A história (e o dinheiro) por trás de
Watergate e do Garganta Profunda

EUA · História · Mídia · 1/06/2005 - 15h08 - 1 Comentário

A revista The Washingtonian, uma das primeiras a ter blog em tempos recentes, parece ter sido a primeira a acertar a identidade correta do Garganta profunda, em 1974. Lá, pouco após a publicação do livro Todos os homens do presidente, publicou:

Quem tinha o motivo e a oportunidade e o método? Quem odiava o que Nixon estava fazendo consigo? Quem tinha acesso a todo material? Quem tinha os meios para montar um sistema de vazamento?

Era o FBI. A turma das antigas, os caras de Hoover que estavam sendo pressionados e ofendidos e demitidos por Nixon [...] Você quer desmontar a organização que John Edgar Hoover construiu por quatro décadas? Quer que um bando de garotões espertos com suas camisas para fora das calças nos dizer como fazer o trabalho?

Leia as transcrições das conversas presidenciais de 28 de fevereiro e 13 de março e então preste atenção num sujeito como Mark Felt. Um cara leal a Hoover, homem número dois de Pat Gray, tinha todas as razões e acesso para liberar a história sobre Watergate e destruir Nixon.

Segundo eles, em cima do lançamento, a derrubada de Richard Nixon foi também a última jogada de xadrez de J. Edgar Hoover, mestre diretor chantagista do FBI entre 1924 e 72. Talvez estivessem errados nos motivos, quem há de saber? Talvez estivessem mais que corretos nos motivos. Mas isso é conjectura. O furo é todo da Vanity Fair. Durante décadas, um bocado de gente teve boas teorias – elas não são difíceis de construir. A Vanity Fair teve coisa diferente, um sujeito dizendo “eu sou Deep throat”. Era ele mesmo.

Segundo o Washington Post, jornal responsável pela série de reportagens sobre o escândalo Watergate, o advogado John O’Connor procurou a revista com a história faz dois anos – mas queria dinheiro para a família de Felt em troca do furo. Então o advogado procurou pelo mercado editorial em busca de um acordo financeiro para um livro – fracassou, retornou à Vanity Fair.

O testemunho de O’Connor não bastava. Quinze editores e repórteres da revista checaram com fontes as mais diversas o testemunho do advogado, inclusive gente próxima à família, deixando o texto enxuto e irrepreensível. Todos os envolvidos na feitura assinaram acordos de confidencialidade. Agora, o trecho curioso na matéria do Post:

Na verdade, o Post foi furado, após ter mantido o segredo de Felt por mais de três décadas.

O editor-chefe do Post, Leonar Downie Jr, disse ontem que Woodward “fez a coisa certa ao manter seu acordo de confidencialidade” com Felt. “Ele concordou em não revelar sua identidade até ser liberado da promessa ou que a fonte morresse, e fez isso.”

Embora Woodward tivesse contato periódico com a família de Felt e estivesse escrevendo um livro a respeito de sua relação com Deep throat, Downie disse que nunca ninguém da família de Felt disse a Woodoard que ele planejava ir a público. “Bob não tinha como agir” porque Felt nunca sugeriu que o acordo havia terminado, disse Downie.

A reportagem vai além, mas ambas, a primeira teoria de 74 e a matéria de hoje do Post sugerem que cá este blogueiro foi um quê romântico demais em sua coluna.

Felt agiu como agiu para defender o FBI de J. Edgar Hoover, um manipulador de primeira categoria. Hoover, que costumava montar dossiês com dados sexuais daqueles em Washington para a chantagem eventual em troca de poder, sustentou-se dos anos 20 à morte, em 72.

Mas fica parecendo que o velho número dois do FBI perdeu por completo a capacidade de decidir por si próprio – e sua família saiu ao mercado, por meio de um advogado, para angariar algum lucro com a identidade. Passaram a perna no repórter do Post, acostumado a contratos milionários para livros. Qual a real história? Melhor apostar na definição definitiva, ainda por vir, na coletânea da apuração porvir.

via Political wire

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