daqui), esse modelo exige uma regulagem de relógio. Na minha opinião, dificilmente mudará, pois é ele que permite o crescimento vertiginoso, de fato subsidiado pela transferência de recursos de um “país” para outro. Lenin tentou fazer isso na época da NEP, no início do período revolucionário. Não deu derto por diversos motivos, e pelo fato de que a política de cordão sanitário impediu a convergência de investimentos prá lá.
Para não dizerem que só entro aqui para falar mal de americano, emplaco um comentário lingüístico que provavelmente é enfadonho (afinal, velho e chato eu nunca vou deixar de ser) mas que decorre da lógica. Trata-se das transcriç?es “inteligentes” que grassam como uma praga na mídia de hoje (atenção, não é uma crítica ao PD, ele apenas reproduziu o artigo).
O chinês é uma língua de ideogramas, Chineses e japoneses são, no rigor do termo, povos analfabetos. Ora, se o chinês não tem alfabeto a ser vertido para o alfabeto latino, o que justifica, em plena imprensa brasileira, “transcriç?es” tão ridículas como Xi?na, com esse apóstrofo se intrometendo como uma lombriga, ou Guangzhou, com esse “h” inútil e o “u” final se afrancesando em “ou”?
Mas o pior de tudo é Pequim virar Beijing. Uma vez que o argumento de maior rigor na transcrição alfabética não se sustenta, o que será que houve? Será que durante milênios os ocidentais ouviram mal o nome do lugar e só agora, provavelmente com os ouvidos mais limpos pelos hábitos modernos de higiene, apreenderam a sutileza da pronúncia da cidade celestial?
Mesmo que fosse isto, ainda é bobagem. Cidades e países antigos e tradicionais têm seus próprios nomes tradicionais nas grandes línguas do mundo. Se mudarmos Pequim para Beijing, deveríamos também mudar Londres para Londona, Munique para Minchem, Florença para Firênzia, Alemanha para Doitichilândia e Inglaterra para Unaitediquinguidão”. Portanto, Beijing é Pequim e Mumbai é Bombaim, o resto é bobeira.
Aposto que o Bitt tá torcendo para a China suplantar logo os EUA como potência mundial… ;-)
Acho que isso vai levar um tempinho ainda. Mas os chineses não estão mal na parada não.
well….e como alguém já falou, quem “financia” o socialismo chinês é o ocidente capitalista.
Iau! Eu concondando inteiramente com o João Daltro!?
Vou ver se o estado -vulgo SUS- para um analista amanhã!!
:o)
Torço sim, Mr X… Vai mais divertido ter uma outra potência na cena… :c)
well, bush, não é não… capitalista não financia ninguém, my niceguy, capitalista quer ganhar, e a China está oferecendo ganhos: mercado enorme, mão de obra barata e mto bem treinada, infra-estrutura razoável, subsídios oferecidos pelo Estado. o q significa potencializar o lucro…
Pois é, né, caro zé… pq o “ocidente capitalista” não vai financiar… vejamos… o regime de Bangla Desh? Ou do Haiti (seja lá qual for…)?
Ops. “para” não: “paga”, sim?!
:o)
Pois eu vejo com reservas o crescimento e a ocidentalização chinesa. Pelo menos historicamente, o capitalismo é excludente - isto ninguem nega. O problema é: se os desniveis sociais lá se tornarem gritantes, para onde vai a China? E mais: quando outros valores ocidentais começarem a penetrar no ambiente chines ( como a democracia, o direito de expressao, a liberdade de consciencia) o que acontecerá? Até quando, por exemplo, a populacao terá acesso a Internet com a censura do governo chines, sem reclamar?
Uma vez, conversei com um colega russo sobre a China. Eu perguntei se os russos nao viam esse crescimento populacional e economico como uma ameaça futura à Russia. Ele falou mais ou menos assim: ” Olha, a força da China está na unidade de pensamento do povo. E é sua fraqueza, tambem”.
É complicado…
A Companhia só vai investir na China quando essa garantir a liberdade aos seus cidadãos e ao Google.
O princípio chinês é basicamente o mesmo do japonês, aliás, foram os chineses que levaram civilização para o Japão, a China poderá vir a ser a maior potência mundial, o negócio é torcer para que a transição de forças do ocidente para o oriente seja de forma pacífica.
Até onde eu sei, houve uma alteração na pronúncia e na grafia de diversas palavras chinesas, incluindo Beijing (que antes era Peking). Isso foi promovido pelo Mao-Tse-Tung, cujo nome foi modificado pela mudança também (para Mao Zedong).
Mas falando sobre o assunto do post, eu sinceramente não acredito na viabilidade de se exportar produtos industrializados para a China. O contrário é muito mais plausível. Hoje, eles já industrializam praticamente de tudo e SEMPRE são mais baratos.
A China já tem desníveis sociais gritantes… A diferença entre capitalismo e comunismo é que no capitalismo tem algumas dezenas de bilionários e uma massa de pobres ou remediados. No comunismo só tem pobres ou remediados (e o pessoal do Partidão na escala superior, é claro).
Blergh, o capitalismo é includente, aliás, o único sistema includente que já existiu.
É isso aí. O capitalismo é includente. Includentíssimo, por sinal.
Ele inclui uns poucos na riqueza. Em compensação, inclui um porradal de ferrados na pobreza. Inclusive aqui no Brasil. Aliás, a América Latina tá toda incluída nessa inclusividade toda.
pelo menos você tem ideia de como era o mundo antes do capitalismo?
elias, conte aí. assim como você apoiava o pcc, está apoiando os criminosos do mlst?
Elias Ches tem razao o Capitalismo inclui tudo e todos no sistema .Se alguem nao gosta da posicao em que foi incluido eh outra historia
Gostaria de receber o alfabeto, dicionário e glossário traduzido português para chines.
Desde já agradeço.